segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Bem Vindos à Orgia Pós-Niilista!

Sempre fui intolerante com evangélicos. Se algum membro da classe citada estiver lendo este post, não precisa se sentir discriminado, irmão. Na verdade sou intolerante no que diz respeito a religiões - embora não o seja com relação à religiosidade, coisa que defendo com unhas e dentes.

Todo sistema de crenças é constituído por pelo menos uma verdade irrefutável, só que geralmente esta está envolvida em uma névoa densa de afirmações absurdas, infames, ignominiosas.

"Já não vejo diferença entre os dedos e os anéis / Já não vejo diferença entre a crença e os fiéis" - Esse é um trecho de uma música do Engenheiros do Hawaii e exprime bem o que sinto a respeito dos crentes ortodoxos, seja lá de que crença for. Se analiso determinado sistema e vejo que nele se encontram muitas mentiras misturadas com verdades e que os fiéis não são capazes de separar o joio do trigo, logo sou levada a crer que essas pessoas sofrem de cegueira crônica, ou, para ser mais explícita, sofrem de burrice.

Confesso que minha antipatia é maior por evangélicos por conta de dois motivos:

- Seus fiéis são muito "bélicos" para o meu gosto. Geralmente são os primeiros a atacar outras religiões, de maneira bastante vulgar, inclusive. Bons cristãos devem perdoar e dar a outra face para o tapa, mas fazer isso indefinidamente não é próprio de espíritos elevados, mas sim de otários. Até Jesus chicoteou os mercadores do templo, o que mostra que o cordeiro nem sempre era tão manso assim. Embora eu não defenda nenhuma religião específica, até porque não tenho nenhuma, e saiba bem que essa foi a estratégia da Igreja Católica durante anos a fio, não vivi na Idade Média para presenciar a ação dos católicos daquele tempo, mas vivo hoje, e canso de ver evangélicos atacando membros de outras religiões e ainda achando que têm o direito divino ao seu lado para fazer isso. Certa vez entrou uma macumbeira num ônibus em que eu estava. Ela usava roupas típicas, toda de branco com um turbante. Um crente começou a gritar, chamando-a de bruxa e proferindo contra ela todo tipo de palavrões. Ela não deu uma palavra e desceu do ônibus. É, com certeza esse foi um comportamento muuuuuito cristão...

- O segundo motivo é o modus operandi usado para arrebanhar fiéis. O sistema de crença dos evangélicos pouco ou nada difere do dos católicos, visto que ambos seguem o mesmo roteiro (A Bíblia) e possuem o mesmo Mestre. A diferença está no tratamento da questão do pecado. Enquanto a Igreja Católica trabalha com a culpa e com o medo infligido pelo temor do inferno, a Igreja Evangélica trabalha com transferência de responsabilidade. O indivíduo nunca é culpado de nada. Se fez algo errado na vida, isso foi culpa do demônio. Era o demônio obrando pelas mãos do pobre infeliz, tomando o corpo dele e o fazendo cometer pecados. Indo na Igreja Evangélica, o indivíduo expulsa os demônios (culpas) pela obra do Cristo, que perdoa todos os pecados e permite que a vítima do capeta siga em frente sem olhar para trás. Ora, ou o percentual de esquizofrênicos no mundo é muito maior do que o estimado, ou isso é uma picaretagem só. Dessa forma ninguém é "resgatado", visto que a não-admissão da culpa impossibilita uma mudança real na personalidade do indivíduo, e o que acontece é apenas a vigilância anti-demoníaca, que deve ser feita incessantemente, pois uma vez que o sujeito não mudou, só maquiou seus defeitos com outro nome, ele nunca irá se livrar realmente deles. E o pior é que começam a ver demônios em todo mundo...


PS - Justiça seja feita, macumbeiros fazem a mesma coisa, mas põem a culpa nos Exus e Pomba-Giras da vida. Não deve ser coincidência o fato de que um grande número de evangélicos é ex-macumbeiro...

As vezes me parece que a Igreja Católica tenta colocar nas costas de seus fiéis uma cruz mais pesada que a do Cristo, pois são muitas as culpas. Aqueles que não têm talento para o ascetismo não se sentem bem nesta atmosfera rígida. Foi aí que o sucesso dos evangélicos se deu.

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Mas na realidade, meu questionamento hoje vai de encontro à validade das religiões. Embora eu realmente considere posições mais ortodoxas como atestados de burrice, a extinção das religiões não fará os imbecis deixarem de existir, pois não são elas que os fabricam. Assim como existem crentes idiotas, também existem ateus e agnósticos burros.

Se formos analisar o perfil histórico do surgimento das religiões, notamos que na realidade o sentimento religioso é inerente ao Homem, ainda que ele não se dê conta disso. Os Homens não montaram religiões arbitrariamente, elas surgiram como expressão de uma sensação comum à espécie. Embora as religiões primitivas possam parecer intelectualmente distantes de nós, ainda conseguimos perceber nelas a expressão de emoções ou intuições aparentadas com as nossas. O que mudou foi o veículo do pensamento e da ação, mas não a sensação propriamente dita. Não evoluímos enquanto espécie, nossa natureza não se modificou. O instinto religioso sobrevive mesmo em meio ao surto niilista. Idolatrar deuses ainda é costume, só que os deuses mudaram de nome e, sinceramente, decresceram consideravelmente em qualidade.

Nacionalismo, sistemas políticos, pseudofilosofias Nova-Era, hedonismo, “arte” (entre aspas mesmo, porque a Arte verdadeira eu não sei onde se escondeu), ciência, o culto à fama e ao sucesso financeiro. Esses são os ídolos contemporâneos da orgia pós-niilista ("pós" pois é inocente aquele que acha que dá para manter a sociedade no estágio intermediário de vazio entre a destruição e a reconstrução de valores durante muito tempo).

A função dos deuses entre aqueles que pertencem a uma religião mas que nunca experimentaram a sensação viva da religiosidade na carne, é servir de ídolo. Os indivíduos se espelham neles, que antigamente respondiam por imagens de perfeição, para poder trilhar suas vidas com alguma espécie de foco. Funcionam como uma bússola.


Ao abandonar os deuses clássicos ficamos com aqueles mais tangíveis, mais concretos, ao alcance da mão mesmo. E aí o que acontece? A sociedade passa a idolatrar não a figura de Jesus Cristo, mas a de Britney Spears!!!!!!!! Os indivíduos não cultuam mais os santos, mas sim os próprios países em que nasceram (e parecem não se dar conta de que local de nascimento nada mais é que uma aleatoriedade) ou a postura política que adotam - vide os comunistóides/socialistinhas de botequim de universidade que se proliferam aos borbotões - e aqui pra nós: costumam ser os bêbados mais chatos e sem graça de todos. Não almejam mais a pureza e a santidade, mas a beleza siliconada e o bolso cheio de dinheiro, pois é essa a idealização que têm da perfeição. Por que buscar o silêncio interior na procura do autoconhecimento, se é possível correr para o psiquiatra e tomar um Prozac para esquecer das dores e das perguntas não respondidas? Por que buscar a caridade no espírito quando a fama está ao alcance de todos e proporciona benesses bem maiores? É só ser selecionado pro Big Brother para virar... Deus! E como posturas ortodoxas não são exclusividade do âmbito religioso, ainda existem aqueles que são fanáticos por este tipo de deus! Fora que estes ideais, por serem facilmente alcançáveis, transformam aqueles que conseguiram atingi-los em cínicos crônicos.

Nojo.

Entre esse lixo e o "ópio do povo", eu ainda prefiro a segunda opção. No tempo em que as pessoas eram mais "tementes a Deus", elas eram mais dignas, ou pelo menos disfarçavam bem quando estavam em público. E sinceramente, a intimidade das pessoas pouco me importa, uma vez que só estarei na companhia daquelas que eu selecionar. Mas o comportamento público indigno por parte de terceiros é desagradável até para o mais imoral dos seres, ainda que ele mesmo tenha comportamento idêntico na sua intimidade. Não estou defendendo a hipocrisia, mas é impossível viver em sociedade em um mundo que não tenha valores ou um código de comportamento social mínimo a seguir. E já que infelizmente as pessoas não tem a capacidade de seguir estas premissas por bom senso ou disposição de espírito, que o façam por respeito a alguma autoridade maior, e este papel, que era cumprido por Deus, está ficando vazio.

Fora que o código de conduta imposto atualmente, o do pensamento politicamente correto, igualmente cerceia a liberdade das pessoas de forma não menos tosca e hipócrita que a religião, mas sem o mesmo efeito, pois não há o sentido de autoridade divina eternamente vigilante por trás. Implicam com coisas idiotas e que não produzem nenhum efeito em termos de melhoria do caráter do Homem. Hoje nem se pode mais chamar um preto de preto ou um cego de cego que isso é praticamente um pecado. Eles são afro-descendentes e deficientes visuais, viu? Isso é só uma forma de manter a hipocrisia, pois inúmeras vezes quem fala afro-descendente na verdade primeiro pensou em dizer "preto" - e pode tê-lo feito sem nenhuma conotação negativa, enquanto há aquele que diz "afro-descendente" cheio de sarcasmo - mas como isso pode parecer deselegante e soar mal para o locutor, usa-se outra palavrinha, mais... contemporaneamente aceitável.
(Em off: Como se os afro-descendentes não fossem pretos. Tem gente que implica com a palavra "preto" e diz que o correto é "negro". Acho que no meu dicionário são sinônimos, mas enfim... mania de perseguição é uma tristeza, aff! Esses recursos eufemistas para mim alardeiam ainda mais o racismo de outras raças para com a negra e não menos o auto-preconceito proveniente dos próprios negros que tentam maquiar a sua própria condição com tons mais suaves, como se tivessem vergonha de ser o que são. Não é mudando o nome que se dá às coisas que as pessoas deixarão de ser racistas)
Não se pode mais cantar "Atirei o Pau no Gato"! Toda a minha geração cantou isso na infância, e nem por isso todo mundo resolveu atirar o pau no gato por cantar uma canção. Que babaquice! Que mudança real na fundação do espírito humano isso trás? E a falta da autoridade divina autoriza qualquer um a ser o crápula que quiser por trás dos panos, quando não está em público, mas não quando ela existe pois, sendo Deus omnipresente, omnisciente e omnipotente ele vai saber de tudo e pode castigar. Colocando Deus no meio, a coisa fica beeeem mais eficaz...

É muita ingenuidade – e eu admito que já pequei por ela – crer que ao pôr abaixo certas fundações sociais os problemas das relações humanas serão resolvidos. Lembrando que nem todas pessoas são capazes de lidar com a própria liberdade sem trazer danos ao entorno, o melhor mesmo é manter essa parcela incapaz sob determinadas rédeas, ainda que isso pareça ser de um calculismo que nada tem a ver com a essência pura da religiosidade. Todas as vezes que os governos tentaram impor códigos de conduta falharam, e acabaram por ser depostos. Nada melhor então que deixar as pessoas contentes com a própria servidão, e este contentamento é oferecido pela religião, pois dá aos indivíduos a sensação de liberdade – obtida pela ilusão que a escolha de credo dá; e que medidas políticas/governamentais de controle não são capazes de oferecer pois coações só fazem proliferar os revoltosos.

Por conta destas considerações, resolvi apagar um post que havia aqui no meu blog, sobre a Universal. Descobri, através do pouco contato que tenho com os fiéis desta igreja, que prefiro lidar com eles que com os idólatras contemporâneos das divindades sem alma, porque por pior que eu considere os crentes, ainda os acho mais dignos, mesmo que essa dignidade venha do temor do demônio ou do medo do Deus-Terrível do Velho Testamento e não da sua própria disposição para ser, de fato, alguém digno. Odeio que tentem me catequizar, mas para o meu espanto, nem todos partem para esse lado, e também não são todos que pagam o dízimo para o pastor.

Pode ser que eu morda a língua e que ao final de todo esse processo alguma coisa boa surja depois de tanto pessimismo. Mas pelo andar da carruagem, e sabendo que tudo se resume a ciclos, depois desta liberdade sem disciplina e equilíbrio que impera no mundo, o que pode sobrevir é um tempo de controle rígido e igualmente sem moderação.

E que Deus nos acuda.


PS - Dentro das premissas apresentadas, até posso compactuar com a religião em determinadas circunstâncias, mas não com a exploração. Então, mantenho o vídeo do famoso "ou dá ou desce" dito pelo Macedão.




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A Marchinha Psicótica do Dr. Soup

Júpiter Maçã

Antes de nada eu gostaria de explicar
Segue agora um mosaico de imagens mil
Chamado "A Marchinha Psicótica do Doctor Soup"

A noiva do arlequim e o malabarista chegaram juntos com a fada e o inspetor nazista
Chacretes e coristas em teatro de revista
Bem-vindos a orgia niilista
Ai que gostoso, que delícia, muito mais paulista
Anunciados o homem-bala e a mulher canhão
A musa do pinóquio era bolchevista
A mais formosa melindrosa pega na suíça
Suíça pra ela era pegar rapaz

E pra provar minha querida, o meu amor tão radical
Eu escrevi essa marchinha para tocar no carnaval
O milênio passaria, e a marchinha seguiria sendo cult, underground...
Mas até 2020 seria revisitada e virar hit nacional...

O timbre do caetano é super bacana
Não pense que eu estou copiando, que eu sou banana
Peguei emprestado pras artes da semana
Abrindo as portas da percepção
Um tal de Aldous Huxley de cara ficou doidão
Tomando toda a solução.
Doidão é apelido para a paranóia
Toda jibóia, toda bóia, toda clarabóia
Querida, que tal baixar o televisor?
Deitado no divã com Woody Allen
Eu tive um sonho com aquele estranho, velho alien
Que era cabeça Bob Dylan, barba Ginsberg, Allen

E pra provar minha querida, o meu amor tão radical
Eu escrevi essa marchinha para tocar no carnaval
O milênio passaria, e a marchinha seguiria sendo cult, underground...
Mas até 2020 seria revisitada e virar hit nacional...





quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

The End

Natal.
Se minha avó estivesse viva, hoje faria aniversário. Ela morreu há 10 anos e nestes 10 natais que se seguiram minha mãe faz questão de não me deixar esquecer que essa data é um dia triste para ela, pois trás muitas lembranças... Na época eu tinha dezenove anos.

Tenho saudade, mas de forma alguma fico triste.

Ela morreu de câncer no dia 2 de fevereiro. Já esperávamos pela sua morte, sabíamos que o quadro era terminal, mas o fim chegou mais cedo que esperávamos. Era um dia de calor forte e acordei de madrugada com minha tia batendo à porta do meu quarto, dizendo que ela estava passando mal. Fui acudir, e ela não conseguia falar. Pedi a ela que respondesse minhas perguntas com a cabeça, e ela assentiu, demonstrando que estava lúcida. Perguntei se era calor. Negativa. Sede? Negativa. Falta de ar? Sim. Chequei a temperatura dela. Febre. Imediatamente liguei para meu namorado da época (o mesmo do caso misterioso das Paineiras) e pedi que ele nos levasse ao hospital. Em cinco minutos ele estava na minha casa, e a levamos para o carro no colo.

Meu namorado dirigia, minha tia estava no banco da frente e eu com a minha avó no colo, no banco de trás. Em dado momento, senti que ela estava morrendo. Foi estranho, pois não foi uma mudança física nela que me deixou perceber que a morte se aproximava. Eu só senti, sei lá como ou por quê. E senti também o exato momento em que ela morreu, mesmo que o corpo não tenha dado espasmo nenhum. Nessa hora não houve desespero, nem dor da perda, nem lágrimas, nem revolta da minha parte. O que senti foi honra. Honra. Senti-me honrada por ser eu a estar com ela nos braços naquele momento tão importante, e porque eu também sabia que era exatamente ali que ela gostaria de estar nesta hora, pois eu era uma das pessoas que ela mais amava no mundo.

Nada comentei com os outros passageiros. Quando chegamos ao hospital e meu namorado desesperado tentava tirá-la do carro rapidamente, disse a ele calmamente “Sem pressa”. Ele me olhou nos olhos e entendeu, mas ainda assim não acreditou, porque ela ainda estava quente e ainda não havia começado a endurecer. Acho que ele não sabia que o rigor mortis demora um tempo para se estabelecer. Levada à presença do médico, ele disse o que eu já sabia. Comuniquei à minha tia que chorou baixinho. E aí veio o pior. Tinha de avisar à minha mãe.

Liguei para ela, que ainda estava no trabalho. Disse que estávamos no hospital e não revelei maiores detalhes. Ela sempre foi muito apegada à minha avó e, mesmo trabalhando em hospital, justamente em um andar de pacientes terminais de câncer, eu sabia que ela não receberia bem a notícia. Quando ela chegou e soube de tudo, chorou, estrebuchou e se amaldiçoou por não ter estado lá, por não ter podido fazer nada. Mas o que haveria de se fazer, afinal? Só que isso não entrava na cabeça dela, e sabe-se que uma única pessoa em pânico consegue colocar até um avião abaixo. Mantive o controle, e o mais interessante é que minha mãe praticamente me pedia para chorar. Lembro-me de ouvi-la dizer “Por que você está tão dura? Você pode chorar”. Mas eu não queria! Simplesmente não estava com vontade e a atitude desesperada dela ainda estava me irritando.

Os ocidentais vivem como se nunca fossem morrer e os orientais vivem a vida se preparando e se preocupando com a morte. Ambos estão errados, pois o caminho é o do meio. A idéia da morte em si nunca me abalou muito, sempre a compreendi com naturalidade e acho que devemos estar sempre prontos para ela, pois não sabemos quando ela virá. Minhas experiências místicas de três anos atrás ajudaram a reforçar esse pensamento. “Quando vemos o anjo da morte de longe, ele é horrível; mas de perto, ele é belíssimo” – Texto muçulmano. A psilocibina foi usada em testes com pacientes terminais e os resultados obtidos em relação à diminuição da ansiedade quanto a proximidade da morte nestes indivíduos foram ótimos, melhorando a qualidade do restante da vida deles, dando-lhes mais paz.

Chorei quando fui para casa procurar pelo vestido com o qual ela já nos havia dito que gostaria de ser enterrada e não o encontrei. Fiquei chateada comigo mesma por não poder realizar o desejo dela. Obviamente, chorei a dor da perda quando senti saudade, e chorei muito quando precisei dar um destino aos presentes que ela havia ganhado no Natal do ano anterior e nem havia chegado a usar. Mas o choro foi de saudade, não de tristeza. A saudade sempre vem de um ponto de limitação. Seja ela espacial ou circunstancial, representa algo intransponível para aquele que a sente. Há sempre uma barreira, ainda que momentânea, que nos impede de matar a saudade. Essa sensação é um misto de falta, perda e impotência.

Creio não haver homenagem melhor à memória dela que me esforçar por passar um Natal feliz, haja vista que ela era uma pessoa muito alegre e forte. E nem de longe confundo saudade com tristeza, pois geralmente quando penso nela sorrio. E acredito não poder retribuir de forma melhor a tudo que ela representou para mim, que reagir à sua lembrança com um simples sorriso. Ela adorava me ver sorrindo.

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Um dado interessante: Minha avó, dias antes da sua morte, parecia estar com suas faculdades mentais abaladas, pois em conversa com uma vizinha e amiga que a estava visitando disse que estava vendo um cachorro deitado sob o portal. Minha mãe, que como eu disse anteriormente trabalha em um andar de pacientes terminais, relata que os mesmos, quando estão prestes a morrer, costumam tocar a campainha chamando a equipe de enfermagem para “retirar o cachorro” de perto deles. Às vezes vêem outro animal, mas geralmente é um cão. Entre a equipe isso já se transformou em uma espécie de sinal de que aquele indivíduo está próximo do fim.

"This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?"


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lendo Cérebros

AAAHHHHH!!!!

Amo muito tudo isso!

"Os turistas japoneses são famosos por andar pelo mundo com suas câmeras fotográficas em riste, sempre prontos a tirar uma foto para registrar o que tiveram a chance de ver com os próprios olhos. Mas uma nova pesquisa, realizada por lá mesmo, promete tornar o aparelho inútil. Um grupo de pesquisadores conseguiu extrair imagens da visão de uma pessoa diretamente do cérebro.

Parece ficção científica, mas é a mais pura verdade. O feito, obtido pelo grupo de Yukiyasu Kamitani, dos Laboratórios de Neurociência Computacional da ATR, em Kyoto, foi reportado na última edição da revista científica "Neuron".

E o melhor de tudo: para "ler" as imagens que o indivíduo estava enxergando, os cientistas não precisaram fazer nada agressivo, como plugar eletrodos diretamente no cérebro ou algo do tipo. Os resultados foram obtidos graças às técnicas de imageamento cerebral. Eles usaram a famosa ressonância magnética funcional -- procedimento que permite observar que áreas do cérebro se ativam a cada momento -- para extrair as informações."
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL921081-5603,00.html


Pertenço ao grupo de pessoas que respondem pela alcunha de "visionários". Gente como eu não pensa em termos de palavras e nem linearmente, pensamos em forma de imagens. Mesmo quando o assunto é abstrato, o que tenho em mente geralmente é um quadro final dado por uma imagem, e preciso de tempo para decompor o quadro final em partes e dessa forma conseguir explicar o que vi/penso. É como se eu visse apenas o todo e passasse por cima dos detalhes, das partes, mas detalhes nem sempre são irrelevantes.

Não é muito cômodo pertencer a este grupo, uma vez que é muito difícil para um não-visionário compreender este tipo de mente, e não-visionários são maioria. Embora meus textos deste blog não sejam nenhum prodígio intelectual, me exigem um esforço que chega a me deixar febril de vez em quando, pois antes de escrever eu já visualizei o quadro todo, o texto já "cai" pronto na minha cabeça, só que a tarefa de mastigá-lo, dividi-lo, arrumá-lo com alguma lógica ,cronológica que seja, para mim é enorme. Considero tudo que escrevo como "sagrado", porque sei o quanto de trabalho tive de empreender para transformar uma imagem em letras, em texto inteligível. É como se sempre tivesse um filme ou um desenho animado mudos rodando dentro da minha cabeça.

Desenvolvi certa obsessão pelo significado puro das palavras por conta disso. Preciso, desesperadamente, usar as palavras certas para poder comunicar a imagem com maior fidelidade possível, e na maior parte das vezes, ao reler o que escrevo, ainda acho que o fiz mal. Já comecei a escrever e parei no meio do caminho sei lá quantos livros, porque eles já estão todos na minha cabeça prontos, tão prontos que o trabalho de vomitá-los me parece... Idiota. Já parei de discutir achando ter razão, pela preguiça que dá explicar coisas que para mim parecem claras demais porque eu já as vi inteiras e ter de explicar os detalhes , enumerá-los, catalogá-los, enquadrá-los, rotulá-los é para mim fastidioso ao ponto de me fazer desistir da discussão. Nessas horas tenho vontade de falar apenas uma palavra, algo ridículo como plunc, frop ou lumbs, para descrever a imagem mental que tenho, para dar um nome ao símbolo, e simplesmente dar as costas e sair, deixando para trás uma interrogação óbvia. Mas como isso vai dar a impressão de que a idiota sou eu... Acabo me calando mesmo.

Ao conseguir captar imagens mentais e trazê-las para a visualização de terceiros, imagino que boa parte do problema dos visionários estará resolvido. No dia em que a técnica estiver mais apurada e conseguir traduzir não apenas aquilo que é visto pelos olhos, mas também o que for visualizado pela mente, juro (no auge da minha megalomania peculiar de ascendente leonino) que ponho minha cabeça em rede internacional, hehehehehehehe!


sábado, 13 de dezembro de 2008

Minutos de Sabedoria

Por Mestre Pedroca

"O valor do teu cordão varia de acordo com o nível da tua insegurança."



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Minutos de Sabedoria



Por Mestre Pedroca:


"Para sustentar uma auréola santa são necessários três chifres de suporte."



quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Lealdade Canina

Lealdade
s. f.,
qualidade de leal;
fidelidade;
sinceridade;
acção leal.
Antôn: hipocrisia.

Bonito isso. Lealdade. Estive ruminando sobre o tema depois que reli esses dias o seguinte trecho de "Deuses, Túmulos e Sábios", livro clássico sobre arqueologia:

"Diante do portão de Herculano foram encontrados corpos ao lado de corpos, carregados ainda com os utensílios domésticos que se haviam tornado excessivamente pesados. Num aposento soterrado descobriram-se os esqueletos de uma senhora e de um cão. Uma observação mais cuidadosa revelou uma coisa horripilante. Ao passo que o esqueleto do cão conservava a forma, os ossos da mulher estavam espalhados por todos os recantos do aposento. Espalhados por quê? Teriam sido arrastados? Arrastados pelo cão, no qual o desespero da fome fizera renascer a natureza do lobo e, vivendo talvez um dia mais, atacara a própria dona, devorando-a."
Deuses, Túmulos e Sábios - C. W. Ceram


Esta passagem trata da descrição da descoberta da então soterrada Herculano e da tentativa de remontar o cenário de vida e costumes dos povos que habitavam esta cidade antes da erupção do Vesúvio.

Impossível não correlacionar o conceito de lealdade com cães, uma vez que eles são inúmeras vezes citados como sendo os melhores amigos do Homem. É, talvez até sejam. Até a página dois.

Lealdade é um daqueles típicos conceitos abstratos que só existem mesmo no terreno da utopia, uma vez que Ananke faz esta idéia sucumbir perante seus caprichos, e a transforma exatamente em seu antônimo - hipocrisia. Ananke é a deusa da Necessidade e, obviamente, não creio na existência real da mesma. Mas o fato é que, em última instância, mesmo os mais leais caem frente a Necessidade.

O cão caiu pela fome, as pessoas também caem por ela, mas fomes humanas não são apenas aquelas que advêm da falta de comida. E os famintos são capazes de estraçalhar até seus senhores a fim de saciar suas necessidades.


Existem dois tipos de famintos: os agudos e os crônicos. Os agudos são mais fáceis de lidar. Embora sejam mais violentos na expressão de suas vontades, se contentam e regozijam uma vez que a "comida" lhes é oferecida. Serão gratos e nunca esquecerão daquele que lhes forneceu alimento na hora do desespero.

Mas os crônicos... Ao deparar com um deles, empreender uma boa rota de fuga é o melhor conselho que posso dar. Nunca estarão satisfeitos, são capazes de sugar completamente as energias de quem tenta lhes suprir a satisfação desejada, e nem assim os esforços de quem buscou lhes fornecer o contentamento serão levados em conta. O faminto crônico avaliará tais tentativas como medíocres e sempre vai exigir mais, até levar tudo o que quem arriscou lhes ajudar tiver, gerando assim outro faminto, que se não estiver atento pode passar da condição de agudo à de crônico. E em vão, uma vez que o faminto crônico, acostumado que está a viver nessa condição e a lidar com seu apetite desmesurado diariamente, se funde com ele de tal forma que se tornam Um , e o esfomeado tem até medo de livrar-se disso, uma vez que a fome já faz parte de suas fundações mais profundas e, na ausência dela, ele não seria mais capaz sequer de se reconhecer.

"- Tinha desejado durante toda a minha vida que admirásseis minha resistência à fome - disse o jejuador.
- E a admiramos - retrucou-lhe o inspetor.
- Mas não devíeis admirá-la - disse o jejuador.
- Bem, pois então não a admiraremos - retrucou o inspetor -; mas por que não devemos admirar-te?
- Porque sou forçado a jejuar, não posso evitá-lo - disse o jejuador.
- Isso já se vê - disse o inspetor - , mas por que não podes evitá-lo?
- Porque - disse o artista da fome levantando um pouco a cabeça e falando na própria orelha do inspetor para que suas palavras não se perdessem, com lábios alargados como se fosse dar um beijo - , porque não pude encontrar comida que me agradasse."
Um Artista da Fome - Franz Kafka

Nunca confie em um faminto crônico. É só questão de tempo até ele resolver morder a sua mão.

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Comida

Titãs

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mistérios da Meia-Noite


Eu não sei por quê essas coisas acontecem comigo com mais freqüência que com outras pessoas, mas não posso negar os fatos. As vezes acho até que sou meio tam-tam e imagino coisas demais, e a assunção da loucura seria até mais confortável, pois significaria um chão seguro para pisar, afinal a certeza, seja ela qual for, é menos pior que a tortura da dúvida. Mas nem sequer isso eu posso fazer, uma vez que terceiros as vezes compartilham das mesmas experiências que eu, e apostar em ilusão coletiva já ultrapassa um pouco o senso de realidade, e isso sim seria loucura, a loucura do ceticismo.

Vou contar um “causo” que aconteceu comigo há bastante tempo, 12 anos atrás (nossa, como estou velha!). Eu tinha 18 anos nessa época, e estava namorando um rapaz há pouco mais de três meses. Decidimos ir a uma boite certa noite, na Barra da Tijuca. Lá permanecemos por umas três horas. Nada bebemos nesta noite. E aí, sabe como é... Casal que começou a namorar recentemente, cheio de fogo, eu adolescente, ele com 21, e portanto... Sem lugar para dar umazinha sossegados. Os dois com o orçamento em baixa, sem grana pro motel. Então, na volta para casa, pelo caminho do Alto da Boa Vista, ele seguiu a estrada das Paineiras. Devia ser por volta de 02h30min – 3:00h. Hoje em dia fazer isso é pedir para ser assaltado, mas na época era mais tranqüilo. Paramos o carro em um mirante, cuja localização é razoavelmente afastada da encosta da montanha coberta de floresta. Saímos do carro.

(...) (...) (...)

Em dado momento, ele falou para mim: “Que porra é essa?!?!?!”
Ele apontava para o chão, logo atrás de mim. Me virei para ver do que se tratava e vi um ponto iluminado no chão. Uma círculo, pequeno, que não deveria exceder dez centímetros de raio. Apreensiva, automaticamente pensei se tratar da luz de uma lanterna. Entretanto, vamos à algumas considerações:

1- Se fosse de fato uma lanterna, quem a estava empunhando deveria estar bem distante de nós, pois o local estava completamente deserto. Sendo que, o foco da luz tende a ficar cada vez mais aberto quanto mais longe está a fonte da luz. Se acendermos uma lanterna e aproximarmos a mesma de um ponto qualquer, um muro, por exemplo, o diâmetro da circunferência do ponto de luz que ela emitirá será bem menor que se focarmos a mesma lanterna no mesmo muro estando a um metro de distância do mesmo.

2- Quanto mais distante a fonte da luz estiver do ponto a ser iluminado, mais desfocada ela será e menor intensidade ela terá. Essa luz era forte, iluminava bem os pontos pelos quais passava (é, pra completar o troço ainda se movia).

3- Lanternas deixam entrever o feixe de luz. Então dá para enxergar a fonte da luz acompanhando o feixe, dá para saber de onde a luz vem. Não tinha feixe nenhum.

4- Paramos para observar a mata, em silêncio absoluto, procurando alguma luz, movimento ou ruído que viesse da mesma. Nada. A fonte da luz também não poderia estar vindo de cima, pois como expliquei no início do post, paramos o carro em local afastado da mata, um mirante. Este lugar é um pequeno platô, com nada diretamente acima, a não ser o céu. Se a luz estivesse vindo da mata, estaria vindo do lado direito de quem está subindo a estrada, e conseguiríamos localizar a fonte.

Tudo isso nos ocorreu simultaneamente, em fração de segundo. Ficamos aterrorizados. Corremos para dentro do carro. Trocamos impressões sobre a “Teoria da Lanterna”, até que chegamos à conclusão de que esta teoria não se sustentava por falta de “base técnica” – a verdade é que ambos já haviam individualmente desvalidado a “Teoria da Lanterna”. Mas acho que um apostava esperançosamente que o outro teria achado alguma pista mais racional para explicar a coisa.

Cagando nas calças, mas obstinados, saímos do carro novamente para continuar a investigação. Foi aí que “a coisa” começou a dar voltas à nossa volta, com certa rapidez. Não nos “tocava”, mas passava rente aos nossos pés. Aí, já era, entregamos os pontos, voltamos para dentro do carro e arrancamos, eu com os pelinhos da orelha arrepiados até.

Não sei como não sofremos um acidente, de tão rápido que descemos a estrada. Mudos, confusos e... Broxas.

Não sei do que se tratava, e nem ouso supor qualquer coisa, nem para mim mesma, tamanha estranheza do fato. Só me resta mesmo cantar aquela música do Zé Ramalho...

“Mistérios da Meia-Noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi...”


Nada existe de mais desconcertante que o Desconhecido.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Saudosismo, A Escova De Dentes E O Consumismo

"Troque sua escova dental a cada três meses". Essa é a recomendação dos dentistas, e antigamente eu até conseguia segui-la. Entretanto de uns tempos para cá, isso se tornou completamente inviável. Das duas uma: Ou eu passei a ter mão-de-chumbo e escovo os dentes com o mesmo vigor com o qual se esfrega um mármore, ou a qualidade das escovas caiu consideravelmente. E olha que só uso aquela marca "recomendada pelos dentistas"... E seja de que marca for, elas só têm durado no máximo um mês.

Lembrei da minha infância, na casa da minha avó. Tudo na minha casa era velho. Muuuuito velho. E ela não nos deixava trocar nada por coisas mais novas - pudera, que mais esperar de uma capricorniana? Eu odiava isso, morria de vergonha quando era obrigada a convidar alguém à ir na minha casa, e só o fazia se fosse por imposição mesmo, como nas reuniões de pesquisas escolares em grupo. No dia seguinte, todo mundo estava comentando que eu vivia num museu, e era sempre assim...

Acho que até 1995 ainda tínhamos TV em console de madeira, sem controle remoto, óbvio. Ela era gigante, um trambolhão. Mas a imagem era ótima, e tela daquele tamanho só depois que a era das TVs de 29 polegadas surgiu. Nunca dava problemas e só quebrou porque um de nossos gatos fez o favor de urinar nela.

O sofá era de seis lugares, coisa que nunca mais vi, nem em revista de decoração. Madeira de lei, e embora a parte exterior do estofamento estivesse desgastada, a espuma não havia perdido nem a maciez, nem esfarelado. Mas o "design" era de doer os olhos. Era feio DEMAIS.

Nosso liquidificador devia pesar uns cinco quilos. O pedestal era de ferro, e quando ligado, acho que dois quarteirões ficavam sabendo que nós o estávamos usando, dado o barulho ensurdecedor que fazia. Suplicávamos em casa pela troca, e minha avó respondia às nossas reclamações sempre com a mesma frase: "Ele tem motor alemão, vocês sabem o que isso significa?!".

O aparelho de som era daqueles revestidos de metal, com toca-fitas e toca-discos de agulha. Nunca nos deu problemas, só precisávamos trocar a agulha da vitrola vez por outra.

Ah, meu Deus... E o telefone... Dava para fazer musculação com o fone, de tanto que pesava. Tinha que apoiar o cotovelo em algum canto se quisesse conversar por mais de dez minutos e não ter cãibras.

Nos desvencilhamos dessa velharia toda aos poucos (bem depois de todo mundo), para minha felicidade. Mas o fato, só comprovado depois de um tempo (pouco tempo), é que todas essas coisas antigas eram realmente muito feias, pesadas, ocupavam grande espaço mas... funcionavam! E funcionavam bem, sem necessidade de grandes consertos, realizávamos apenas a troca de algumas peças mais delicadas já desgastadas pelo uso. Mas a chegada da era do plástico trouxe baixos preços e qualidade incomparável àquela de outrora. Incomparavelmente pior. Tudo quebra a toa.

Tive o mesmo walkman durante tanto tempo que o nome do fabricante já havia se apagado do mesmo quando decidi trocá-lo por um discman. Esse deve ter ficado comigo por uns dois anos, até dar mostras de seu desgaste. Hoje, depois que migrei para os MP3 da vida, noto que os mesmos possuem vida útil de no máximo um ano. E qual a consequência disto? Somos empurrados para o consumo, e o resultado do consumo aumentado é lixo. Muito lixo.

Nem sempre é a extravagância que leva o consumidor às compras. A falta de qualidade dos bens que nos são oferecidos acaba conduzindo todos à isso, pois a produção em massa segue o critério do "nas coxas". Outro dia fui comprar um tênis, coisa que só faço quando o antigo já está praticamente se desmanchando porque adoro tênis velho, já amaciado. Desisti da compra, porque fiquei horrorizada com a qualidade dos produtos disponíveis à venda. Mesmo as "marcas dos campeões", aquelas, patrocinadoras de atletas, não estavam correspondendo às minhas expectativas, e como minha atividade física é intensa, se deixo de me preocupar com a qualidade e me atenho somente à imagem, sei que isso é garantia de ter que desembolsar dinheiro de novo para adquirir o mesmo produto em um prazo máximo de 6-8 meses.

A moderna consciência ambiental coloca em xeque a questão do consumismo, e a nova ordem mundial impõe a diminuição do mesmo como exigência para que o Homem não atulhe o planeta com seus dejetos, mas como agir quando somente a boa intenção, não só no pensar mas também no agir, não é o bastante para conseguir frear o consumo, uma vez que a tecnologia que nos é vendida é descartável?

Tá certo que realmente existe uma certa "embriaguez de sucesso" entre os consumidores de tecnolixo. Tem aquele povo que troca de celular a cada vez que aparece um novo no mercado, e quanto mais itens o mesmo agregar maior o deslumbre. TV, máquina fotográfica, rádio, MP3, GPS... tudo no celular. Legal, muita praticidade! Só que a maioria das pessoas que conheço e que possui aparelhos com tudo isso, só usa mesmo... o telefone! Nem pensam se vão precisar destas coisas, só querem mesmo é estar na crista da onda. Pagam uma fortuna por coisas que daí a seis meses já estarão obsoletas e custando menos da metade do valor pago, e aí é hora de outra compra...

(Coisa que detesto é revelação de foto digital. Fica horrível. Os grãos fotoquímicos das películas fotográficas davam às fotos aparência bem melhor por serem irregulares em tamanho e forma. Pixels, com ângulos definidos, distribuídos geometricamente, deixam as imagens meio... sei lá... "quadradas" demais. Ângulos suaves ficam distorcidos.)

Mas mesmo quando saímos do Clube dos Imbecis e tentamos racionalizar consumo e gastos, fica difícil quando a maioria das coisas que consumimos é feita já com prazo de validade determinado para expirar o mais rápido possível pelos fabricantes, que lucram muito com a péssima qualidade do que vendem, pois podem vender novamente daí a pouco tempo. A acessibilidade ao conforto é maior por conta do baixo custo, mas até isso depõe contra o meio ambiente, pois significa que mais gente irá gerar mais lixo.

Vou tentando me virar com o que tenho, mesmo sabendo que sou completamente displicente com coisas materiais e não cuido muito delas... Mas uso tudo até que não haja outra saída, senão a troca. E o que fica é a saudade dos tempos em que os liquidificadores de motor alemão eram feitos para durar a vida toda...


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Só Para Exercitar


Uma das primeiras perguntas que faço à alguém novo que conheço é a data, hora e local de seu nascimento. Sou completamente fã de astrologia, desde que resolvi fazer meu mapa. Antes não acreditava muito nisso, e achava tudo uma bobagem - aqueles horóscopos de jornal na verdade prestam um desserviço à astrologia, porque não dão certo para ninguém. Mas mesmo não acreditando muito, toda mulher é meio bruxa, pois tem um contato facilitado com o inconsciente, dada sua proximidade maior com o mundo irracional e instintivo, pois nosso humor e consequentemente nossa psiquê é bem mais influenciada por fatores alheios à nossa vontade que o universo masculino (todo mês sofremos a ação dos hormônios, aff!), e isso acaba por nos deixar mais à vontade em ambientes e assuntos sobre os quais não temos controle absoluto. Então, certa vez encomendei um mapa de personalidade completo e o que veio parar nas minhas mãos foi praticamente um retrato meu.

Faço meus estudos independentes, e tenho até um blog para tratar exclusivamente disso. Ele anda parado porque sei que ainda não tenho competência técnica no assunto para escrever textos de minha autoria, então, é ocupar espaço na rede inutilmente ficar fazendo Control C - Control V de coisas que já estão na própria net.

Nestes estudos, entrei em contato com coisas intrigantes... Urano, Netuno e Plutão só foram descobertos há pouco tempo - se formos contar que a astrologia é milenar. Um dos argumentos mais usados por quem duvida do sistema é exatamente esse: Consideram-no falho pois tecnicamente não havia ciência da existência dos planetas mais longínquos e o sistema solar só era conhecido até Saturno. Mas o interessante é que desde a antiguidade, já existiam os mitos que delineavam a "personalidade" de tais planetas, e ao que parece, eles já eram conhecidos dos astrólogos antigos. Como, eu não sei. Outro fato curioso é que no mito de Prometeu, que responde arquetipicamente por Aquário, uma águia bicava-lhe o fígado diariamente, sendo que durante a noite o órgão se reconstruía. Como sabiam que o fígado é um órgão que se regenera, eu também não sei. Júpiter/Zeus é o Deus dos relâmpagos na mitologia e coincidentemente este é um dos planetas com maior atividade de tempestades em sua atmosfera, e embora a existência de raios não seja exclusividade do mesmo, a magnitude destes raios é tal que suas tempestades podem ser detectadas da Terra, através de modernos equipamentos. A sua Grande Mancha Vermelha é uma tempestade que já conta por volta de trezentos anos de existência. De que maneira correlacionaram uma entidade hipotética (o Deus Júpiter) com uma característica intrínseca deste planeta com tamanha semelhança entre seus atributos, numa época em que radiotelescópios não existiam, eu não sei. Como atribuíram às constelações personalidades que quando lidas num mapa através das posições dos planetas que as cruzam, empiricamente demonstram resultados comprováveis, eu não faço a menor idéia.

Sei que o sistema funciona, entretanto, não sei como isso se dá. Procurei por informações à respeito, e não encontrei teoria alguma que dê uma base científica para o que é comprovado na prática. Acho que ninguém faz a menor idéia dos motivos que levam a Lua a responder pela parte emocional, Marte pelo impulso da ação, Saturno pelos limites, Júpiter pela expansão, etc. Sabemos que é assim e ponto. E talvez seja esse o motivo do sistema ser considerado uma pseudo-ciência.

Como tenho um gosto especial por construir teorias, só para exercitar, fiquei tentando reunir as informações de que disponho, de modo a ordenar algum tipo de explicação, ainda que a mesma esteja completamente distante da realidade. Gosto do exercício, e, contanto que eu tenha o cuidado de não acreditar cegamente no seu resultado, não vejo problemas nisso. Pensei então no seguinte:

- Hoje sabe-se que as radiações solares exercem influência sobre nós. Equipamentos elétricos podem ser danificados por conta de pulsos eletromagnéticos solares, e se pensarmos que em última instância tudo é energia, e nosso sistema nervoso funciona também através de pulsos elétricos, se extrapolarmos a afirmação (verídica, vide o que aconteceu em Quebec em 1989) de que a transmissão elétrica em equipamentos é influenciada pelo Sol, para a vida humana, temos como resultado teórico que o Sol pode igualmente influenciar os humores humanos (já que também em última instância, nosso humor é regulado por influxos de átomos eletricamente carregados em determinadas regiões do cérebro, e que o bloqueio ou estimulação do fluxo provoca diferenças comportamentais, emocionais, etc.).

Essa é a premissa básica, e se ela estiver errada, toda a teoria restante também estará, pois se fundamenta na idéia disposta acima. Considerando que ela esteja certa, dou o passo seguinte:

- Os planetas não possuem luz própria, apenas refletem a luz proveniente das estrelas mais próximas. Eles atuam como espelhinhos, onde a luz bate e volta, e é isto que os faz visíveis (dãããã, acho que podia ter omitido isso...). Mas se tomarmos como exemplo nosso satélite, a Lua, percebemos que mesmo que a luz não seja dela, ela é capaz de "iluminar" nossa noite, pois a luz solar rebatida nela chega até nós com certa força até. Obviamente, essa luz nos chega já "distorcida". Além de não ser proveniente da fonte, características intrínsecas ao solo da lua influenciam na tonalidade e força com que ela banha a Terra, não sendo apenas a distância deste corpo em relação à Terra o que influencia na qualidade dessa luz que nos chega. Se sua superfície fosse composta por substâncias que fizessem seu solo imaculadamente branco, a luz rebatida nos chegaria com maior potência (ela não é exatamente branca, é de um matiz mais acinzentado, como a cor gelo). Se sua superfície fosse composta por substâncias que fizessem seu solo vermelho, provavelmente a luz rebatida teria nuances desta tonalidade, à exemplo de Marte.

- Imagino então o sistema solar como um móbile de espelhinhos coloridos, com uma fonte luminosa ao centro, que quando acesa, resulta em luzes de diferentes tonalidades sendo rebatidas de encontro ao espaço vazio e consequentemente, chocando-se entre si, iluminando também umas as outras com seus reflexos multicoloridos.

- Considerando que os espectros luminosos diferentes possuem características energéticas próprias, já que a luz se propaga através de ondas e diferentes cores revelam diferenças na propriedade de tais ondas (comprimento), penso se a ação dos planetas na personalidade dos indivíduos não é resultado da radiação que eles emanam, graças à decomposição da luz original em espectros diferentes, que por sua vez diferem por conta da composição predominante na superfície destes planetas, o que lhes dá tonalidades diferentes, portanto responsáveis pelas diferenças nas cores das luzes que são rebatidas.

Maior viagem... Estou ciente disso. Fora que meus conhecimentos específicos em física não podem ser taxados de extensos, muito pelo contrário. Só engatinho na área, e graças à caridade dos Hawkins da vida, que tentam levar seu conhecimento à massa da forma mais simples possível, então, o meu risco de beirar o ridículo é grande. É bem provável que nem tão cedo a questão do funcionamento do sistema seja elucidada, até porque nenhum cientista que preze pelo seu nome na comunidade científica ousará misturar estas estações, pois todo aquele que tenta correlacionar o que é considerado misticismo (já dizia McKenna: a magia para alguns é ciência para outros) com algo mais concreto é taxado de lunático... Mesmo não acreditando de todo na idéia apresentada, fico com ela, pois pelo menos por enquanto, ou até adquirir mais conhecimentos específicos, ela me parece guardar uma lógica bastante plausível, de acordo com os elementos considerados para formular a hipótese.

E talvez não seja só por força de expressão que o momento do parto também é chamado de "dar à luz". Utilizando da regra de verificação para crase, a frase não significa dar luz para alguém, mas sim dar alguém para a luz.

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Servir

No começo reinavam virtuosos príncipes,
Consagrando campos, cereais e arado,
E o direito era seu de ofertar sacrifícios
E indicar a medida, na estirpe dos mortais

Sedentos do domínio justo do Invisível,
Que mantém o Sol e a Luz em equilíbrio,
E cujos vultos de radiância eterna,
Não conhecem a dor nem o mundo mortal.
Há muito a fila sagrada dos filhos de Deus
Esvaiu-se, e a humanidade ficou só,
No oscilar do prazer e da dor, longe do ser,
Um devir eterno, sem medida e sagração.

Jamais, porém, morreu o vero sentido da vida,
E a nós coube a missão de conservar, na decadência,
Pelo jogo dos símbolos, pela imagem e o canto,
A exortação do sagrado respeito.

Talvez a escuridão desapareça um dia,
Talvez um dia os tempos se transformem,
E o Sol nos regerá de novo como um Deus,
De nossas mãos aceitando oferendas.


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O Jogo de Avelórios

Música do cosmo, música dos mestres,
Estamos prontos a ouvir com respeito,
A conjurar para uma casta festa
Venerandos espíritos de abençoados tempos.

Deixamo-nos elevar pelo mistério
Daquelas magas fórmulas,
Em cujo encanto a imensidão ilimitada,
Tempestuosa, a vida,
Fluiu em claros símbolos.

Como constelações eles vibram, cristalinos,
Nossa vida foi posta a seu serviço,
E ninguém pode de seus círculos tombar,
A não ser para o centro sagrado.

Herman Hesse - O Jogo das Contas de Vidro.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Caos, Reconstrução, Transmutação, Metamorfose.


O título da postagem corresponde à minha definição de interesses, contida no meu perfil deste blog. Essas palavras ali estão, porque são uma boa definição do que eu vivo, e, por isso é que me despertam interesse. Peixes, Sagitário, Gêmeos e Virgem são os signos mutáveis, e tenho vários planetas posicionados nos três primeiros. Dos nove astros considerados mais importantes num mapa, tenho seis deles caindo nos mesmos. Resultado: Quem eu sou hoje nada tem de semelhança com quem eu fui há poucos meses atrás e provavelmente também será diferente do que eu for amanhã. Caos, Reconstrução, Transmutação e Metamorfose sempre fizeram parte da minha vida, e, provavelmente, nunca deixarão de fazer, embora eu admita que os períodos compreendidos pela fase "Caos" sejam tensos... Mas as épocas de Reconstrução sempre me aguçam a curiosidade, que me faz beber em outras fontes inspiradoras e interessantes e que por sua vez induzem à Transmutação&Metamorfose. Já perdi as contas de quantas vezes "morri"...

Hoje acordei de um sonho bom. Me levantei da cama inspirada, feliz mesmo, assim, daquelas felicidades à toa. Fui regar as plantas antes de sair para o trabalho, e um daqueles instantes contemplativos aconteceu. Escrevi no post abaixo um pequeno texto de Huxley que expressa bem a minha sensação naquele momento, então, não há necessidade de explicações extras para tal. Quando voltei do trabalho, percebi que meu amigo me havia deixado o seguinte comentário neste mesmo post, e isto me fez refletir bastante:
"Esses breves momentos, fazem bem a quem os tem.
Gostei!"
Embora Huxley tenha escrito a descrição do momento magistralmente, nem ele e nem eu conseguiremos explicar através de palavras o que sentimos nessas horas. Na verdade, eu sempre soube disso, pois antes de viver tal experiência, eu não conseguia compreender significativamente do que se tratava, ainda que lesse uma enciclopédia inteira à respeito do assunto. Só o sabe quem sentiu.

Isto é algo tão rico, tão intenso, tão sublime que sempre acreditei que todas as pessoas deveriam viver isso também. Mas como fazer isso?

Então a idéia dos enteógenos me ocorreu. A verdade é que este tipo de sensação volta e meia me arrebatava, mas com duração de uns poucos segundos e a experiência era sempre espontânea, por mais que me esforçasse, não achava o gatilho para detoná-la. Quando experimentei enteógenos pela segunda vez, consegui prolongá-la por horas e descobri aí um start, que julguei ser seguro para todos.

Comecei aí minha "catequese", levada por dois motivos. Um deles altruísta, porque assim como eu me transformei em alguém mais feliz after mushrooms, acabei concluindo que todos que os experimentassem também o seriam. Havia tido a sensação mais intensa, mais plena, que me traduziu a maior felicidade da minha vida, estava serena, me sentia cheia de amor e queria dividir isso com o mundo, até porque também acreditava que isso poderia fazer um mundo melhor, porque pelo menos no meu caso, a compaixão é proporcional à minha sensação de felicidade. Se eu estiver infeliz, não consigo ajudar ninguém, mas quando estou bem, sinto enorme prazer em dividir o que estou sentindo. Mas, para meu desgosto egocêntrico, o mundo não é um espelho - geralmente as pessoas são latifundiárias com relação à própria felicidade mas rapidamente se transformam em defensoras da reforma agrária quando estão infelizes... O outro motivo era egoísta: Estava cansada de tentar explicar o que tinha vivido e ninguém mais próximo no meu círculo de amizades entender, só encontrando meus irmãos-de-sensação na literatura. Isso me levava a sofrer de "solidão transcendental"...

Virei uma espécie de Tim Leary tupiniquim, discursava, explicava, incentivava - com um fanatismo confesso - o contato com os Psilocybes, que se transformaram em um tipo de religião para mim, tamanho o fervor com o qual eu partia em defesa de seu consumo. Tudo ia bem, até o carro começar a sair dos trilhos.

O entendimento obtido por mim através do uso dessa ferramenta, me empurrou rumo à uma filosofia de vida um tanto quanto hippie. Sentia que o sistema aprisionava as pessoas, que não as deixava desenvolver habilmente suas potencialidades, que todos deveriam ter direito a vidas mais dignas com menos trabalho para que pudessem ter tempo livre para refletir acerca de si mesmos, e portanto, sentia também que a cobiça por acúmulos financeiros egoístas era um grande inimigo em potencial, afinal uma das premissas básicas era o "tudo é de todos". Sentia que o amor como o vemos hoje nada mais é que um contrato de posse sem sentido algum e que o amor em sua forma mais elevada deveria ser livre, desprovido de cobranças e rancores. Sentia que para ser coerente com a nova visão, deveria ter uma alimentação cruelty free, e não matava nem baratas (na verdade já era vegetariana há dois meses quando a experiência ocorreu, mas não com tanto entusiasmo). Tudo muito bonito. Na minha imaginação e no papel.

Bem, minha mudança filosófica me levou ao encontro de novas pessoas, e procurava por aquelas que me pareciam compartilhar do mesmo entendimento e que em sua maioria eram também usuárias de enteógenos. Como numa nova paixão tudo são flores - pois a paixão nada mais é que uma ilusão de cores berrantes e ofuscantes - me senti em família quando achei que as tinha descoberto. Mas como só o tempo é o senhor da razão, ao olhar mais de perto para o castelo, vi que este fôra construído sobre um pântano.

Por mais que a filosofia que eu havia adotado fosse realmente de coração, cheia das melhores intenções, ela tem um lado negativo que eu não estava conseguindo enxergar, e isso só aconteceu quando fui verificar como a coisa era posta em prática, fora do campo idealístico. Ao considerar o sistema algo aprisionante e ser contra o abastado egoísta, algumas pessoas acabam por distorcer essa premissa como uma licença para o desenvolvimento de atividades ilícitas que as sustentem sem que precisem se esforçar para obter isso. Para ser mais clara, alguns passam a considerar o roubo prática normal, já que "tudo é de todos" e portanto não há propriedade privada que mereça respeito. A idéia do amor livre se transforma em desculpa hipócrita para a libertinagem vulgar, e desprovida de qualquer amor real. A ideologia da alimentação cruelty free torna em inimigos todos aqueles que não são adeptos dela, e deixa de ser uma doutrina de amor para se transformar em uma pregação contínua - e sem culpas - de ódio e intolerância.

Comecei a me sentir membro da família Mason, prestes a iniciar o Helter Skelter! Esse mal estar me levou de encontro à repugnância.

Como disse meu amigo no comentário que me deixou, esses breves momentos fazem bem a quem os tem. Eu estava redondamente enganada quanto ao fato de que todas as pessoas teriam a mesma sensação que eu tive após o meu uso da ferramenta. Existem alguns que simplesmente não vislumbrarão o êxtase transcendente desta forma (quem sabe nem dessa e nem de outra maneira, ou talvez exista um gatilho diferente para cada um, vai saber?), e que possivelmente ainda usarão a ferramenta de forma negativa, manchando o nome não só da substância em si, como da filosofia para a qual ela pareceu automaticamente me empurrar. Leary, Huxley e Hoffman chegaram a discutir sobre o fato, sendo Leary o único a defender a distribuição maciça de enteógenos, enquanto os outros dois sempre pareceram mostrar reservas quanto à essa prática, pois acreditavam que os benefícios não se estenderiam à todos. Huxley, sempre profeta, deve ter vislumbrado as distorções da idéia-tema que estavam por vir quando esta se pulverizasse no meio daqueles que não tinham chegado realmente à transcendência, mas ficado apenas às suas margens.

Não deixei, e provavelmente nunca irei deixar de sonhar com um mundo melhor, já que isso faz parte de mim arquetipicamente ("Não sou nada./Nunca serei nada./Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."), mas a cada dia que passa, percebo que a única coisa que posso fazer realmente pelo mundo não está lá fora... Nunca acreditei na caridade paternalista, pois creio ser ela um paliativo que além de não resolver o problema, em vários momentos ainda o estimula. Creio em educação, mas não da maneira como ela é feita hoje tanto pelos pais quanto pelas instituições. Nos atuais moldes mais parece um adestramento que uma ferramenta de desenvolvimento da consciência. E qualquer adestrado sonha com o momento da fuga das garras de seu Senhor... Religiões, seitas, crenças e ideologias de massa empurram as pessoas rumo à intolerância em relação aos que não partilham das mesmas. E na verdade, se eu encontro um indivíduo hipotético qualquer, sentado no banco da praça, consigo imaginar um milhão de maneiras de lhe fazer mal... Posso xingar, cuspir, bater nele, tentar matá-lo... Mas não terei certeza do que poderia lhe fazer para o seu bem, porque fazer o bem é incomparavelmente mais difícil que fazer o mal. E talvez, se eu inclusive fosse o gênio da lâmpada e me apresentasse para este indivíduo imaginário disposta a lhe conceder um único desejo, ele não soubesse o que pedir... Então, pelo menos por enquanto, ou até minha próxima "morte", a única coisa que posso me esforçar para melhorar realmente é a mim mesma, pois se a Humanidade, se vista de certa distância, pode ser considerada como um gigantesco organismo, cada um que melhorar a si mesmo já faz um bem ao Todo.

E creio já ser um ótimo começo.

"Estava eu sentado, perto do mar, a ouvir com pouca atenção um amigo meu que falava arrebatadamente de um assunto qualquer, que me era apenas fastidioso. Sem ter consciência disso, pus-me a olhar para uma pequena quantidade de areia que entretanto apanhara com a mão; de súbito vi a beleza requintada de cada um daqueles pequenos grãos; apercebia-me de que cada pequena partícula, em vez de ser desinteressante, era feito de acordo com um padrão geométrico perfeito, com ângulos bem definidos, cada um deles dardejando uma luz intensa; cada um daqueles pequenos cristais tinha o brilho de um arco-íris… Os raios atravessavam-se uns aos outros, constituindo pequenos padrões, duma beleza tal que me deixava sem respiração… Foi então que, subitamente, a minha consciência como que se iluminou por dentro e percebi, duma forma viva, que todo o universo é feito de partículas de material, partículas que por mais desinteressantes ou desprovidas de vida que possam parecer, nunca deixam de estar carregadas daquela beleza intensa e vital. Durante um segundo ou dois, o mundo pareceu-me uma chama de glória. E uma vez extinta essa chama, ficou-me qualquer coisa que nunca mais esqueci que me faz pensar constantemente na beleza que encerra cada um dos mais ínfimos fragmentos de matéria à nossa volta."


Amo Huxley, mas confesso que as vezes sinto raiva dele. Porque ele já escreveu tudo aquilo que eu gostaria de um dia escrever. Além disso, em diversas ocasiões tenho a impressão que ele já havia lido minha alma, sabia dos meus passos e das experiências que eu teria, mesmo antes que eu nascesse, o que só ocorreu anos depois de sua própria morte.

domingo, 26 de outubro de 2008

Ontem, na porta de casa, fui abordada pela minha vizinha, que me perguntou em quem eu iria votar. Devolvi a pergunta, e ela, munida de um jornal com a foto dos candidatos disse para mim:

- Vou votar no Paes. Olha como ele é bonitão. O outro é velho.


(...)


Sem mais.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Tá na cara?

Cruzando algumas das "Faixas de Gaza" que abundam no Rio de Janeiro e trazendo de volta à lembrança alguns rostos que costumam estampar os jornais nas seções criminais, chego à conclusão de que no dia em que o pensamento politicadebilmente corretóide (politicamente correto+debilóide) deixar de ser imposto, as pessoas ainda vão perceber que as teorias acerca da antropologia criminal de Cesare Lombroso (que foram substituídas por aquelas baseadas apenas em causas ambientais), embora não possam ser todas levadas ao pé da letra, tinham lá a sua parcela de razão... Entre os entusiastas da fisiognomonia há uma gama de pensadores que vai desde Aristóteles à Goethe.
E isso de forma alguma é pré-conceito, porque por muito tempo defendi exatamente o contrário.
É pós-conceito mesmo...

Ou vai ver tudo não passa de coincidência, né?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Feitiço Boomerang

"O treino de dessensibilização consiste em colocar, de forma gradual, o paciente numa situação que lhe provoque medo e ansiedade, para que este deixe de se sentir activado de forma fisiológica. Esta técnica pode ser realizada ao vivo ou em imaginação (Pires, 2003). Este procedimento foi utilizado algumas vezes em terapia individual, apenas em forma de imaginação, em pacientes que apresentavam quadros de alguns tipos de fobias."


Que a Internet foi inundada de propaganda pró-vegetarianismo, todo mundo já sabe. E creio que todo mundo já viu algum videozinho chocante, editado sensacionalisticamente com o intuito de arrebanhar mais seguidores para o 'lado miguxo da força'. Eu admito, o material visual é forte, revulsivo, mexe com as nossas entranhas, consegue levar o espectador à um clímax de intolerância contra os tipos de prática que ali são apresentadas, exatamente do modo como os responsáveis por estas mídias querem deliberadamente que aconteça. O problema é que daqui a pouco o feitiço vai acabar virando contra o feiticeiro.

Geralmente é a população urbana que levanta a voz contra o onivorismo após assistir à esses vídeos, desacostumada que está ao fato de que a carne não nasce no açougue, que o leite não brota em forma de caixinhas nas prateleiras dos supermercados, etc. Se o meu leitor procurar conversar com habitantes das áreas rurais, habituados a ter granjas, chiqueiros, alguma vezes até algumas cabeças de gado em pequenos sítios, não ouvirá deles qualquer objeção ao consumo de carne, afinal de contas, eles mesmos costumam matar os animais que criam com o intuito de se alimentar deles, e não ficam chocados com imagens sangrentas, ruídos ou os espasmos que acompanham a morte dos animais. A morte virá para todos nós, e creio que ninguém que tenha consciência da proximidade dela achará o fato confortável. Provavelmente terá uma última crise de pânico antes do derradeiro instante, ao dar de cara com a certeza de estar sendo conduzido à força rumo ao inexorável desconhecido. Mas fazer o quê? A ordem da vida é a morte, é a nossa única certeza, e ela só choca quem não está acostumado a vê-la de perto.

É óbvio que, salvo o caso dos depressivos, ninguém quer morrer. A entidade da Vida tem por atividade primordial cobiçar mais e mais vida, se multiplicar, passar à frente seus genes, se perpetuar. O sonho da imortalidade não é exclusividade do Homem, muito embora as demais espécies não concebam esta idéia como nós, mas apenas em forma de instinto. O instinto serve à todo e qualquer ente vivo com o propósito de mantê-lo nesta referida condição - vivo - sem que ele precise processar conscientemente o significado da morte.

Entretanto, esta é uma lei infalível, pelo menos enquanto ainda tivermos entraves tecnológicos que nos impossibilitem de tornarmos o sonho realidade, e aqueles que estão mais intimamente em contato com a Natureza parecem ser mais condescendentes com a morte que nós, que geralmente só temos contato com ela em algum velório de parente. Mas aquele que assiste à partida de xadrez entre a vida e a morte diariamente, pois vive em ambiente menos descaracterizado que o nosso, nada concebe de errado em matar com fins de alimentação, pois isso faz parte de seu dia-a-dia. Ele vê os pássaros, as cobras, em determinadas regiões pequenos felinos, peixes, jacarés, etc. executando esta ação todos os dias, então, este indivíduo não consegue sequer compreender a raiz de qualquer julgamento moral negativo quando chega a vez dele fazer o mesmo, afinal, ele não esboça qualquer tipo de juízo moral quando assiste isso acontecer.

O mesmo nem sempre se dá com o típico urbano. Certa vez vi um documentário daqueles à moda Animal Planet, onde algumas orcas perseguiam focas... e essas focas eram a coisa mais fofa do mundo (É, eu tenho minhas crises de miguxice também)! Confesso que fiquei com um pouco de raiva das orcas, mesmo sabendo que, na condição de animais, elas não mereciam tal juízo. Fiquei com raiva pois fiquei chocada. E minha raiva era ainda mais injustificada, pois afinal de contas, aquilo fazia parte da lei natural da cadeia alimentar, que o habitante da área rural, mesmo sem nunca ter ouvido falar em Darwin, parece compreender perfeitamente - até melhor que muita gente culta por aí. Se somos impossibilitados de julgar moralmente os animais e suas atividades, é porque consideramos o comportamento deles natural e isto faz com que eles passem a contar com a proteção do "Certificado de Isenção de Crueldade", afinal eles estão acima do bem e do mal, é quase como possuir uma espécie de imunidade diplomática à ameaça de serem taxados de maus ou bons, pois há o pressuposto de que eles não tem consciência do que fazem. (Lembrando que a palavra "supor" vem do latim supponere, e quer dizer: estabelecer ou alegar por hipótese; julgar, conjecturar; considerar; presumir; imaginar.)

Mas para a população urbana, a morte é algo perturbador. Urbanóides possuem uma visão romântica da Natureza, e, portanto, não conseguem enxergar o Homem como parte dela, por conta da distância imposta pelo nosso habitat asfaltado e pelas caixinhas de cimento que ocupamos. Segundo a visão que impera na atualidade, somos praticamente extraterrestres destruidores, o câncer do mundo. Ferimos o ideal de pureza que cerca a dourada visão de Gaia. Parece que se esqueceram que evoluímos de outras espécies, e que, se somos como somos, não é apenas por conta do telencéfalo evoluído e o polegar opositor. Somos frutos do meio, imitamos o que vemos. Nosso impulso construtor de cidades e engendrador de sistemas é tão grande como o de cupins ou abelhas*. Nossas relações sociais guardam semelhanças às de qualquer espécie animal que viva em grupo (E não me digam que somos a única espécie que mata seus semelhantes. Algumas fazem isso de maneira bastante chocante e estratégica até). Cultivamos nosso alimento como as formigas o fazem quando cultivam fungos com o objetivo de usá-los na alimentação. Mas agora, está no ar a "Maldição do Topo da Cadeia Alimentar". Parece até que por ocuparmos esta cadeira estamos infectados pelo anel de Gollum! Almejamos tanto o poder de controlar tudo, que corremos o risco de destruir a Terra Média se nossa pretensão de superioridade dada pelo poder não sucumbir! Bem, creio que qualquer espécie aceitaria essa maldição de bom grado e trocaria de lugar conosco num piscar de olhos!

Voltando ao tema central, vimos que há uma grande diferença no pensamento do habitante rural em relação ao habitante urbano no que diz respeito à naturalidade com que ambos enxergam a morte, pois um está mais acostumado que o outro a este fenômeno. Bem, seguindo este raciocínio, o que vocês acham que acontecerá daqui a pouco, quando vídeos como "A Carne É Fraca" se tornarem lugar-comum, vistos, revistos, discutidos, debatidos, assistidos em câmera lenta, quadro a quadro, em praças públicas, blábláblá, enfim? A única conclusão que posso chegar está nos versos de uma música do Paralamas do Sucesso, "O Beco":

No beco escuro explode a violência
Eu tava preparado
Descobri mil maneiras de dizer o seu nome
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
No beco escuro explode a violência
Eu tava acordado
Ruínas de igrejas, seitas sem nome
Paixão, insônia, doença
Liberdade vigiada
No beco escuro explode a violência
No meio da madrugada
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
Mas nada perturba o meu sono pesado
Nada levanta aquele corpo jogado
Nada atrapalha aquele bar ali na esquina

Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado

Nada!

Como disse anteriormente, a chance do feitiço virar contra o feiticeiro é grande, pois, ao ser exposta constantemente ao mesmo estímulo por tempo prolongado, a população deixará de reagir ao mesmo sensivelmente, depois da onda de choque inicial ter passado.

Sinceramente? Cada um na sua, não sou mais vegetariana e não me incomodo com o fato dos vegetarianos existirem. Entretanto considero a estratégia de marketing do movimento estúpida. Eu até agradeço e julgo que obtive um certo crescimento pessoal ao assistir este circo montado por eles, pois, ao observá-los me vi no espelho, e percebi o quanto eu também era fanática e como a síndrome de jesuíta estava fortemente instalada em mim, pois também queria converter os outros às minhas verdades, me tornando inclusive violenta e julgando aqueles que não partilhavam das minhas idéias como seres medíocres. A observação de alguns seguidores extremistas desse tipo de dieta me fez vislumbrar o quão afastada do bom senso eu estava - para muitos destes a ética é questão de ordem, mas eles só a utilizam quando se trata de animais não-humanos. Aos desgraçados humanos, que são culpados só por serem humanos, os piores tratamentos podem ser dispensados, afinal são um 'câncer'.


Medidas extremas colocam a opinião pública contra qualquer causa. Induzir as pessoas ao estado de revolta leva-as a cometer sandices que no fim das contas só irão depor contra o que elas mesmas estão defendendo, daí a burrice dos radicais. Nunca conseguem nada pois tem a mente limitada, só enxergam um palmo à frente do nariz e não além.

Bulir com os deuses também é uma péssima idéia. Não, não estou falando de nada que tenha caráter transcedental. Cada época cultua um Deus diferente, e na que vivemos não existe coisa mais sagrada que a Ciência, essa divindade sem forma e que mesmo em constante mutação e se contradizendo a cada dia, merece a fé fervorosa de seus adeptos. E para tudo que um cientista fala, os burros abaixam as orelhas sem questionar, afinal, o trabalho dos homens da Ciência é pensar e há um certo consenso mudo entre os gentios de que cientistas são praticamente Super-Homens... Ao atacar e ameaçar estes "heróis" de forma bárbara, os grupos antivivissecção (o terceiro braço da "Santíssima Trindade da Ética": Vegetarianos-Vegans-antiVivisseccionistas) buscam o caminho mais curto para a difamação pública, pois a Ciência é um dos pilares principais da modernidade.

Fora que geralmente ideologias utópicas radicais acabam por se auto-implodir, pois os próprios membros das mesmas começam disputas egóicas internas, um querendo parecer mais santo e ético que o outro, gerando dissidências ao invés de um grupo coeso (E disso eu entendo bem. Vivo envolvida em brumas utópicas desde que me conheço por gente e já me acostumei com as respectivas ascensões e quedas das mesmas).

"O sucesso é a tua prova". Querem adeptos às coisas que acreditam? Beleza. Sejam bem sucedidos, felizes, mantenham a saúde e a aparência em dia. Provem o quanto suas opções são benéficas por exemplo próprio e aí então as ovelhas aparecerão balindo suavemente, totalmente conquistadas pela vossa imagem de sucesso, almejando o mesmo para elas e se esforçando para tal. Não é por coação que se ganha o coração do Homem. É através do exemplo, pois, no meio do jogo do "o que eu ganho com isso?", tão inerente à própria identidade da Vida, somente ele - o exemplo - é capaz de mostrar se há ou não benefícios interessantes o suficiente para fazer alguém adotar filosofia de vida diferente.



*"Nosso impulso construtor de cidades e engendrador de sistemas é tão grande como o de cupins ou abelhas".
Aliás, tenho medo disso. No sistema perfeito não há traço algum de individualidade. Os indivíduos vivem apenas com o intuito de manter o motor funcionando.
"Vivo envolvida em brumas utópicas desde que me conheço por gente e já me acostumei com suas respectivas ascensões e quedas"
E talvez no dia em que descobrirmos a utopia perfeita e realizável, acabemos por nos tornar habitantes da tal temida colméia. Aceitar o "mal" (porque tudo que se opõe ao ideal de pureza que cerca toda utopia pode ser considerado como mal) é o preço para sermos livres. Se todos se condicionarem ao sistema por opção, seja ele qual for, em pouco tempo as individualidades se mesclarão e as diferenças serão apenas aquelas referentes à posição dentro da hierarquia de trabalho do sistema. Seria praticamente um Admirável Mundo Novo voluntário. No livro as pessoas são felizes às custas do sacrifício da liberdade. Pelo que optaríamos? O sistema perfeito, composto por números, ou o caos composto por indivíduos?


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Embora não tenha ligação com o post, lembrei de uma música do Raul, enquanto escrevia alguns parágrafos sobre a morte... E decidi postar, porque AMO essa música!


Canto para Minha Morte
Raul Seixas

Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Aquecimento Global. Tem certeza?


Aquecimento global ou era do gelo?

Na segunda feira passada, dia 22, começou a primavera, e coincidentemente surgiu uma pequena mancha solar. Tão pequena que já no dia 24 ela tinha desaparecido, durando dois dias ou menos. Manchas solares vêm e vão e possuem um ciclo de 11 anos, alternando períodos de alta intensidade, caracterizado por um grande número delas, e períodos de baixa atividade solar, quando poucas manchas aparecem no Sol. Estamos justamente em um período de mínimo solar, com poucas manchas visíveis.

E qual a novidade nisso?

Bem, o evento em si é bem trivial, manchas vêm e vão, como eu já disse, mas essa foi especial em dois sentidos. O primeiro: ela apareceu depois de um longo período de baixíssima atividade solar, e suas características indicam que se trata uma mancha do ciclo 24. Esse ciclo iniciou-se em janeiro, marcando a saída do mínimo solar. Em outras palavras, de janeiro em diante o número de manchas só deve aumentar, até atingir o máximo entre outubro de 2011 e agosto de 2012. Ao menos em tese. A baixa atividade solar tinha posto em dúvida o momento em que o ciclo 23 tinha acabado, muita gente acreditava que ele ainda estivesse em curso, pois o número de manchas não aumentou como esperado. E isso levanta a segunda questão.

A atividade solar tem perdido força ao longo dos anos. Desde que a intensidade do vento solar começou a ser monitorada, há uns 50 anos, ela nunca esteve tão baixa. O vento solar é responsável por criar uma bolha chamada de helioesfera, que envolve e protege o Sistema Solar dos raios cósmicos de alta energia provenientes do resto do Universo. Com o vento solar menos intenso, a bolha se encolhe e fica mais fina, facilitando a passagem dos raios cósmicos. Em princípio, estamos a salvo na Terra, pois nosso campo magnético e nossa atmosfera nos protegem, mas satélites, astronautas e qualquer equipamento fora dessa proteção estará sujeito a esse bombardeio. Na prática, a vida útil de sondas espaciais será encurtada.

Além disto, existe um estudo controverso que liga a quantidade de raios cósmicos à quantidade de nuvens na Terra. Essa hipótese diz que o bombardeio de raios cósmicos na nossa atmosfera favorece a criação de nuvens. Se a helioesfera se enfraquecer, é justamente isso que vai acontecer, aumento de raios cósmicos e aumento de nuvens.

Aumentar a capa de nuvens significa bloquear a quantidade de raios solares que penetram a atmosfera. O topo das nuvens acaba refletindo a luz do Sol de volta ao espaço e, como conseqüência, a Terra esfriaria. É claro que isso não explica a atual onda de frio em plena primavera.

A hipótese é um tanto controversa, mas entre 1645 e 1715, aproximadamente, o número de manchas solares registrado foi muito pequeno, e o período ficou conhecido como “Mínimo de Mauner”. Nesse mesmo período a Europa sofreu com temperaturas muito baixas, com rios que normalmente são fluidos o ano inteiro ficando congelados durante um ano inteiro! Esse período é conhecido em geologia ou meteorologia como “Pequena Idade do Gelo”. Apesar dos registros do número de manchas da época não serem tão bons quanto atualmente, parece que o número atual de manchas é menor que o verificado no Mínimo de Mauner.

No final das contas, pode ser que o Sol nos dê uma força para impedir que as temperaturas se elevem com o aquecimento global.

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Os alarmistas deveriam ficar alarmados


Inesperadamente, a NASA convocou uma conferência de imprensa. Foi no dia 23 de Setembro de 2008, há uma semana. Era para alertar os cidadãos do Mundo que o nosso astro rei se está a comportar de uma forma anormal.

O título do documento distribuído aos jornalistas é elucidativo: “Ulysses Reveals Global Solar Wind Plasma Output at 50-year Low”. Ou seja, [o satélite] “Ulysses revela que a ejecção do plasma do vento solar está no seu mínimo desde há 50 anos”. A conferência foi convocada pelo Jet Propulsion Laboratory, de Passadena, Califórnia, um dos departamentos da NASA. Deve-se destacar que é muito raro a NASA tomar iniciativas como esta.

“O vento solar, com uma velocidade de um milhão de milhas por hora, produz uma bolha protectora (a heliosfera) em torno do sistema solar. Esta bolha tem influência sobre o que acontece na Terra e até aos limites do nosso sistema solar nos confins da galáxia” afirmou Dave McComas, investigador do vento solar. “As observações do Ulysses indicam que a pressão global do vento solar é a mais baixa registada desde o início da era espacial”, acrescentou Dave.

“Os raios cósmicos galácticos transportam com eles as radiações provenientes de outras partes da nossa galáxia”, disse Ed Smith, cientista do Jet Propulsion Laboratory. “Com um vento solar mais fraco do que nunca, é provável que o tamanho e a resistência da heliosfera diminua. Se isso acontecer, mais raios cósmicos penetram no coração do nosso sistema solar.”

“O ciclo solar verifica-se entre os períodos de grande actividade e os períodos de baixa actividade”, disse Smith. “Na hora actual, estamos num período de actividade mínima que se estenderá ao longo de um período maior do que alguém poderia ter imaginado.”

O seu colega Dave McComas acrescentou: “Esta é uma alteração muito importante. Efectivamente, o vento solar que temos agora é menos intenso do que jamais observámos desde o começo da era espacial, isto é, desde 1960.”

Segundo a NASA, o Sol está a ficar muito sossegadinho. As previsões dos cientistas da NASA são mesmo pela continuação prolongada da ociosidade solar.

As observações do Ulysses mostram que o Sol reduziu a ejecção do vento solar para o nível mais baixo desde que se realizam medições com precisão. O estado actual do Sol poderá reduzir o efeito de ecrã natural que rodeia o nosso sistema solar.

O plasma do vento solar é um fluxo de partículas ejectadas da alta atmosfera do Sol. O vento solar interage com todos os planetas do nosso sistema solar. Também determina a fronteira entre o nosso sistema solar e o espaço interestelar.

A região que se encontra em torno da heliopausa também age como um escudo do nosso sistema solar, protegendo-o de uma parcela significativa dos raios cósmicos provenientes do exterior da galáxia.

Comparando os resultados com as observações precedentes do ciclo anterior (ciclo 23) verificou-se que o vento solar e o campo magnético presente no vento diminuíram 20 %. O campo magnético na proximidade da nave espacial sofreu uma redução de 36%.

Mais detalhes sobre a missão Ulysses e sobre o tema da conferência de imprensa podem ser recolhidos no sítio web da NASA e na nota do briefing.

ALGUMAS CONCLUSÕES PRELIMINARES

Que conclusões se podem tirar deste aviso da NASA? É inegável que a diminuição do vento solar terá consequências sobre o clima da Terra? Boas? Más? Depende do ponto de vista. Para os alarmistas do aquecimento global seriam mesmo más.

Como já foi mencionado várias vezes no MC existe a hipótese – agora ainda em estudo no CERN – que correlaciona os ciclos solares (ou a taxa de radiação cósmica) com a temperatura da Terra.

Viu-se já no MC que o dinamarquês Henrik Svensmark e a sua equipa de investigadores propuseram esta hipótese – já submetida a ensaios reais, na Dinamarca – a fim de relacionar a nebulosidade nas baixas altitudes com a actividade dos raios cósmicos.

Conforme é bem sabido, e o MC já chamou a atenção para este facto, as nuvens das baixas altitudes arrefecem o planeta. A situação apresentada pelos cientistas da NASA é pois uma excelente oportunidade para comprovar a hipótese de Svensmark.

Além disso, a NASA avisou que nos próximos tempos – durante um longo período – podemos esperar antes o frio do que o calor devido a uma menor actividade solar. Pode-se concluir que a NASA estaria, indirectamente, a dizer também que a alteração dos raios cósmicos poderia ter sido a causa do shift climático de 1975/76.

Em conclusão, a NASA parece antecipar o anúncio do fim da histeria do «global warming». Mas há que aguardar…

Na Fig. 127 está indicada a cobertura global média mensal das nuvens baixas versus a temperatura média mensal do ar à superfície, desde Julho de 1983. Valores elevados da cobertura das nuvens baixas estão associados às temperaturas baixas o que demonstra o efeito de arrefecimento deste tipo de nuvens.

A Fig. 127 foi recolhida no sítio web do Prof. Ole Humlum designado Climate4you onde se afirma que um aumento de 1 % na cobertura das nuvens corresponde a um decréscimo de 0,07 ºC da temperatura.

Informações sobre nuvens podem ser recolhidas em ISCCP - International Satellite Cloud Climatology Project. Informações sobre raios cósmicos encontram-se nos sítios web de Nir J. Shaviv e do NSI - National Space Institute, da Dinamarca.


Vale a pena conferir todo o conteúdo do blog de onde extraí o texto em: http://www.mitos-climaticos.blogspot.com/


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A Profecia Maia: uma transformação do sol


(...) Embora a ciência moderna nunca tenha abordado esse assunto tal como os Maias o fizeram, recentemente os físicos se deram conta da influência de radiações que atravessam a galáxia. A astrofísica atual descreve essas radiações como ondas de densidade que varrem a galáxia e influenciam a sua evolução. O nascimento do nosso Sol, por exemplo, foi resultado dessa onda. Na realidade, toda a formação estelar deve-se, em princípio, a essa radiação, demonstrando que a galáxia é um organismo envolvido em sua própria evolução. E mais: esta radiação galáctica também está comprometida com a evolução da Terra e da vida. As radiações de densidade vêm se espalhando pela galáxia nesses 4,55 bilhões de anos de existência do Sol - e, toda vez que atravessam a nossa estrela, alteram sua dinâmica e também a energia radiante que banha o nosso planeta. Muitos acreditam que essas diferentes radiações conseguirão explicar como o desenvolvimento da vida na terra foi se moldando. "Cada vez mais compreenderemos que o formato das folhas das árvores, por exemplo, foram moldados não apenas por seleção natural aqui na Terra, mas pela ação da galáxia como um todo", acredita o físico e matemático Brian Weimme, autor do prefácio ao livro Fator Maia, de José Argüelles, os mais famoso dos divulgadores da profecia Maia.

Astrônomos proféticos

Mais antiga das civilizações pré-colombianas, os Maias floresceram entre os séculos II e IX da nossa Era, ocupando as planícies da Penísula de Yucatán, onde hoje fica o México, quase toda a Guatemala, a parte ocidental de Honduras, Belize e regiões limítrofes. Eles constituíam povos que falavam línguas aparentadas e elaboraram uma das mais complexas e influentes culturas da América. Enquanto a Europa mergulhava na Idade das Trevas, os habitantes da América Central estudavam astronomia, tinham dois calendários - um solar de 365 dias, o Haab, e um sagrado de 260 dias, o Tzolkin - e um sofisticado sistema de escrita por hieróglifos.

Por volta do ano 900, o antigo império Maia começou a sofrer um declínio de população, e seus suntuosos centros urbanos foram abandonados por motivos até hoje misteriosos. Seus habitantes voltaram à vida simples nas aldeias no campo, onde seus descendentes vivem até hoje. Alguns estudiosos atribuem o abandono das cidades à guerra, insurreição, revolta social, seca. Mais recentemente, surgiu a teoria de que eles abandonaram seus centros devido a alterações nas radiações solares. No século XIII, quando o norte se integrou à sociedade tolteca, a dinastia Maia chegou ao final, muito embora alguns centros periféricos sobrevivessem até a conquista espanhola, no século XVI.

Os Maias clássicos eram um povo embriagado de objetivos culturais diferentes dos nossos. Onde os modernos cientistas detectaram experimentalmente os efeitos físicos das radiações de densidade que varrem toda a galáxia, os Maias procuravam detectar experimentalmente radiações de diferentes forças que influenciavam não só o nascimento e a atividade das estrelas, mas o nascimento e a atividade das idéias. Portanto, enquanto os cientistas modernos desenvolveram um modo de consciência que lhes permite expressar os efeitos físicos dessas radiações, os maias desenvolveram uma consciência que lhes possibilitava expressar os efeitos psíquicos dessas radiações.

Esse povo da América Central acreditava em ciclos recorrentes de criação e destruição e pensavam em termos de eras que duravam cerca de 1.040 anos. Para eles, nós estamos vivendo na quarta era do sol - sendo que, antes da criação do homem moderno, existiram três eras anteriores, destruídas por grandes cataclismas. A primeira era teria sido destruída pela água, depois de chover sem parar, coincidindo com o mito do dilúvio. O segundo mundo teria sido destruído pelo vento e o terceiro pelo fogo. O quarto mundo, o que nós vivemos hoje, de acordo com as profecias do rei-profeta Maia Pacal Votan, será destruído pela fome, depois de uma chuva de sangue e fogo. Talvez não por acaso, a tumba desse rei, encontrada em 1952, fique em uma das mais belas e importantes ruínas desta civilização: a cidade de Palenque, localizada justamente em Chiapas, estado onde os descendentes dos Maias formaram o EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) e se insurgiram, em 1994, depois de séculos de humilhação e pobreza.

Segundo a cronologia Maia, a era atual começou em 10 de agosto de 3113 a . C., data que marca o Nascimento de Vênus, e deve terminar em 22 de dezembro de 2012, quando esta estrela "morrerá" simbolicamente, ou melhor, segundo o Skiglobe (programa de computador que indica o movimento astronômico), desaparecerá por traz do horizonte ocidental, no mesmo instante em que as Plêiades nascerão a leste.

Importante dentro do calendário Maia, essa data fechará um ciclo de cerca de 5.125 anos e dá pano para manga de inúmeros prognósticos. Os adeptos das visões mais catastróficas acham que essa data marcará o fim do mundo, o juízo final e coisas afins. Outros, como o jornalista e crítico de arte Alberto Beuttenmüller, consideram que essa data marcará o fim de um tipo de mundo, o que por definição pode ser várias coisas: o fim da hegemonia dos Estados Unidos, o fim do trabalho como nós conhecemos hoje, o fim do dinheiro, e até mesmo catástrofres naturais. "O tempo dos Maias não era imediatista. As transformações não vão acontecer de uma hora para outra. Elas já vêm acontecendo desde 1988", diz Beuttenmüller, autor de A Serpente Emplumada, da editora Ground, segundo romance de uma trilogia dedicada às profecias Maias. Para ele, a queda abrupta do regime soviético, em 1989, pode ser resultado desse fenômeno. "Depois de tantas batalhas, o comunismo acabou quase que por decreto. Para impor aquele governo, mataram tanto e, de repente, parece que decidiram simplesmente parar de brincar de comunismo", diz.

Beutenmüller compartilha da hipótese de Maurice M. Cotterell - um dos autores do livro As Profecias Maias, da Editora Nova Era - de que todo esse processo que, para ele terá seu ápice em 2013, será provocado pelo sol.
De fato, sabemos que a vida na Terra depende da luz solar, mas o sol transmite para cá muito mais do que luz. Ele irradia também raios cósmicos através do espectro eletromagnético. Estes potentes raios têm o poder de transformar átomos e poderiam matar toda a vida na terra, se não existisse um escudo protetor na atmosfera. Embora, apesar dos rombos na camada de ozônio, eles ainda não destruam, esses raios provocam reações nucleares na atmosfera. Eles transformam os átomos de nitrogênio que a compõem, em uma forma mais pesada de carbono, cujo peso fica 14 (C14), ao invés dos 12 (C 12) normais. Embora comporte-se como o carbono comum, que existe em profusão na atmosfera e é importante para a vida, o C 14 é radioativo. Em alguns momentos de alta atividade solar, que geram muitas manchas no sol, essa radiação solar diminui. Em outros, onde há menos atividade do sol, e menos manchas, essa irradiação solar aumenta. Ao determinar a regularidade dos ciclos de aparecimento e desaparecimento de manchas, Cotterell deu-se conta de que todos os momentos de apogeu de alguma grande civilização coincidiram com o aumento de atividades das manchas solares, e o declínio, com uma inversão solar.
Desta maneira, o declínio da Civilização Maia, cujas belas cidades foram inexplicavelmente abandonadas no século IX, poderia ter alguma vinculação com o fato de que o campo magnético solar e as manchas solares se inverteram exatamente nesta época. O fenômeno provocou infertilidade e mutações genéticas na Terra e teve efeitos mais severos nas regiões equatoriais. Segundo Beutenmüller, um dos filhos do rei-profeta Pacal, dono da famosa tumba encontrada em Palenque, nasceu com seis dedos em cada mão.

Os Maias adoravam o sol como deus da fertilidade. Segundo Maurice Cotterell, há várias evidências de que o sistema endócrino das mulheres privadas de sol durante grandes períodos sofrem grandes alterações, afetando severamente a produção de estrogênio e progesterona, hormônios vinculados à fertilidade e à menstruação, e a produção de melatonina, o hormônio da "sincronização", vinculado ao biorritmo.

Provando essa teoria, há um artigo publicado na revista New Scientist, em junho de 1989, sobre a dependência endócrina em função da radiação solar. Stefania Follini, uma projetista de interiores, passou quatro meses em uma caverna no Novo México. Seu dia tinha a duração de 35 horas, intercalado com períodos de sono de aproximadamente dez horas. Ela perdeu 7, 7 kg e houve interrupção de seu ciclo menstrual. Follini também pensou ter passado somente dois, e não quatro meses, dentro da caverna.

Além das deformações genéticas e da alteração na fertilidade feminina, as atividades das manchas solares também podem ter causado uma pequena era glacial que provocou uma grande seca na região dos Maias, ocasionada pela redução do volume de água evaporada dos mares.

Uma das provas de que os Maias sabiam dessas alterações na irradiação solar é o calendário sagrado Maia, de 260 dias, cujo fim de ciclo se relaciona exatamente com a superposição dos campos solar e equatorial do sol.

Além disso, cálculos demonstram que o ciclo de manchas solares é de 68.302 dias, e que após 20 ciclos (20 x 68.302= 1.366.040 dias) o campo magnético da lâmina neutra solar se inclina. A Terra tenta alinhar seu eixo magnético com o do sol e também se inclina - o que pode causar catástrofes de dimensões gigantescas no nosso planeta.

Ernst Förstemann, funcionário da biblioteca de Dresden (Alemanha) que em 1880 estudou um dos códices Maias guardados nesta biblioteca - o Dresden Codex - achava que a cadeia de dias organizada pelo calendário sagrado não correspondia a nenhum ritmo celeste - embora também lhe chamasse atenção o número 1.366.560 e a chamada "data de nascimento de Vênus", então fixada em 10 de agosto de 3113 a. C.. Cotterell, no entanto, observou que contando o número 1.366.560 a partir do início do calendário Maia, chegaremos perto do ano de 627 - segundo ele, o centro exato do desvio magnético solar e período de baixa atividade das manchas solares, que teria causado o declínio Maia. Esse estudioso concluiu que o planeta Vênus deve ter sido monitorado justamente para auxiliar o acompanhamento dos ciclos de manchas solares, porque esperavam a reversão após 20 ciclos, como de fato aconteceu, embora com uma certa diferença de dias: 1.366.040 é o cálculo científico e 1.366.560 o cálculo dos Maias, feito a partir do acompanhamento da trajetória do planeta Vênus. Essa mudança de direção do campo magnético solar, que acontece cinco vezes em cada ciclo cósmico, é o que, para muitos, abalará o eixo da Terra, que ficará sujeita a terremotos, enchentes, incêndios e erupções vulcânicas. O próximo fim de ciclo ocorrerá em 2012, quando começará o quinto mundo, considerado muito perigoso pelos Maias. Na realidade, esse ciclo já começou em 1988, considerado por Argüelles o primeiro ano da profecia. A partir de 2012 essa profecia ficará mais intensa, mais eficaz. Mas não precisamos necessariamente embarcar nas previsões de Cotterell, que acha que a humanidade não escapará de enfrentar enormes cataclismas. Para o físico Stephen Hawking, a humanidade é a responsável - e não irá cumprir mais mil anos se o planeta continuar aquecendo* como vem ocorrendo.
Com catástrofes ou não, começamos a entender que a chamada adoração ao Sol, tal como é atribuída aos antigos Maias, era, na realidade, o reconhecimento de que o Sol transmitia a eles muito mais do que luz e calor. (...)

Completo em: http://www.terra.com.br/planetanaweb/flash/reconectando/civilizacoesetribos/maia.htm


*É, até o Hawking erra de vez em quando:

As temperaturas diminuíram até valores de há 20 a 30 anos

No estudo Limits on CO2 Climate Forcing from Recent Temperature Data of Earth, aceite em Agosto de 2008 para publicação na revista E&E – Energy and Environment, David Douglass e John Christy tiraram as seguintes conclusões:

“The recent atmospheric global temperature anomalies of the Earth have been shown to consist of independent effects in different latitude bands. The tropical latitude band variations are strongly correlated with ENSO effects. The maximum seen in 1998 is due to the El Niño of that year. The effects in the northern extra tropics are not consistent with CO2 forcing alone.

An underlying temperature trend of 0.062±0.010ºK/decade was estimated from data in the tropical latitude band. Corrections to this trend value from solar and aerosols climate forcings are estimated to be a fraction of this value.

The trend expected from CO2 climate forcing is 0.070g ºC/decade, where g is the gain due to any feedback. If the underlying trend is due to CO2 then g~1. Models giving values of g greater than 1 would need a negative climate forcing to partially cancel that from CO2. This negative forcing cannot be from aerosols.

These conclusions are contrary to the IPCC [2007] statement: “[M]ost of the observed increase in global average temperatures since the mid-20th century is very likely due to the observed increase in anthropogenic greenhouse gas concentrations.”

David Douglass pertence ao Department of Physics and Astronomy, University of Rochester, EUA, e John Christy ao Department of Atmospheric Science and Earth System Science Center, University of Alabama in Huntsville, EUA.

O artigo mostra que as temperaturas de 2008 se situam ao nível das temperaturas de 1978 a 1988. Isto é, já lá vão 20 anos de propaganda do «global warming», iniciada em 1988, e as temperaturas retrocederam até aos valores daqueles anos.

Os professores universitários americanos afirmam que os fenómenos El Niño e La Niña marcaram as oscilações das temperaturas entre 1978 e 2008. Não é possível atribuir ao CO2 a prosápia de ser o responsável por estes fenómenos meteorológicos que existem desde tempos imemoriais.

John Christy colabora de modo muito crítico com o IPCC. É um cientista de méritos reconhecidos na comunidade científica. Co-responsabiliza-se pela monitorização das temperaturas dos satélites NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration que incorporam os radiómetros AMSU – Advanced Microwave Sounding Unit.

O estudo contraria a afirmação fundamental do IPCC, aprovada com braços no ar e publicada no seu último relatório, de 2007. Este organismo político acusa sem razão a humanidade de ser culpada da evolução das temperaturas desde o fim da Idade do Gelo.