quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Astro Lógica

Me apaixonei por astrologia. Há tempos tenho vontade de escrever sobre isso, mas achei que ficaria fora de contexto fazer isso aqui no Misantropia. Montei um blog exclusivo para o assunto, o Astro Lógica: http://astro-logica.blogspot.com, onde pretendo fazer uma explanação dos mitos que compõem a astrologia, de forma a delinear através deles os perfis psicológicos correspondentes aos signos do zodíaco.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Elevando

Por Felipe Malta, irmão-peixe

Transito por sentimento e emoção
No elevador que somos
Da alegria à depressão
Do amor ao ódio
De revolta e satisfação.
Apertei o 3.
Porra!!
Desci errado no andar da solidão.
As vezes é necessária,
Até gosto
Mas hoje não.
Esperar nada!
Vou de escada
Pro andar de cima
Onde fica a reflexão.
Mas não era esse
O destino meu até então.
Queria o quanto antes
Alcançar a compaixão.
A espera demorada
Trouxe sabedoria em alguma proporção
Aprendi a ouvir bem o aparelho
Chamado coração
Siga o caminho comprido e difícil
Do agir com retidão
Só assim mudamos o mundo
Pois ninguém está acima do céu
Nem abaixo do chão.
http://em76.blogspot.com/

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Empatia


Aproveitando o gancho do meu post anterior sobre o Big Brother e refletindo sobre o que levou artistas verdadeiros a serem reconhecidos por merecimento, percebo que algo além do seu talento e criatividade fez parte do processo.
O fenômeno da empatia.
Quanto mais simpático é o artista, maior alcance ele pode ter. Mas o que significa ser simpático, neste aspecto?

Ser um artista simpático não significa ter uma personalidade simpática, mas sim que sua arte consegue ter ampla aceitação em diversas camadas e grupos sociais, não sendo voltada apenas para um certo setor. Não sou muito fã do pop, são raras as obras pop que realmente merecem respeito, justamente porque elas são feitas não para traduzir a expressão da alma humana ou do autor, mas para vender. Mas há exemplos de indivíduos que conseguiram atingir todas as classes sem perder pontos na qualidade final da obra. Mesmo quem não entende nada de arte ou não é muito ligado nisso, consegue ser tocado pela beleza da obra de Leonardo da Vinci, por exemplo.

Quem se limita a agradar certa parcela específica, limita também o alcance e os frutos que sua obra poderia gerar. Não me considero artista, mas as coisas que escrevo não são ao acaso. Elas tem um objetivo específico. Parafraseando Jesus (parafrasear Jesus é engraçado...): O objetivo é pescar homens, Pedro. Arrebanhar seguidores de idéias, não por mim ou para mim, para a minha satisfação egóica, mas para o modelo de mundo que considero ser o melhor para todos. Ainda que eu saiba que estamos muito distantes disso, e que eu não vou viver para ver o sonho realizado, me preocupo com a semente que deve ser plantada. Não quero deixar filhos, quero deixar idéias.

Quem tem essa preocupação, quem vive por um ideal e põe nisso o coração, acaba por vender uma parte da vida e da própria liberdade por ele. Nunca permito que me vejam triste. As pessoas seguem vencedores. Minhas idéias podem ser ótimas, mas se em público eu não estiver sempre sorrindo, quem vai acreditar que minha condução os levará à terra prometida? Quem dá credibilidade para os melancólicos, os derrotados? Então, por mais que eu esteja morrendo por dentro, sou obrigada a por o sorriso no rosto e desfiar meu rosário de teorias otimistas por aí, mesmo quando em estado de profundo abalo de fé.

Mas como nem tudo é espinho, a compensação vem quando vejo que consegui plantar a semente em alguém, quando vejo que consegui ajudar alguém a despertar sua consciência, e que esta pessoa faz o mesmo por outras, ou seja, passa a mensagem à frente. Isso renova as esperanças e traz de volta a fé. Mas só consigo fazer isso utilizando da empatia. Há várias maneiras de se dizer verdades à alguém. Podemos utilizar críticas construtivas, corrigindo com amabilidade e abrindo as portas para a aceitação. Esse é o caminho da empatia. Mas há o caminho da força. Crítica feroz, sarcástica, muitas vezes indireta. Bem... por experiência própria, isso não dá em nada. Não produz resultado e ainda pode gerar exatamente o inverso: Como o criticado se sente ofendido pela crítica, não a aceita por mais que ela seja lógica e ainda reforça o comportamento criticado como forma de defesa.

Quando o resultado é que é a meta e não a apreciação do processo pelo qual ele se dá, cuidados devem ser tomados para que o objetivo não se perca por conta de pelejas pessoais ou pulsos agressivos. De nada adianta machucar pessoas pois quando a conquista se dá através desse processo ela só se mantém por um curto período de tempo e motivada pelo medo, não por respeito ou compreensão da necessidade de mudança, e, como o espírito da revolta mora dentro do homem, a qualquer momento, numa situação dessas, pode se levantar um motim entre as ovelhas contra o pastor mau. Onde não há compreensão, não há entendimento, e sem entendimento o que existe é a obediência cega, dogmática, e, portanto, passível de dúvidas quanto à sua validade.

O desafio é ser firme sem perder o humor, ser resoluto sem ser inflexível, ser franco sem ser agressivo. Idéias devem ser amadas para que possam permanecer além do nosso tempo de estadia na Terra, não devem suscitar vergonha ou temor.

E como sempre, o desafio continua a ser andar no caminho do meio.


"Na curva do futuro muito carro capotou
Talvez por causa disso é que a estrada ali parou
Porém, atrás da curva
Perigosa eu sei que existe
Alguma coisa nova
Mais vibrante e menos triste


Eu vou fazer o que eu gosto
Atrás da curva do perigo existe
Alguma coisa bem mais nova e menos triste"
Raul Seixas - A Verdade Sobre A Nostalgia



O conhecimento é adquirido quando conseguimos encaixar uma experiência nova num sistema de conceitos baseados em nossas velhas experiências. A compreensão vem quando nos libertamos do passado, tornando, assim, possível um contato imediato, direto, com o novo e o mistério a cada momento de nossa existência.

Aldous Huxley

Da Exaltação do Nada


Mais um verão. Mais um Big Brother. Foi-se o tempo em que um expoente humano, em que um talento real, uma potência sapiens era elevada à condição de ídolo e modelo por merecimento. Hoje as corporações de mídia fazem isso usando critérios de rentabilidade financeira. Elevam aqueles que escolhem a tal condição, mesmo que remando em direção contrária a do talento.

Vale-o-quanto-vende, e o que vende muito?
O que é popular, ora!
E o que faz sucesso entre o povo?
Aquilo com que ele se identifica.
E com o que ele se identifica?
Com o comum.

A massa se identifica com o que é da massa, seus dramas, seus hábitos, com seu comportamento.

É até interessante a proposta do zoológico humano, mas isso até esbarrar na consequência da elevação de gente comum, sem atrativo especial, sem talento, sem diferencial, à condição de ídolo. O papel do ídolo em todas as culturas existentes sempre foi de servir de modelo à massa, algo que cada indivíduo deveria se esforçar para alcançar enquanto ideal humano. Porém se o ídolo é aquilo que já existe igual à xuxu na serra por aí, perde-se a possibilidade de evolução na consciencia da população, pois afinal de contas, ser normal é o pico, é o máximo! Melhorar pra quê?

Fosse diferente, se algum dos brothers tivesse algo a dizer além da costumeira conversa de botequim que se ouve em qualquer esquina, se tivessem algum talento superior à capacidade raríssima de dublar canções, ao menos nos lembraríamos dos nomes dos ganhadores das edições anteriores. Onde estão, o que fazem, que frutos deram os ilustres ninguém que arrebanharam os prêmios e a notoriedade de outrora? Continuam sendo ninguém.
Assim como quem um dia os elevou à condição de estrelas.

Antes Andy Warhol tivesse razão e cada um tivesse direito a quinze minutos de fama, apenas.
Hoje o nada se mantém no estrelato por um pouco mais de tempo que isso. Tempo demais.


Muita Estrela, Pouca Constelação
"A festa é boa tem alguém que tá bancando
Que lhe elogia enquanto vai se embriagando
E o tal do ego vai ficar lá nas alturas
Usar brinquinho pra romper as estruturas

E tem um punk se queixando sem parar
E um wave querendo desmunhecar
E o tal do heavy arrotando distorção
E uma dark em profunda depressão


Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela, pra pouca constelação

Tinha um junkie se tremendo pelos cantos
Um empresário que jurava que era santo
Uma tiete que queria um qualquer
E um sapatão que azarava minha mulher

Tem uma banda que eles já vão contratar
Que não cria nada mas é boa em copiar
A crítica gostou vai ser sucesso ela não erra
Afinal lembra o que se faz na inglaterra

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela, pra pouca constelação

E agora vem a periferia


O fotógrafo, ele vai documentar
O papo do mais novo big star
Pra'quela revista de rock e de intriga
Que você lê quando tem dor de barriga

E o jornalista ele quer bajulação
Pois new old é a nova sensação
A burrice é tanta, tá tudo tão a vista
E todo mundo posando de artista"
Raul Seixas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sheep

Harmlessly passing your time in the grassland away
Only dimly aware of a certain unease in the air
You better watch out,
There may be dogs about
I've looked over Jordan, and I have seen.
Things are not what they seem

What do you get for pretending the danger's not real
Meek and obedient you follow the leader
Down well trotten corridors, into the valley of steel
What a surprise!
A look of terminal shock in your eyes
Now things are really what they seem.
No, this is no bad dream.

THE LORD IS MY SHEPHERD, I SHALL NOT WANT.
HE MAKES ME DOWN TO LIE
THROUGH PASTURES GREEN HE LEADETH ME THE SILENT WATERS BY.
WITH BRIGHT KNIVES HE RELEASETH MY SOUL.
HE MAKETH ME TO HANG ON HOOKS IN HIGH PLACES.
HE CONVERTETH ME TO LAMB CUTLETS.
FOR LO, HE HATH GREAT POWER, AND GREAT HUNGER.
WHEN COMETH THE DAY WE LOWLY ONES
THROUGH QUIET REFLECTION, AND GREAT DEDICATION,
MASTER THE ART OF KARATE.
LO, WE SHALL RISE UP,
AND THEN WE'LL MAKE THE BUGGERS EYES WATER.

Bleating and babbling I fell on his neck with a scream
Wave upon wave of demented avengers
March cheerfully out of obscurity into the dream.

Have you heard the news?
The dogs are dead!
You better stay home
And do as you're told,
Get out of the road if you want to grow old.

http://www.youtube.com/watch?v=kO01agW_5xI

Pink Floyd, para qualquer tempo. Recomendo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008


Super-Homem?
Homem Aranha?
Batman?

Bom mesmo é ser o Hulk. Fica puto, faz um monte de merdas, mas depois todo mundo perdoa porque afinal de contas maluco é inimputável.

Mas...
...alguém já viu o Hulk rasgar dinheiro?

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Verdades e Mentiras


Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira
Nos pode trazer tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade
As vezes o povo se esconde se esquece

Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobe
Qual deles mais desce

Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Tem gente que jura que a vida é virtude
Tem gente que faz o bem por falsidade
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o Diabo unidos na prece

Verdade....esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá.... mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá
verdade... esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá...mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá

Sá e Guarabira

Metamorfoses


Das Três Transformações



“Três transformações do espírito vos menciono: como o espírito se muda em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.

Há muitas coisas pesadas para o espírito, para o espírito forte e sólido, respeitável. A força deste espírito está clamando por coisas pesadas, e das mais pesadas.

Há o quer que seja pesado? – pergunta o espírito sólido. E ajoelha-se igual camelo e quer que o carreguem bem. Que há mais pesado, heróis – pergunta o espírito sólido – para eu o ditar sobre mim, para que a minha força se recreie?

Não será rebaixarmo-nos para o nosso orgulho padecer?

Deixar brilhar a nossa loucura para zombarmos da nossa sabedoria?

Ou será separarmo-nos da nossa causa quando ela festeja a sua vitória? Escalar altos montes para tentar o que nos tenta?

Ou será sustentarmo-nos com bolotas e erva do conhecimento e sofrer fome na alma por causa da verdade? Ou será estar enfermo e despedir a consoladores e travar amizade com surdos que nunca ouvem o que queremos?

Ou será nos afundar em água suja quando é a água da verdade, e não afastarmos de nós as frias rãs e os quentes sapos?

Ou será amar os que nos desprezam e estender a mão ao fantasma quando nos quer assustar?

O espírito sólido sobrecarrega-se de todas estas coisas pesadíssimas; e à semelhança do camelo que corre carregado pelo deserto, assim ele corre pelo seu deserto. No deserto mais solitário, porém, se efetua a segunda transformação: o espírito torna-se leão; quer conquistar a liberdade e ser senhor no seu próprio deserto.

Procura então o seu último senhor, quer ser seu inimigo e de seus dias; quer lutar pela vitória com o grande dragão.

Qual é o grande dragão a que o espírito já não quer chamar Deus, nem senhor?

“Tu deves”, assim se chama o grande dragão; mas o espírito do leão diz: “eu quero”.

O “tu deves” está postado no seu caminho, como animal escamoso de áureo fulgor; e em cada uma das suas escamas brilha em douradas letras: “Tu deves!”

Valores milenários cintilam nessas escamas, e o mais poderoso de todos os dragões fala assim: “em mim brilha o valor de todas as coisas”. “Todos os valores foram já criados, e eu sou todos os valores criados. Para o futuro não deve existir o ‘eu quero!’”. Assim falou o dragão.

Meus irmãos, que falta faz o leão no espírito? Não será suficiente a besta de carga que abdica e venera?


Criar valores novos é coisa que o leão ainda não pode; mas criar uma liberdade para a nova criação, isso pode-o o poder do leão. Para criar a liberdade e um santo NÃO, mesmo perante o dever; para isso, meus irmãos, é preciso o leão.

Conquistar o direito de criar novos valores é a mais terrível apropriação aos olhos de um espírito sólido e respeitoso. Para ele isto é uma verdadeira rapina e próprio de um animal rapace.

Como o mais santo, amou em seu tempo o “tu deves” e agora tem de ver a ilusão e arbitrariedade até no mais santo, a fim de conquistar a liberdade à custa do seu amor. É preciso um leão para esse feito…

Dizei-me, porém, irmãos: que poderá a criança fazer que não haja podido fazer o leão? Para que será preciso que o altivo leão se mude em criança?

A criança é a inocência, e o esquecimento, um novo começar, um brinquedo, uma roda que gira sobre si, um movimento, uma santa afirmação.

Sim; para o jogo da criação, meus irmãos, é necessário uma santa afirmação: o espírito quer agora a sua vontade, o que perdeu o mundo quer alcançar o seu mundo. Três transformações do espírito vos mencionei: como o espírito se transformava em camelo, e o camelo em leão, e o leão, finalmente, em criança.

Assim falou Zaratustra”.

Friedrich Nietzsche

Quase aos 30, sou criança. Amém.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008