domingo, 30 de março de 2008

I, Cyborg


Dia desses, pegando a estrada, parei num boteco para fazer um lanche. A conta: (1,80 x 2) + (2,50 x 2) = R$ 8,60 (Referentes à dois salgados e dois sucos de laranja). Noutro dia, almoçando perto do trabalho, a conta foi 7,50 + 2,50 = R$ 10,00. Fácil para fazer de cabeça, né? Em ambos os casos, na hora de fazer o cálculo referente ao pagamento, as garçonetes estavam munidas de papel e caneta. Mas ainda assim, lançaram mão da calculadora.

Impossível não recordar de um conto do Asimov em que, num futuro distante, um homem que era capaz de fazer cálculos simples como adição e multiplicação usando apenas papel e caneta, sem utilizar o computador, foi considerado gênio, pois tal conhecimento fora esquecido, devido a dependência total do Homem em relação à máquina.

Paradoxalmente, recordei de mim mesma nas aulas de físico-química da faculdade, que eu tanto amaldiçoei, pois acreditava se tratar de uma perda de tempo adquirir aquele conhecimento conceitual, tendo em vista que tais cálculos não são mais feitos por humanos, já existem programas que os executam sozinhos.

Separando mais ainda os paralelos, está a questão do tempo. Ele é o único real inimigo do Homem, pois não volta e a cada dia temos a certeza de que dispomos de menor porção do mesmo para gozar a vida e adquirir conhecimento. Então, sob a perspectiva educacional, o que seria melhor? "Pular" uma parte do ensino, já que ele se tornou obsoleto pois certos trabalhos podem ser feitos pela máquina, reservando assim mais tempo para aprendizados mais avançados, para dessa forma, ser possível também que as crianças utilizem sua capacidade de raciocínio em problemas ainda não resolvidos, ou não se deixar escravizar pela máquina, e continuar tudo como está, ainda que isso signifique perder anos valiosos aprendendo coisas que não necessitam mais de nossa intervenção direta?

Talvez a resposta esteja em outro conto profético, do mesmo Asimov, e num projeto já estudado pelo cientista transhumanístico Kevin Warwick, autor do livro "I, Cyborg".

Segundo o conto, num futuro distante, os humanos não frequentariam escolas, mas teriam todo conhecimento que levamos anos para adquirir transmitido em segundos, implantado diretamente na mente. E, de acordo com Kevin Warwick, isso é perfeitamente possível, e ele mesmo já fez questão de implantar em si um chip com o qual conseguia operar um braço mecânico, e não apenas isso, mas também sentir o que a mão mecânica estava tocando. Kevin também obteve sucesso ao implantar em sua mulher um chip, capaz de transmitir "telepaticamente" emoções e sensações entre eles, via sinal elétrico transmitido por Internet.

Os profetas não são exclusividade do passado. Continuaram entre nós, só mudaram de nome. Viraram os escritores de ficção científica. Muitas são as discussões éticas e fobias que envolvem o tema, mas enquanto humana limitada, que não espera muito do processo evolutivo para ver a raça humana se transformar em algo melhor, ponho fé no projeto.

Transhumanismo .
Kevin Warwick


"Se a princípio a idéia não é absurda, então não há esperança para ela."
Albert Einstein

Um sonzinho para acompanhar o tema, Kraftwerk... de 1977! http://www.youtube.com/watch?v=XtPAMlpfdEA

Thunderdome


We Don't Need Another Hero

Tina Turner

Out of the ruins
Out from the wreckage
Can't make the same mistake this time
We are the children
The last generation
We are the ones they left behind
And I wonder when we are ever gonna change it
Living under the fear 'till nothing else remains

We don't need another hero
We don't need to know the way home

All we want is life beyond, the Thunderdome

Looking for something we can rely on
There's got to be something better out there:
Love and compassion
Their day is coming
All else are castles built in the air

And I wonder when we are ever gonna change it
Living under the fear 'till nothing else remains
All the children say:

We don´t need another hero
We don't need to know the way home

All we want is life beyond, the Thunderdome

So, what do we do with our lives?
We leave only a mark!
Will our story shine like a light?
Or end in the dark?
Give it all or nothing

We don´t need another hero...

http://www.youtube.com/watch?v=1p2VjKueoBA

sexta-feira, 28 de março de 2008

Ignorância Ritual



Tinha dois únicos sonhos na infância. Um: Ter um cavalinho. Dois: Ter uma cabrinha (aqueles olhinhos "deitados" sempre me fascinaram). Do cavalo eu desisti, odeio trabalhar e é caro manter um, além de demandar um grande espaço. Se não me mato de trabalhar, não há dinheiro. No money, no horse. A cabrinha ainda está de pé, mesmo com a miséria que eu ganho acho que um dia ainda consigo ter espaço pra ter uma ou mais delas perto de mim.

Na rua onde moro há um terreiro de candomblé. Dia desses, desci a rua para ir à padaria. Havia dois bodes no quintal do tal terreiro. Pela grade do portão os chamei, eles vieram e permitiram que eu lhes acariciasse a cabeça entre os chifres magníficos e lhes coçasse o dorso. Foi uma sensação muito boa, infelizmente seguida da certeza do destino que seria dado àqueles animais.

Ser vegetariano no Brasil é algo complicado, tendo em conta que é um hábito caro. Os produtos para esta minoria geram uma despesa maior no fim do mês do que comer carne, muito embora os bois se alimentem de soja, o que é um contrasenso ridículo. Fora isso, ainda há o gasto com a suplementação vitamínica, pois todo vegetariano que não suplementa B12 com medicamentos fica com deficiência da mesma, fora o ferro, etc. Na realidade a carne é um alimento prático pois reúne em si o que temos que buscar em uma grande variedade de vegetais, o que faz com que o vegetariano perca um enorme tempo na cozinha para ter uma alimentação completa. Levando em conta a realidade do Brasil, nem faço grandes discursos à favor do vegetarianismo, porque pelo menos neste país miserável, é difícil levar este tipo de dieta à frente sem ficar doente. Tenho amigos que gostariam muito de ser vegetarianos, mas que por questões econômicas, não conseguem.

Pois bem, até aceito a matança (embora não aceite as condições em que isso se realiza) para efeito de alimentação, mas... para arriar despacho é demais...

O grande problema em não entender a simbologia das coisas está em... não entender nada, afinal, as próprias palavras são símbolos! As religiões politeístas em sua raiz pura jamais acreditaram que seus deuses efetivamente existissem. Nenhum hinduísta são crê que Shiva exista, ou tenha existido. É um arquétipo, que existe sim, mas não como uma entidade, um ego. É um símbolo, presente em todos nós, já que segundo eles, somos uma pluralidade de deuses. Alguns tem uma influência maior de um determinado Deus que outro, expressando-o com mais intensidade em sua personalidade, mas ninguém é a encarnação do "Deus X" puro.

Analisemos então a seguinte situação: Um determinado terreiro tem um médium que está 'recebendo' um Exu qualquer, Seu Tranca-Rua, vá lá. Um terreiro de um bairro vizinho também tem um médium recebendo a mesma entidade, e o de um outro estado, outra rua, outro município, outro país também, exatamente na mesma hora, falando coisas diferentes, com pessoas diferentes. Como pode isso, já que o "Seu Tranca -Rua" é um só, e eles o entendem como ego, como um espírito de alguém que existiu mas que continua seu trabalho ainda que desencarnado? Será que "Seu Tranca-Rua" é igual ao agente Smith de Matrix, e se multiplica em vários e está em todos os lugares sendo que continua a mesma pessoa? Aff... Me poupem...

Cada divindade do sistema afro-brasileiro representa uma força da Natureza, e é como tal que deveria ser encarada, não como 'alguém'. E ainda que fossem alguém, que tipo de energia seria essa? Que 'alguém' seria esse? Já acho uma prisão ser obrigada a comer, ser obrigada a me servir de algo pesado como a matéria para sobreviver, então, que tipo de energia necessitaria de matéria estando do 'outro lado da linha'? Não me parece que seriam entidades muito elevadas, mas sim espíritos viciados e apegados, e desapego é algo que toda religião prega. Portanto, quem 'arreia despacho' busca comprar favores de alguma coisa que está em contradição com o próprio objetivo de qualquer sistema religioso, e como tal, pode ser encarado como algo sem luz própria, sem poder próprio, já que precisa de alimento para se manter. O que será que eles pensam? Será que acham que as entidades que procuram comprar incorporam nas formigas, moscas e baratas, que são quem realmente se banqueteiam com as oferendas deixadas por eles?

O pior é que se pararmos para analisar a vida de qualquer macumbeiro, vemos que a mesma é repleta de desgraças. Todo macumbeiro que conheço vive na merda. Quando não tem problemas de saúde tem problemas com familiares, com vícios, sexuais, e embora os pais de santo cobrem um montante absurdo de dinheiro para realizar seus 'trabalhos', vivem em dificuldades financeiras.

O Todo é justo.

O que sempre me entristece no mundo é o desperdício, e me deprime ver a vida de tantos animais ser jogada no lixo por conta de uma fé idiota, que não leva ninguém à lugar algum, a não ser rumo à própria desgraça.

O Todo é justo.

Vejamos o caso do Haiti, país onde a religião oficial é o vodu. Nem preciso tecer comentários. Muito menos quanto à África. Aqui se faz, aqui se paga, caros irmãos. Da Lei do Karma ninguém foge, nem as nações.

O Todo é justo.

É a fé a responsável pelo milagre, e ela nada mais é que uma vontade concentrada, que não permite dúvidas. Para fazer magia, posso estar bem aqui, sentada em frente à esse computador, só exercitando o poder do meu pensamento. Quem faz o milagre não são os santos, ou as igrejas ou essa ou aquela religião. Somos nós, independente do uso de amuletos, pertences, fotos, comidas, sangue ou palavras do pastor. Esses artifícios são apenas os canais usados pelos que possuem uma fé débil e que precisam de rituais e espetáculos comunitários para que a mesma aflore.

No entanto, o arquétipo existe, porém obviamente não é um ego, mas parte integrante do inconsciente coletivo, e assume ares de entidade simbolicamente, por ter características humanas marcantes, encontradas em grupos distintos da organização social comum, e encerra em si um conhecimento que ao mesmo tempo é milenar e atual, experimentado por quem já teve contato com ele. Esse conhecimento é vasto pois, sendo o arquétipo simbólico parte integrante do inconsciente coletivo, de tudo sabe, no que tange àquele assunto específico que traduz o símbolo, já que ele mora dentro de todos nós. Por isso que alguns bons médiuns realmente acertam em cheio em suas consultas. Por exemplo, se "receber" Ogum, saberá das lutas nas quais aquele que está consultando está envolvido e sobre seus inimigos; se receber povo de rua, de seus podres; se receber Xangô, dos processos judiciais, etc.

E se querem agradar à essas "entidades", acho que o melhor caminho é, ao homenagear Oxum, procurar não poluir os rios já que essa é a morada dela. Querem agradar Oxóssi? Não sujem as matas (principalmente com as porcarias que levam pra lá como despacho), pois é lá a casa dele. Querem enaltecer Iemanjá? Sempre que forem à praia, catem todo o lixo que estiver à sua volta, e induzam os próximos a fazer o mesmo. Querem homenagear o povo cigano? Viagem muito e acolham viajantes em suas casas. Mimar o povo de rua? Divida com os moradores de rua cigarros e uma "branquinha" quando eles lhe solicitarem (Não acho isso politicamente incorreto. Não é só de pão que vive o Homem). Para Xangô, procurem ser justos, mesmo em meio à cegueira da parcialidade da qual somos todos vítimas. À Ogum, lutem com nobreza por seus objetivos. À Omulu, morram mil vezes em vida, transformem-se. Aí mora o "agrado" real de que essas "entidades" necessitam. À Oxalá... Pratiquem o bem. O resto só serve de comida para os insetos.

E antes que digam que eu não respeito esta ou aquela religião, deixo claro que o que não respeito é a ignorância. E que amo a vida. Qualquer uma. E já que não dá para deixar de lado a liberdade de crenças, mesmo quando ela fere o direito animal ou o bolso das pessoas, isso só faz reforçar a minha crença de que a liberdade realmente não é para qualquer um.

Carl Gustav Jung, você é meu Rei.

terça-feira, 25 de março de 2008

"Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo."


Albert Camus

quinta-feira, 20 de março de 2008

Andróides



Os peitos são de silicone
Os lábios carnudos de metacrilato
Os dentes são brancos de peróxido

Os cabelos lisos de formol

A comida é transgênica

As picas levantam de Viagra

Vaginas secas se molham com KY

A música é sintética
O PC é o novo playground

O espírito da juventude se mantém com GH

Os relacionamentos são virtuais

As vezes os sentimentos também

Rumo à Era de Aquário

Já somos andróides

"Fake Plastic Trees
Radiohead

Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out

She lives with a broken man
A cracked polystyrene man
Who just crumbles and burns
He used to do surgery
For girls in the eighties
But gravity always wins

It wears him out, it wears him out
It wears him out, it wears him out

She looks like the real thing
She tastes like the real thing
My fake plastic love
But I can't help the feeling
I could blow through the ceiling
If I just turn and run

It wears me out, it wears me out
It wears me out, it wears me out

If I could be who you wanted
If I could be who you wanted all the time

All the time...
All the time..."

http://www.youtube.com/watch?v=HeowFbvpu0U

segunda-feira, 17 de março de 2008

Eu Também Vou Reclamar


Agora a moda é reclamar. Há mais ou menos três anos eu já tinha previsto que isso iria acontecer, quando se intensificaram as pesquisas e aumentou a quantidade de informações disponíveis ao populacho sobre o impacto causado pelo homem ao meio ambiente. Previ que o movimento seguinte obviamente seria o do homem depreciando o homem, ao enxergar as consequências da sua ignorância e egoísmo refletido em ganância sobre o meio ambiente. Na época cheguei até a dar o toque em um amigo publicitário/designer/estilista. Disse-lhe que deveria investir em produtos (ou campanhas) que falassem sobre o tema "Homem, oh! Que porcaria", pois essa seria a nova onda mundial.

Bom, o clima já está instalado, mas confesso que tenho achado tudo muito chato. Chato porque todo mundo sabe reclamar, mas ninguém propõe solução alguma, nem tampouco age em prol de colocar em prática as soluções disponíveis. Huxley em 1940 previu um surto de niilismo para os dias de hoje. Vai ver que é isso, as pessoas reclamam e não oferecem solução pois estão sem esperança, vá lá... Mas então, de que adianta ficar sentado reclamando da Humanidade e do mal que ela faz ao mundo? Meu ouvido não é penico, ora!

Ano passado conheci o fotógrafo Rui Faquini, pai de um amigo querido, em Brasília. Rui mantém em sua casa um sistema de coleta de águas pluviais que tem a capacidade de abastecer sua residência, faz tratamento seletivo do próprio lixo, transformando o orgânico em adubo e seu esgoto é seguro. Além disso, é responsável por vários projetos de abastecimento de água em forma de represas pluviais em Brasília. Tá certo que convivi pouco tempo com o Rui, mas nunca o ouvi reclamar. Ao antever o problema (já que há muitos anos, bem antes da modinha, ele já realiza seus projetos), não há perda de tempo com lamentações, parte-se logo para o raciocínio e em seguida, para a ação.

Reclamar é moleza e o paraíso dos habitués do pessimismo, mas pensar em saídas, e, principalmente agir, é o inferno dos preguiçosos. Mas, vamos ser razoáveis... o mundo não vai acabar, a vida vai continuar ainda que aos trancos e barrancos, então ficar enchendo o ouvido dos outros com lamúrias só serve para tirar a esperança dos que ainda a tem e poderiam usá-la como força motriz para fazer alguma coisa.

Existem coisas simples que podem ser feitas por qualquer um, sem doer nada, como diminuir o consumo de sacos plásticos, levando todos os legumes e frutas para serem pesados no caixa, fora dos sacos (alguns supermercados não realizam a pesagem nos caixas, mas naqueles em que o sistema é esse, isso é perfeitamente possível. Em BSB todos fazem isso), levar a velha bolsa de feira às compras (aquelas antigas, de nylon trançado e que ainda viraram item cool no armário das madames), ter um banheiro orgânico (boa solução para aqueles que residem em casas), não descartar óleo na pia ou no lixo e guardá-lo para que seja recolhido (uma universidade do sul do país já tem um projeto de motor movido a óleo de cozinha, e há empresas que realizam a coleta nas residências, bastando para isso a armazenagem de no mínimo quatro litros de óleo), realizar pequenos trajetos a pé ou de bicicleta, evitar ficar "dando rolé" de carro por aí sem objetivo específico, dar carona aos vizinhos para evitar que eles também saiam com seus carros, separar o papelão e as garrafas pet do lixo (não temos coleta seletiva nessa cidade da Idade Média, porém em todos os lugares sempre há catadores que circulam por aí atrás justamente deste tipo de material. Ao vê-los é só pedir para algum deles passar no seu endereço. Ele vai fazer isso, é interesse financeiro dele, e não um favor).

São medidas simples, mas conheço poucas pessoas que implementam e em contrapartida, muitas que se lamentam, o que é inútil, ou melhor, nocivo, porque ainda chateia os outros pela absoluta falta de novidade no discurso. Como dizia minha sábia vovó: Vira o disco, ô meu!

E virando o disco, Madame Zoraide faz uma nova previsão. Depois da onda "O homem é uma merda", como tudo é feito de ciclos, virá a onda "O homem é o máximo". Existem alguns estudos que tiram dos ombros da Humanidade pelo menos um pouco do peso que ela carrega pelas mudanças no meio ambiente. Um dos maiores defensores do tema é o brasileiro José Carlos Azevedo, doutor em física pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA) e que também foi reitor da Universidade de Brasília. Segundo ele, as mudanças climáticas que vem ocorrendo na Terra nada tem a ver com o que o homem faz ou deixa de fazer, mas sim com os ciclos solares. Em 07 de novembro do ano passado, publicou o seguinte artigo no jornal O Estado de São Paulo:

"O aquecimento da Terra

José Carlos Azevedo

Em novembro de 2000, na conferência que proferiu no Festival de Medicina do Milênio, patrocinado pela Associação Médica Britânica, o príncipe Charles disse não ter dúvida de que a doença da vaca louca e as severas mudanças climáticas em seu país decorrem do aquecimento global e que este é fruto do “descaso arrogante da humanidade em relação ao equilíbrio da natureza”. A correlação entre clima e encefalopatia espongiforme bovina é estapafúrdia, tanto quanto supor, como fez o príncipe, que alterações atmosféricas isoladas têm algo que ver com a mudança do clima, pois apenas as que se manifestem durante longos períodos podem causá-la, o que é confirmado no terceiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU (pág. 5). O príncipe tampouco sabia que o número anual de tempestades tem sido decrescente nos últimos 30 anos, entre 30 e 60 graus de latitude norte, onde está o seu país.

Ao contrário do que dizem os que alarmam a população com falsas novidades e litanias sobre o dia do Juízo Final, o aquecimento da Terra é assunto antigo: os estudos científicos são anteriores a J. B. Fourier, que, em 1827, discutiu esse tema nos Anais do Institut de France (t. VII), que foi retomado em 1896 pelo sueco S. A. Arrhenius, Prêmio Nobel de Química de 1903, na Philosophical Magazine (41, 237-276), onde analisou a influência do CO2 no ar sobre a temperatura no solo e chegou a resultados pouco diferentes dos que são hoje conhecidos.

No livro Meltdown (Derretimento, Cato Institute, 2004), o festejado climatologista Patrick J. Michaels, com sabedoria e ironia incomparáveis, desmantelou previsões erradas de cientistas, de políticos e da mídia sobre o aquecimento global - seu livro tem o subtítulo The Predictable Distortion of Global Warming by Scientists, Politicians and the Media. Michaels lembrou que Arrhenius se valeu apenas de seus conhecimentos científicos e de lápis e papel para prever as variações de temperatura causadas por concentrações de CO2 na atmosfera e que seus cálculos revelam números apenas 60% superiores aos conhecidos hoje, que, disse ele, são obtidos ao custo de mais de US$ 20 bilhões, gastos com pessoas, computadores, hotéis, reuniões, viagens, modelos climáticos, etc. Em sua última reunião, cerca de 2.500 integrantes do IPCC chegaram a 245 valores diferentes entre 1,5 e 4,5 graus centígrados para o aumento de temperatura nos próximos cem anos, um enorme intervalo que também comprova o pouco apego da ONU à precisão numérica, pois revelou em 1980 que a Terra teria 15 bilhões de habitantes em 2050, número que corrigiu recentemente para 9 bilhões.

O degelo na Groenlândia tem sido apontado como prenúncio da hecatombe que elevaria o nível dos mares em vários metros. O mesmo relatório do IPCC, todavia, revela que ele ficará entre 2 e 9 centímetros. Tão leigo quanto o príncipe inglês, o senador norte-americano J. Lieberman afirmou em 2001: “A administração Bush ignora o terror do perigo ambiental e nega a realidade de 2.500 cientistas da ONU que nos dizem que, se não encontrarmos um meio de conter o aquecimento global, o nível dos mares poderá crescer para 35 pés (uns 11 metros) e submergirá milhões de lares sob os oceanos.” O senador também ignora que há milênios, quando não havia poluição, a concentração de CO2 na atmosfera foi 15 vezes superior à atual e que a ação do homem é infinitamente menor que a da natureza, pois esta desloca os continentes, levanta cadeias de montanhas, explode vulcões, gera tsunamis e aquece o Pacífico.

Outro ícone dos alarmistas é o Monte Kilimanjaro, que efetivamente perdeu enorme quantidade de neve; segundo Michaels, o jornal The New York Times de 19/2/2001 afirmou: “A capa de gelo no cimo do Kilimanjaro, que por milhares de anos flutuava como um sereno farol sobre a tremeluzente planície da Tanzânia, está recuando com tal velocidade que desaparecerá em menos de 15 anos, de acordo com estudos recentes.” A verdade é outra: as medições de temperatura feitas em 1912, 1953, 1976, 1989 e 2000 e mais recentemente por satélites mostram que a temperatura nas imediações do monte tem diminuído; a quantidade de neve não depende apenas da temperatura, mas também da umidade do ar e, nessa região, ela varia com o El Niño, que é gerado no Oceano Pacífico e ocorre com regularidade há milhões de anos.

O aquecimento da Terra é real, é lento e não há comprovação científica de que seja irreversível ou influenciado pelo homem. Com certeza, nada pode ser feito para alterá-lo, pois até fenômenos astronômicos conhecidos se correlacionam a mudanças climáticas - as manchas solares e a precessão, por exemplo. Além disso, toda a energia consumida pela humanidade por dia é 7 mil vezes inferior à que a Terra recebe do Sol no mesmo período. Por isso, resta aos governos incutir na população a importância da preservação, coibir os danos causados pela poluição - em particular a mental, de muitos dirigentes - e verificar que são inúteis as revoadas de políticos, diplomatas, burocratas, leigos e cientistas da ONU para locais aprazíveis como o Rio, Viena, Kyoto e Bali para “conter o aquecimento global.”

Cabe, assim, transcrever as palavras finais de Eugène Ionesco em seu primoroso artigo A cultura não é assunto de Estado, onde apenas substituí as palavras cultura e culturais por aquecimento global: “Quando ouço os homens de Estado, políticos, diplomatas internacionais, com suas grossas pastas e sua sobranceria falarem de aquecimento global, tenho vontade de tirar o meu revólver. Então, por que se metem os diretores da Unesco, por que se metem os políticos, os ministros nos assuntos do aquecimento global? Os assuntos do aquecimento global não são, a propósito, seus assuntos.”

A este artigo, Carlos Nobre respondeu na Folha de São Paulo:

"Sobre um físico e a feliz ignorância

Embora seja evidente o risco futuro representado pelas mudanças climáticas, ainda há quem prefira continuar vivendo em feliz ignorância

Por Carlos Nobre*

O artigo de José Carlos Azevedo ("O Aquecimento da Terra", no jornal "O Estado de S. Paulo", 7/11) surpreende em pelo menos um aspecto. Por um lado, presta justificada homenagem ao famoso físico-químico sueco Svante Arrhenius, o primeiro cientista a prever, em 1896, o aquecimento global devido ao aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera. Mas, logo depois, paradoxalmente, atribui a causas naturais o aquecimento global observado à superfície no planeta Terra. Arrhenius deve ter se revolvido no túmulo ao ver um colega físico formado pelo prestigioso MIT (Massachusetts Institute of Technology, dos EUA) maltratar tanto a física.

Para justificar que as ações humanas não seriam capazes de alterar o clima da Terra, o articulista lança mão do fato de que a energia solar recebida pela Terra é milhares de vezes maior que o total de energia utilizada pelas atividades humanas.

A física de sistemas complexos -e o sistema climático global é um sistema complexo- nos ensina que não é necessário movimentar energias comparáveis àquelas utilizadas nos fenômenos climáticos para alterá-los. Basta que a perturbação atinja um ponto sensível desse sistema.

Esse "ponto sensível" é a mudança na composição da atmosfera, com a injeção maciça de gases de efeito estufa -numa velocidade maior do que a atmosfera pode dispor dos gases, resultando na acumulação atmosférica destes-, que aquecem a superfície e a baixa atmosfera. É, no mínimo, incomum um bom físico não reconhecer isso, conhecimento bastante básico em física e em outras ciências.

Azevedo se utiliza da falácia "non sequitur", em que a conclusão não segue das premissas, para confundir. Argumenta que, se modelos demográficos não foram bons para prever a população da Terra nas últimas décadas, então modelos climáticos não o são para prever a temperatura do planeta nos próximos 50 anos. É confundir alhos com bugalhos.

Modelos de crescimento populacional buscam quantificar tendências futuras em função de taxas de natalidade e mortalidade presentes e estimadas para o futuro imediato. É sabido que sistemas sociais não seguem leis universais e seria quase impossível prever, há 30 anos -para citar um exemplo demográfico brasileiro-, a vertiginosa queda da fecundidade da mulher brasileira.

As ferramentas utilizadas para chegar às projeções das mudanças climáticas são modelos matemáticos do sistema climático que utilizam as leis universais da física. Por exemplo, as taxas de absorção da radiação térmica pelos gases de efeito estufa -que explicam a física elementar deste efeito e do aquecimento global- são muito bem conhecidas e não mudam de década para década. Aliás, são constantes da física quântica que não se alteraram desde o surgimento desses gases nos primórdios do universo, há mais de 13 bilhões de anos.

O ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) se utiliza de outra falácia: "argumentum ad hominem", o ataque ao argumentador. Segundo ele, os dirigentes envolvidos com as mudanças climáticas sofrem de poluição mental e escolhem lugares aprazíveis para realizar suas reuniões (Rio, Viena, Kyoto, Bali) e, portanto, não podem ser levados a sério e não necessitamos prestar atenção ao que dizem.

Na realidade, os relatórios do IPCC avaliam amplamente, a cada cinco a seis anos, o avanço do conhecimento científico sobre as mudanças climáticas e representam os consensos dos milhares de cientistas que deles participam, em que se documenta meticulosamente o que é sabido e também as incertezas sobre as mudanças climáticas que já estão ocorrendo e sobre as projeções para o futuro. No momento em que a ciência aponta riscos e perigos da continuidade da trajetória atual de emissões, cabe à classe política estabelecer políticas públicas de enfrentamento às ameaças potenciais.

A Convenção do Clima da ONU e seus desdobramentos são ações políticas em resposta a um desafio de proporções globais, motivado por consensos e projeções de cientistas, algo raro de acontecer no concerto das nações. Como disse recentemente o presidente da Convenção do Clima, Yvo de Boer, é criminalmente irresponsável não atuar imediatamente para reduzir o risco futuro representado pelas mudanças climáticas. No entanto, há ainda aqueles que preferem continuar dormindo em berço esplêndido e viver em feliz ignorância.

* CARLOS A. NOBRE, doutor em meteorologia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology), é pesquisador titular do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), presidente do IGBP (International Geosphere-Biosphere Programme) e participante como autor do quarto relatório de avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês), de 2007."

A réplica recebeu como tréplica de José Azevedo o seguinte artigo, também na Folha:

"Um bem-aventurado e sua douta ignorância

Sem um argumento científico para contestar o que eu disse sobre o clima da Terra, Carlos Nobre atribuiu a mim erros que não cometi

Por José Carlos Azevedo*

Com atraso, pouca educação e menores conhecimentos científicos, o sr. Carlos Nobre, do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, na sigla em inglês) e do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), publicou neste espaço, no dia 13/12, o artigo"Sobre um físico e a feliz ignorância" para criticar texto de minha autoria publicado em "O Estado de S. Paulo" de 7/11, "O aquecimento da Terra". Bastaria dizer "non sequitur" para respondê-lo. Sem um só argumento científico para contestar o que eu disse, atribuiu a mim erros que não cometi e acobertou-se em expressões latinas triviais.

Foi além: insinuou ter conhecimentos de física que não tem e falou de "constantes da física quântica que não se alteram desde o surgimento desses gases nos primórdios do universo, há mais de 13 bilhões de anos", afirmação errada, pois elas variam; ele nada entende de "renormalização" nem dos estudos iniciados por Dirac em 1937 sobre variação da constante gravitacional.

Para impressionar, falou de "física dos sistemas complexos", ramo da matemática iniciado por Poincaré no século 19 e inútil para provar que o CO2 gerado pelo homem é a causa do aquecimento.

A física pueril do sr. Nobre é do século 19, sem quanta e sem relatividade, e a meteorologia não é ciência por não ter a capacidade de prever; ninguém prevê o clima com mais de um mês de antecedência, apesar das "projeções por computador", que valem pouco. O sr. Nobre deve também confiar no Almanaque Capivarol e ignora que "a ciência é feita de fatos, como uma casa é feita de pedras, mas uma acumulação de fatos não constitui uma ciência, como uma de pedras não faz uma casa" (H. Poincaré, "La Science et l'Hipothèse").

O resumo do meu artigo é simples: o IPCC é um órgão político, e não científico, e não há prova de o CO2 gerado pelo homem influir no clima da Terra, que sofre outras influências: manchas solares, raios cósmicos, neutrinos, ciclos da Terra em sua órbita, vulcanismo, nuvens, correntes oceânicas etc.

O leitor interessado na opinião de renomados cientistas sobre o IPCC pode ler na internet a conferência de Antonino Zichichi, presidente da Federação Mundial de Cientistas, feita neste ano no Vaticano para o Conselho Pontifício de Justiça e Paz, em que criticou a debilidade dos modelos matemáticos do IPCC; disse que o tema do aquecimento deve voltar aos laboratórios e não cabe em foros onde alarmistas buscam notoriedade.

Leia também os seminários internacionais sobre emergências planetárias, da fundação Ettore Majorana, Erice, Itália. Leia o que disse, na Universidade de Wisconsin e em "The Third Culture", Freeman J. Dyson, de Princeton, um dos criadores da eletrodinâmica quântica.

Leia o depoimento do festejado meteorologista Robert M. Carter, "Public Misconceptions of Human Caused Climate Change", no Senado dos EUA, com críticas ao IPCC, em que disse: "É fato notável que, apesar dos gastos em escala mundial de cerca de US$ 50 bilhões e dos esforços de dezenas de milhares de cientistas, nenhum sinal climático foi detectado que seja inequivocamente distinto das variações naturais".

Na mesma linha, há o depoimento, no mesmo Senado, do meteorologista do MIT Richard Lindzen. Henrik Svensmark, Christopher Landsea, Paul Reiter, Claude Allègre, Hendrik Tennekes... Descabe a lista enorme de cientistas críticos ao IPCC.

O clima na Terra muda sempre e nada indica que sofre influência humana. Por isso, basta dizer ao sr. Nobre: afaste-se de seus mentores Al Gore e Arnold Schwarzenegger, o "Exterminador do Futuro"; leia o "Manual da Redação" da Folha, pois o seu texto é muito confuso; insista em sua profissão, que é extremamente importante, e lembre-se do exemplo de Demóstenes, o maior orador da Antiguidade: nasceu gago e venceu essa limitação discursando, para bravias ondas do mar, com umas pedrinhas na boca; por isso, estude muita física, assunto que conhece pouco. E encontre conforto espiritual no Evangelho de são Mateus: "Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus".

Carlos Nobre não tornou a fazer qualquer comentário sobre o assunto.

Ainda sobre o tema, no site da Frente Parlamentar Ambientalista, consta a seguinte notícia, um pouco mais recente:

"Grupo contraria teorias sobre o aquecimento global e critica IPCC

Um grupo de cientistas entregou, no dia 14/02/2008, ao ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) documento que questiona a influência da ação humana nos fenômenos das mudanças climáticas globais.

“A conservação ambiental não tem nada a ver com o aquecimento global, esta é a nossa principal mensagem”, disse Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Os integrantes do grupo afirmam ser “céticos sobre a existência do aquecimento global”.

Os dados apresentados fazem parte do projeto internacional Cloud, que reúne 24 instituições de ensino universitário de dez países para analisar a influência de raios cósmicos na atmosfera e no clima da Terra.

Baseados em dados desta iniciativa, os signatários do relatório entregue ao MCT afirmam que dentro de 20 anos a temperatura do planeta estará mais baixa e questionam as conclusões do IPCC, o painel da ONU sobre mudança climática que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Os dados do painel seriam “alarmistas” e o Protocolo de Kyoto, “inútil”.

“O que nós queremos é mais democracia para debater o assunto, só uma voz tem lugar na imprensa hoje”, afirmou o economista Mark Lund.

Os pesquisadores disseram que pretendem organizar seminários em São Paulo para debater publicamente a teoria.

O IPCC, dizem os “céticos”, não levaria em conta dados sobre o comportamento da temperatura do planeta há centenas ou milhares de anos e partiria de premissas equivocadas. “Há interesses financeiros por trás do IPCC, a gente não consegue trazer a verdade”, disse Fernando Mendonça, ex-presidente do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera, afirmam, seria resultado, e não causa, da elevação da temperatura. O aquecimento da atmosfera, segundo o documento, é fruto dos raios cósmicos.

Para José Carlos Azevedo, ex-reitor da UnB e um dos autores do documento, o encontro com Rezende foi “bom para iniciar o debate”. “A receptividade foi muito boa, o ministro é um homem esclarecido, físico pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Rezende não quis falar com a imprensa após encontro. Assessores do ministro afirmaram que as informações recebidas já foram encaminhadas ao IPCC, que deve debater a validade da teoria apresentada."

Creio que devemos continuar a fazer o que pudermos pelo meio ambiente, cada um com a sua tarefa, fazendo sua parte. Porém, sem alarmismos extremistas. E para os leitores que se envolveram emocionalmente em demasia com o "Uma Verdade Inconveniente" do Al Gore, pelo visto, são grandes as chances de que o estresse provocado por tal envolvimento tenha contribuído para aumentar os seus radicais livres e por conseguinte suas rugas e seus cabelos brancos à toa. No fim das contas, vocês podem ter parado no meio de um fogo cruzado entre interesses políticos, pegos pelo filão emocional novelesco da coisa. Espero que ao menos, tenham curtido a pipoca (que se não for light, ainda tem gordura trans). E despeço-me por hoje dos radicais ambientalistas desesperados com uma frase do próprio Al Gore, proferida no filme:

"Algumas verdades são difíceis de ouvir porque, se você realmente as ouvir, e entender que elas são realmente verdade, então você tem que mudar. E mudar pode ser muito inconveniente"


"Eu Também Vou Reclamar
Raul Seixas - Paulo Coelho

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar

Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam
Eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto
De pijama porque tem
Visita estranha na sala
Aí eu pego e passo
A vista no jornal

Um piloto rouba um "mig"
Gelo em Marte, diz a Viking
Mas no entanto
Não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam
A verdade do Universo
A prestação que vai vencer
Entro com a garrafa
De bebida enrustida
Porque minha mulher
Não pode ver

Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer

Olho os livros
Na minha estante
Que nada dizem
De importante
Servem só prá quem
Não sabe ler

E a empregada
Me bate à porta
Me explicando
Que tá toda torta
E que já que não sabe
O que vai dá prá mim comer

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada
Prá escolher

Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor

Que eu já passei
Por Elvis Presley
Imitei Mr. Bob Dylan
Eu já cansei de ver
O Sol se pôr

Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor

E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou dá?

E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar

E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
que eu quero chegar
-E fim de papo!"

http://www.youtube.com/watch?v=MqQq_ykY_j0

domingo, 16 de março de 2008


Suco Preto do Diabo
Limpador de Mármore
Mamadeira de Gordo
Bronzeador de Pobre
Ultra Mega Corporation
Arroto Instantâneo
Vício
Festa dos Teóricos-da-Conspiração-Paranóicos-Crônicos de Plantão
(pela eterna suspeita de conter cocaína)
Ladrão de Cálcio
Futilidade
Vazio Nutritivo
Amarela-Dentes
Supérfluo
Fórmula Secreta

Coca-Cola é isso aí!



O Ronald recomenda!
(amo muito tudo isso)




sexta-feira, 14 de março de 2008

Empty Garden


Tributo de Elton John à John Lennon

Empty Garden

"What happened here,
As the New York sunset disappeared?
I found an empty garden among the flagstones there.
Who lived here?
He must have been a gardener that cared a lot,
Who weeded out the tears and grew a good crop.
And now it all looks strange.
It's funny how one insect can damage so much grain.

And what's it for,
This little empty garden by the brownstone door?
And in the cracks along the sidewalk nothing grows no more.
Who lived here?
He must have been a gardener that cared a lot,
Who weeded out the tears and grew a good crop.
And we are so amazed! We're crippled and we're dazed....
A gardener like that one, no one can replace.

And I've been knocking, but no one answers.
And I've been knocking, most all the day.
Oh and I've been calling ,oh hey, hey, Johnny!
Can't you come out to play?

And through their tears,
Some say he farmed his best in younger years.
But he'd have said that roots grow stronger, if only he couldhear.
Who lived there?
He must have been a gardener that cared a lot,
Who weeded out the tears and grew a good crop.
Now we pray for rain, and with every drop that falls.....
We hear, we hear your name.....

And I've been knocking, but no one answers.
And I've been knocking, most all the day.
Oh and I've been calling ,oh hey, hey, Johnny!
Can't you come out to play,
In your empty garden?
Johnny?
Can't you come out to play, in your empty garden?"

http://www.youtube.com/watch?v=dZzXEFDznoA

quarta-feira, 12 de março de 2008

O Mundo é Gay


Observando como sempre, noto que o momento é... gay! Nunca vi tantos bis, gays, lésbicas, sapas e afins por aí. Absolutamente nada contra. Na verdade, tudo a favor. Explico o motivo do apoio adiante.

Uma primeira impressão pode nos levar a crer que o boom gay ocorre por conta da repressão ao preconceito, que leva o discriminador a ficar de boca fechada ante o alvo da sua antipatia. Pode-se pensar que a quantidade de homossexuais sempre foi a mesma e que a diferença seria apenas o fator armário, que levava nossos amigos do arco-íris a enrustir suas preferências com medo do julgamento social.

Porém se o observador se der ao trabalho de empreender um segundo golpe de vista, vai perceber que mesmo as crianças já andam revelando outro tipo de comportamento, de tendência (a propósito, existe um bar gay em Vila Isabel com esse nome, o que nos informa que a coisa é moda mesmo!), diferente do adotado outrora.

As meninas que conheço e que se encontram na faixa dos 16 aos 25 anos, em sua maioria, já tiveram experiências homossexuais. Mesmo antes da adolescência, na fase infantil, percebo quando ando pelas ruas que elas estão usando roupas mais masculinas e apresentam comportamento marcadamente mais bruto. Digo o mesmo dos meninos, que a cada dia estão mais delicados. Ou seja, inevitavelmente chego à conclusão de que realmente houve um aumento quantitativo na população gay, e a tendência é que esse número aumente.

Há um tempo atrás, lendo os trabalhos de uma discípula de Jung, Marie-Louise von Franz, encontrei uma explicação que pode ser a chave da questão. Antes de chegar às vias de fato, preliminares sempre são bem vindas, então faço uma breve apresentação da idéia: Existe uma espécie de peixe, o Guppy (Poecilia reticulata), que se posto em um aquário com outros de mesmo sexo é capaz de fazer a mudança de gênero, em prol da continuidade da espécie (outros animais, como os sapos, também fazem isso).

Bem... A Natureza é sábia, e possui inteligência própria. A vida, o impulso da continuidade dessa centelha é protegido pela Mãe Natureza, ainda que o indivíduo não se dê conta disso (duvido que os peixes saibam o que lhes acontece e porquê). Assim como a Natureza consegue dar seu 'jeitinho' quando a proliferação de determinada espécie está baixa, ameaçando a continuidade da mesma, porque não o faria quando ocorre o contrário, ou seja, quando é a intensa reprodução que a ameaça? (Espero que o caríssimo leitor esteja ciente de que o principal problema que o Homem causa tanto para o planeta quanto para si mesmo é a superpopulação)

Embora estejamos apartados da Natureza e sejamos um monte de urbanóides que não sabem nem sequer distinguir em que fase da Lua estamos ao olhar pra ela, continuamos a ser filhos de Gaia e obedecemos a pulsos inconscientes que muitas vezes estão acima da compreensão do indivíduo, assim como ocorre com os peixes. Foi nos estudos de von Franz que encontrei a resposta para o excesso de homossexuais. Seria a Natureza se defendendo, reestabelecendo o equilíbrio, de forma sutil e terminantemente exata, pois ela nunca erra.

Ando até mais tranquila com relação ao futuro do mundo, pois me alarmava a quantidade de bocas para comer e formar lixo por aí. Há algo ou alguém bem mais inteligente que a raça humana - que em sua maioria nunca reflete sobre as consequências dos próprios atos; para reparar os danos que poderiam ser causados tanto ao meio ambiente quanto à própria espécie. A nova geração, quando em idade adulta, provavelmente vai ter um perfil bem diferente do nosso. Ainda bem! E viva o Arco-Íris!

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Historinha surreal sobre o tema: Um amigo gay (meus melhores amigos são gays) descobriu um lugar do outro lado da poça que se assemelha a um bar quando visto de fora, mas que é na verdade um cinema e prostíbulo gay, onde rapazes na faixa dos 16 aos 22 anos oferecem seus servicinhos por módicos 10 reais. Meu amigo contratou um deles e na hora do serviço, o tal rapaz resolveu cobrar 15 reais. Meu amigo se negou a pagar os cinco a mais, pois ele não queria fazer grandes coisas, e só desejava brincar de pirulito-que-bate-bate. Diante da recusa, o rapaz protesta: "Mas o baile custa 15 reais..." Ah sim, prostituição é coisa que se faz em casos de extrema necessidade, nossa, e como é....


segunda-feira, 10 de março de 2008

Mulheres


O dia internacional da mulher já passou, mas como eu estava viajando, a homenagem vem atrasada (como eu, aff!), mas chega na "voz" cheia de propriedade de Raul Seixas:

Ave Maria de Rua

Composição: Raul Seixas/Paulo Coelho

No lixo dos quintais
Na mesa do café
No amor dos carnavais
Na mão, no pé, oh
Tu estás, tu estás
No tapa e no perdão
No ódio e na oração
Teu nome é Yemanjah,
Yemanjah

E é Virgem Maria
É Glória e é Cecília
Na noite fria
Ou, minha mãe
Minha filha, tu és qualquer
mulher
Mulher em qualquer dia

Bastou o teu olhar
Teu olhar
Pra me calar a voz
De onde está você
Rogai por nós
Minha mãe, minha mãe
Me ensina a segurar
A barra de te amar

Não estou cantando só
Cantamos todos nós
Mas cada um nasceu
Com a sua voz,
Pra dizer, pra falar
De forma diferente
O que todo mundo sente

Segure a minha mão
Quando ela fraquejar
E não deixe a solidão me
assustar
Minha mãe, nossa mãe
e mata minha fome
Nas letras do teu nome

Minha mãe, nossa mãe
E mata minha fome
Nas letras do teu nome
minha mãe, nossa mãe
E mata minha fome
Na glória do teu nome.