segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Hello Nazi!


O último sábado não foi o de Aleluia, mas não faltou quem não estivesse procurando um Judas para "malhar". Helicóptero da PM abatido, iminência de guerra civil, briga entre facções rivais do tráfico de drogas. Um momento que ofereceu a oportunidade perfeita para observar o que realmente se passa com o brasileiro, uma vez que essas ocasiões onde a "sede de justiça" clama mais alto geralmente costumam derrubar certas barreiras morais...

Consulto regularmente um periódico online que libera comentários dos leitores para as notícias. Como de costume fiz isso no sábado, e, nas páginas cujo assunto era a queda do helicóptero, pude observar que os ânimos estavam exaltados e que os comentários estavam cada vez mais demonstrando traços de segregacionismo. Resolvi então fazer um "experimento sócio-antropológico": Postei um comentário cujo teor era um pouco mais "ousado" que aqueles já postados na página do periódico. Meu objetivo era medir o grau de "nazismo" dos meus compatriotas, que se dizem tão livres de preconceitos e se orgulham de viver em uma nação cuja mistura de raças fez do Brasil um país onde, tecnicamente, não há conflito de etnias ou classes sociais.

Como eu na verdade já esperava, essa "ausência de preconceitos" do brasileiro é pura conversa para boi dormir. Após o meu comentário, dezenas de pessoas "engrossaram o caldo", aproveitando o fato de alguém ter sido mais contundente antes delas... Liberou geral, abri a caixa de Pandora ao retirar as amarras morais dos comentaristas: A sessão se transformou em uma amostra perfeita da hipocrisia tamanha que é o pensamento politicamente correto - Coisinha bonitinha, mas que só serve no papel.

Alguns pediam bombas nas favelas, que enfeiam a cidade e cujos habitantes são temidos e "vivem às custas de todo o restante da população" e cuja morte seria justificável pois são "todos bandidos, porque são cúmplices". Outros tantos pediam a castração dos mesmos. Paulistas pediam que o Rio de Janeiro fosse todo destruído, pois "no Rio só há vagabundos e putas". Brancos culpavam o "instinto de ladrão" dos negros. Negros culpavam brancos pela sua "falta de oportunidade". Uns gritaram que a culpa é dos nordestinos que invadiram a cidade e se instalaram nas favelas. Gaúchos pediam que seu estado se tornasse independente do Brasil. Pobres culpavam burgueses. Ricos diziam que a culpa é dos miseráveis ignorantes. Houve negro culpando negro, e se dizendo "homem de cor" ao tentar se colocar acima dos de mesma etnia a que estava culpando. Todo tipo de ataque segregacionista, por mais surreal que pareça - uma vez que gays e mulheres não têm nenhuma ligação com o abate da aeronave - começou a ocorrer.

Não é difícil imaginar como Hitler conseguiu convencer toda Alemanha a lhe seguir. Ele apenas se aproveitou de uma característica humana comum e a estimulou com maestria. A discriminação, o horror às diferenças, a necessidade de apontar o dedo para algo fora de si mesmo e lhe atribuir culpa são atributos humanos que podem diferir em intensidade ou objeto, mas que estão presentes em todos nós, e mesmo aqui, na nação mais miscigenada do planeta - o que é um contrasenso interessante. O nova ordem mundial com seu discurso politicamente correto só calou as bocas ao transformar em crime a manifestação destas características, mas não retirou de dentro do homem essa inclinação ao ódio.

Nossa complacência é mentirosa, falsa e hipócrita. O oprimido de hoje sonha em ser o opressor de amanhã - Bom exemplo é o dos negros que acusam os brancos de racismo mas que possuem publicações e programas de TV exclusivos para negros, e que ostentam camisas com a inscrição "100% negro" orgulhosamente. Se um caucasiano usar uma camisa com o emblema "100% branco" será taxado de preconceituoso. Qual a diferença entre um e outro eu sinceramente não consigo perceber.

Ao fim do meu breve "estudo sócio-antropológico" só pude chegar à uma conclusão: Somos todos nazistas.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Apolo Vs. Dionísio

Fight!

Jung dizia que todo fanatismo é resultado da compensação de uma dúvida interna. Não sei se isso se aplica a todo mundo, mas acho que cabe bem no meu caso. Depois da fatídica experiência de 2005, houve em mim uma cisão: Uma parte estava satisfeita e havia compreendido tudo através do silêncio, mas outra não entendeu absolutamente nada. Afinal, o que é que foi aquilo?

Outras experiências se seguiram, e a impressão que sempre fica registrada em mim através delas é a de que aquele estado é o real. Pressinto, firmemente, que quando volto ao "normal" é que estou envolta por uma ilusão e tudo o que existe de fato está lá, não aqui. Isso me fez duvidar da minha sanidade mental bilhões de vezes e desde aquele dia não houve um sequer em que eu não tenha me questionado à respeito da natureza daquele acontecimento. Entretanto, minha postura exterior sempre foi a mais confiante o possível, uma vez que eu não queria externar meu desalento frente a essa enorme pergunta sem resposta: Onde está, afinal, a realidade?


Comecei a procurar a resposta nas fontes de que dispunha, e cheguei primeiramente às religiões. As descrições de visões e sensações obtidas durante experiências místicas eram semelhantes às minhas, mas, no fim das contas, percebi que eram apenas descrições, não explicações. Tudo o que encontrei nesta fonte, eu já sabia... Mas ainda assim foi alentador descobrir que eu não estava só nas minhas percepções.


Cheguei então a Jung. Suas descrições sobre o inconsciente coletivo e o self foram uma grande ajuda, e encontrei nos estudos dele correlações perfeitas com algumas das minhas experiências, mas não todas. O fato é que as trips possuem subníveis, e os relatos dele a respeito do encontro com o numinoso explicaram alguns destes subníveis. Mas a coisa ainda me parecia... humana demais. Não... Não era apenas isso. Ainda estava além, e a pergunta continuava sem resposta.

Continuando com a minha busca, encontrei com o biólogo Rupert Sheldrake e a Teoria dos Campos Mórficos. Para resumir do que se trata, essa teoria postula que tudo é informação, e que esta rede de dados paira sobre nós todo o tempo, bastando apenas que nos conectemos à ela. É informação permeando tudo, e em Jung o inconsciente é que seria o responsável por esse papel, então percebi que dá para traçar um paralelo entre os dois. Segundo Sheldrake, quando alguém faz uma descoberta em algum lugar qualquer do mundo, a informação é liberada no que eu chamaria de "rede", tornando possível que outras pessoas, mesmo sem ter contato com o autor da descoberta, cheguem à mesma conclusão cada vez mais rápido, conforme o número de pessoas que detém esta informação aumenta. Se não me engano, ele (ou outra pessoa, não lembro bem agora) fez um experimento do tipo utilizando palavras-cruzadas. Após um indivíduo completar o passatempo, os outros conseguiam terminar a tarefa progressivamente mais rápido à medida que a quantidade de indivíduos que havia completado a tarefa aumentava. Em outras palavras: É mais fácil aprender algo que alguém já aprendeu.
Ele fez experimentos com cães, que sempre sabem quando os donos estão para chegar em casa, mesmo que seus horários sejam irregulares. Ele possui relatos de cerca de 580 cães que foram observados com este comportamento. É como se o cão captasse essa informação, que está "boiando" em algum canto.
Sheldrake trabalha também com o conceito de memória coletiva, algo como uma memória comum às espécies.

Beleza, Sheldrake foi bem interessante mas ainda assim eu achava que algo estava faltando. Na verdade Jung e Sheldrake estão falando da mesma coisa, a única diferença é o campo científico que abordam. Mas o que eu percebi era maior.


Dionísio clamava para que eu simplesmente me entregasse e esquecesse de todas estas questões... Mas Apolo gritava do outro lado, pedindo atenção. E os dois irmãos precisam ser estimulados da mesma forma, pois ambos se complementam, apesar de opostos. Dionísio vive no inconsciente e na escuridão, Apolo clama para si a luz. E não se vive apenas na luz ou nas sombras. Existe o dia e existe a noite.


Admito que de tanto pensar a respeito, quase entrei em colapso. Até meu corpo sofreu por conta da minha fadiga mental. A experiência é tão forte que não se pode simplesmente esquecer dela. Ela vira parte de você.


Até que um dia...

David Bohm! Bum!
(Bohm tem o legítimo processador Fish Inside)


Bohm foi aluno de Oppenheimer e trabalhou com Einstein... E para os fins que me interessam... É um dos principais contribuintes à Holocosmologia.
Descrevo na íntegra um texto bastante simples que elucida a teoria, retirado do site da Universidade Federal de Minas Gerais:


"HOLOCOSMOLOGIA

Talvez o tema central na Física seja tentar descrever precisamente, em termos consistentes, os mecanismos do nosso universo percebido. Uma das maiores dificuldades em uma ciência como esta, é que mais e mais dados se acumulam em relação à verificação das hipóteses, novas incertezas começam a surgir, resultando em mais perguntas sem resposta e explicações insuficientes.

Assim tem sido o caso na discussão de como matéria e energia moldam o nosso universo, e, mais fundamentalmente, o que é esta "coisa" que faz tudo ser o que é (justo quando nós pensamos que temos tudo solucionado, logo aparece um buraco negro para destruir todas as velhas teorias).

Nosso maior problema deve ser que quando vamos procurando respostas de como tudo funciona, nós descobrimos que nós estamos em desvantagem devido aos nossos próprios sentidos limitados. Leibniz percebeu isto no século XVIII, quando ele afirmava que tempo-espaço, matéria e energia eram todas construções intelectuais. Na física moderna dizemos que "o fenômeno físico é simples quando analisado localizadamente" ou relativo ao nosso quadro cotidiano de espaço e tempo.

Uma maneira de nós podermos entender isto conceitualmente é fazer uma viagem imaginária dentro dos trabalhos do átomo. Vamos dizer que estamos de pé sobre um piso de sólidas tábuas-corridas dentro de uma sólida construção, na sólida Terra, OK? Agora, nós começamos a encolher. O piso de repente agiganta-se sobre nós, poeira e sujeira parecem maiores. O piso de repente dá lugar a grandes fibras de madeira, separadas por grandes espaços. À medida que vamos encolhendo, nós observamos cadeias individuais de moléculas que parecem estar infinitamente ligadas umas às outras, cercadas por um mar de moléculas de ar com formas diferenciadas, saltando rapidamente por toda parte. Encolhemos um pouco mais e as moléculas dão lugar a átomos individuais. Nós estamos especialmente abalados pelos enormes espaços que existem entre os átomos, e concentramos nossa atenção em um para ver de que ele é feito. A casca exterior inexplicavelmente se dissolve e vemos um espaço vazio gigantesco. Depois do que parece ser uma eternidade, nós chegamos ao minúsculo núcleo no centro, e, à medida que continuamos a encolher, este aparente sólido se dissolve em nada. Estamos cercados pelo vazio.

Agora, espere um minuto, para onde foi a matéria?

Talvez possamos olhar em direção à Mecânica Quântica para a resposta. Como recordamos da teoria holográfica, a luz pode ser descrita como sendo tanto partícula quanto onda. O mesmo com a toda a matéria.

"Sob a teoria quântica, cada quantum de matéria é tanto partícula quanto onda e permeia o universo: não existe matéria como tal, mas apenas probabilidades de densidades no continuum".

De acordo com a teoria, quando se observa uma partícula, como um elétron, por exemplo a regra é definir a sua exata localização apenas como uma "nuvem de probabilidades".

Nós não podemos saber exatamente onde ele está num tempo dado, mas podemos dizer que ele estará provavelmente em tal e tal lugar. Isto é muito pertubador, desde que estamos acostumados a definir a localização das coisas. Mas lembre-se que que a física não nos é mais familiar no nível microscópico. Ainda nos perturba que todos os fundamentos que fazem tudo no nosso "mundo consistente e sólido" não podem ser definidos no tempo e no espaço.

David Bohm, que trabalhou com Einstein, comenta que "o que aparenta ser o mundo estável, tangível, visível e audível é uma ilusão. Ele é dinâmico e caleidoscópico - e não está realmente lá". Bentov leva isto um passo adiante ao declarar "parece que a realidade real - a micro realidade - que subjaz a todo o nosso sólido bom senso é realmente fabricada, como se tivéssemos apenas testemunhado, de um vasto espaço vazio preenchido com campos oscilantes! Vários tipos de campos diferentes, todos interagindo uns com os outros". Em outras palavras, matéria é simplesmente um tipo especial de energia (da Teoria da Relatividade). Está claro então que a partícula realmente não existe, é apenas uma manifestação para os sentidos; nós só podemos percebê-la desta maneira quando isto se impõe ao nosso aparato sensorial como tal.

Mas...tudo que nós conhecemos é feito destas partículas!

Se a matéria pode ser reduzida a uma série de campos oscilantes sem posição determinada, então nossa descrição da localização da partícula não necessita de jeito nenhum estar limitada a onde nós "pensamos" que ela deveria estar. É na verdade possível dizer que para um dado instante no tempo ela pode existir em qualquer lugar, ou mesmo em todo lugar, desde que não há condições limitadoras colocadas pela natureza.

Bentov assim como Tiller investigou este fenômeno mais além. Primeiro, ambos fizeram a clara distinção entre o nosso universo percebido e o universo verdadeiro que pode existir além do nosso aparato sensorial normal. Então eles discutiram uma nova perspectiva sobre um dos mais básicos, ainda que menos entendidos conceitos em física moderna. Einstein postulava que a velocidade da luz era um limite absoluto, e resultados experimentais de testes da Teoria da Relatividade aparentavam confirmá-lo. Bentov e Tiller sustentam, entretanto, que matéria e energia podem se mover a velocidades maiores que a da luz, com ela servindo como limite da mais baixa velocidade obtível. Este conceito é ainda consistente com o da relatividade, com verificação experimental sendo dificultada, uma vez que não podemos ver coisas se movendo mais rápido que a luz. Não obstante, experimentos estão sendo pesquisados para estas partículas, chamadas táquions.

Bentov descreve a ação de um pêndulo, ou qualquer outro corpo deste tipo, quando suas partículas componentes individuais se movem em distâncias menores que a distância de Plank (10-33cm = 0,000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.1 cm!). A teoria Quântica mostra que é possível para uma partícula se mover de um ponto A para um ponto B dentro dessas pequenas distâncias sem necessariamente levar tempo algum para fazê-lo. Se ela realmente atravessa esta distância em tempo zero, então ela deve se mover a uma velocidade infinita para fazê-lo! Bentov então investiga a ação do pêndulo à medida que ele se move mais e mais lentamente no seu movimento ascendente até ele mudar de direção. Em um instante, este momentum é zero, o que significa que sua posição é realmente indeterminável.

Isto quer dizer que, por um período de tempo infinitesimal, o pêndulo poderia estar viajando a uma velocidade infinita e estar localizado em qualquer lugar ou em todas as partes do universo! Imediatamente depois deste instante, ele aparenta voltar para sua posição anterior.

Quando a partícula parece instantaneamente expandir para preencher o universo, o que acontece a todas as outras partículas que poderiam estar fazendo a mesma coisa? Elas são apenas empurradas para fora do caminho? Não, se partículas são realmente feitas de ondas. Se você olhar para duas partículas agora, que estejam expandindo ao mesmo tempo, nós temos uma condição similar ao velho modelo de duas pedras lançadas num lago inerte. Duas frentes de onda serão geradas, que passarão uma através da outra, interagindo em pontos específicos, causando interferências construtivas e destrutivas. Agora, se se imagina várias partículas, é possível se ver como um número quase ilimitado (ou, afinal, o grupo todo) de nódulos e anti-nódulos podem ser gerados.

Neste ponto, nós identificamos o seguinte:
1) Quando examinada de perto, descobre-se que a matéria é formada de energia.
2) Nós temos uma experiência sensorial limitada sobre matéria e energia, uma vez que a estamos utilizando para a visão de enormes agregados destes fenômenos. Nós podemos não estar vendo do que eles realmente são feitos.
3) Matéria não pode ser localizada precisamente no espaço e pode ser demonstrada a possibilidade de existir em qualquer lugar, ou em todos os lugares, uma vez que ela viaja a velocidades muito elevadas.
4) Se matéria é energia e viaja como ondas, estas ondas podem interagir e formar padrões de interferência.

Agora, vamos assumir que estivemos examinando o modelo acima de trás para a frente. Da Teoria da Relatividade, nós sabemos que a percepção de um evento é determinada pela posição relativa do observador. Do mesmo modo que observamos que nossa velha e confiável partícula subitamente se torna frenética e se expande no universo, nós vemos que é válido sugerir que a "partícula" é a condição frenética instantânea, e que nossa velha ordem confiável é na verdade esta condição onipresente expandida de toda matéria e energia. Isto deveria certamente ser consistente com a natureza ilusória da partícula que nós descobrimos quando nós olhamos o átomo e achamos apenas campos oscilatórios.

Nós identificamos uma nova condição que é:

5) Energia, preenchendo todo o universo, que de repente, instantaneamente, "colapsa" para formar uma partícula.

Agora se nós combinarmos as condições 4 e 5 , somos levados a seguir a incrível postulação:

6) A Energia preenchendo todo o espaço, por necessidade, forma padrões de interferência, e fora desta condição completamente difusa, a matéria é instantaneamente formada.

Nós acabamos de descrever a criação de um holograma.

Nós podemos considerar agora o seguinte modelo: o universo opera holográficamente. A energia interage através de interferências construtivas e destrutivas, para formar hologramas que são percebidos como matéria. Exatamente como os hologramas óticos que fazemos nos dão a aparência de imagens tridimensionais não-existentes, a energia operando num nível mais básico de, talvez, densidade muito mais alta, forma hologramas que nós percebemos como objetos verdadeiros. Eles aparentam ser reais quando vistos como um agregado de nódulos infinitesimais de um padrão de interferência de onda estacionário.

No sentido de discutir a validade da cosmologia holográfica, certas condições de construção de um holograma precisam ser identificadas:
1) Como padrões de interferência de onda estacionária são formados, propagados ou se manifestam?
2) O que atua como radiação coerente?
3) Se a informação é armazenada onipresentemente através do sistema.
4) O holograma armazena todas as perspectivas do sistema, isto é, neste caso, ele abarca todas as dimensões de espaço/tempo?

Para recapitular resumidamente, ondas estacionárias ocorrem quando uma frente de onda toma uma aparência estacionária, enquanto a energia continua a passar através do sistema, com cada onda sucessiva tomando o lugar da anterior. Ondas estacionárias são geradas na reconstrução do holograma (ou na visualização do objeto verdadeiro, no caso da matéria) uma vez que, como o holograma continua a ser iluminado por um certo período de tempo, a mesma frente de onda continua a ser formada.

Está claro que, como nosso holograma ótico, as relações entre as ondas estacionárias devem ser mantidas através da "imagem inteira", ou, no nosso caso, através do universo, para explicar com consistência como todo o conjunto pode ser chamado um holograma. Se isto é verdade, então a energia deve passar através das partículas de tal maneira que produza a ilusão de estar sem movimento; ainda que a energia deva exibir movimento harmônico simples, e ser o resultado da interferência de algum sistema de radiação coerente. Como podemos detectar isto?

Bentov descreve como a mecânica ondulatória pode nos dar uma intuição para a consistência das ondas estacionárias.

Por analogia, quando uma corda vibra com uma relação integral entre seus comprimentos, resulta em uma onda estacionária de movimentos harmônicos simples. Este fenômeno pode ser demonstrado bidimensionalmente com partículas de areia sobre um folha de metal vibrada com um arco de violino. O mesmo tipo de ondas estacionárias pode ser também gerado num sólido: o padrão se amolda ao tipo de distribuição atômica encontrada no cristal.

Desde que o cristal esteja vibrando, ele pode ser chamado um oscilador. Se esse oscilador é posicionado próximo a um cristal similar, os dois irão eventualmente oscilar em fase, formando um "sistema ressonante em sintonia". É também o que acontece quando uma corda de violino vibrada deixa o resto do instrumento vibrando. Existe uma óbvia amplificação do som (energia). Se ainda mais vibradores são adicionados, eles irão somar com a força do sistema ressonante (como faz uma sinfonia). Suponha que estes osciladores são átomos. Com o número total de átomos no universo envolvido, a soma de energia gerada pode ser espantosa! E "quanto maior o número de osciladores dentro de um sistema, mais estável ele será, e mais difícil é perturbá-lo".

Então, nós deveríamos esperar ter uma visão extremamente consistente do comportamento estável de uma partícula no nível atômico, uma vez que os átomos mostram simples movimentos harmônicos. E eles realmente o fazem. Físicos descobriram vibrações harmônicas simples em todas as partículas básicas da matéria." Os átomos dos nossos corpos são como osciladores, vibrando à razão de 1015 Hz. É bem possível que nossos corpos cintilem "ligado e desligado" a esta altíssima taxa. Não existe meios de saber se isto acontece realmente assim, porque ainda não temos meios de registrar fenômenos tão rápidos".

Nós descrevemos um sistema pelo qual um conjunto de ondas estacionárias podem funcionar em fase, canalizando assim enormes quantidades de energia, através de um sistema ressonante e mantendo a estrutura de frentes de onda aparentemente sem movimento. No nível macroscópico, a existência da estrutura de base momento a momento, dá origem à ilusão de substância e consistência.

Se nós procurarmos por uma fonte de radiação coerente para este sistema, nós podemos esperar encontrar alguns problemas. Nós recordamos na nossa investigação sobre luz visível comum, que na verdade, é impossível ver a luz. Tudo o que pode ser sentido são os efeitos da luz no nosso ambiente. A luz em si é invisível; nós observamos apenas frentes de onda refletidas ou moduladas transformadas pelas limitadas propriedades óticas dos nossos olhos. Nós podemos esperar dificuldades similares com esta nova radiação coerente, com a desvantagem acumulada de termos um aparato sensorial incapaz de processar seus efeitos diretamente. Neste caso, poderíamos nos encontrar um passo a mais distante da verificação direta da sua existência. Nós podemos assumir que este é o caso, como seria razoável também esperar que esta energia teria que dar conta de todas as manifestações de espaço e tempo quadridimensionais, e portanto ter que operar fora deles em uma quinta dimensão ou superior. (Outras dimensões são difíceis de serem visualizadas por nós. Um excelente exercício para tentar visualizá-las está emSphereland, de Dionys* Rheinboldt, Apollo,NY).

Nós descreveremos como a informação de uma dimensão que escapa à detecção através dos nossos sentidos ou instrumentos pode influenciar até mesmo a forma do universo que nós percebemos. Para um exemplo, vamos imaginar o seguinte cenário: Nós começamos com um "mar" de energia coerente com uma freqüência extremamente alta, que nós somos incapazes de perceber diretamente . A isto acrescentamos um outro mar de energia que é ligeiramente fora de fase em relação ao primeiro. Podemos esperar que o seguinte aconteça:
1) Interferências irão ocorrer separadamente dentro de cada "mar", formando nodos e anti-nodos.
2) Em relação um com o outro, os dois mares fora de fase irão gerar freqüências de "pulsação" (ou batimento) com períodos mais baixos que os originais. Uma freqüência de pulsação é uma onda secundária ilusória formada peladiferença entre duas ondas primárias.
3) Estas freqüências mais baixas poderão cair dentro do alcance do nosso universo perceptível. Agora, se isto é tudo que nós podemos ver, essas ondas ilusórias construiriam tudo que nós chamamos de realidade. Uma universal onda de fundo coerente pode ser indistinguível do vácuo do espaço vazio.

Tiller usa um excelente modelo para demonstrar a confusão entre substância perceptível e o vazio:

"Existe uma idéia bem conhecida na física, de que se você toma um cristal que está a temperatura de zero absoluto, ele não dispersa elétrons. Eles passam através dele como se ele estivesse vazio. Logo que você sobe a temperatura e produz heterogeneidades, eles se dispersam. Agora, se você usa aqueles elétrons para observar o cristal (focalizando-os com uma lente de elétron para produzir uma imagem), tudo que você veria seriam esta heterogeneidades e você diria que elas são o que existe e o cristal é o que não existe, certo?

Nós podemos observar, no modelo holográfico, que todas as informações sobre uma dada partícula estão presentes através do universo. Anteriormente nós vimos, no modelo de Bentov, como a energia pode "colapsar" para formar uma partícula, e então expandir a uma velocidade infinita para preencher o universo. Desta maneira, a informação uma dada partícula é transmitida para toda parte.

Bohm descreve uma outra analogia que demonstra muito claramente o conceito "a parte contida em todo o inteiro". Ela também permite um excelente método de visualizar a materialização da partícula. O modelo é baseado num experimento com uma gota de tinta insolúvel num vaso cheio de glicerina. O equipamento foi construído de maneira que o fluido poderia ser girado lentamente sem acontecer a difusão. Quando isto era feito, a gota de tinta se esticava num fio que finalmente se tornava invisível. Quando a ação de girar era invertida, subitamente a gota se tornava visível novamente. Bohm chama isto "a ordem envolvida ou implicada":

"Normalmente nós pensamos em cada ponto no espaço e no tempo como distinto e separado e todas as relações são entre pontos contíguos no espaço e tempo (mas) quando tomamos a gotinha e a envolvemos, é a coisa toda e cada parte desta coisa toda que interage com aquela gotinha. A matéria é como uma pequena ondulação num tremendo oceano de energia. E o oceano não está, a princípio, no espaço e no tempo

Bohm elabora no seu modelo relativo ao aparente paradoxo onda/partícula: "Nós envolvemos uma gotinha ao virar a máquina um certo número de vezes, "n" vezes. Nós colocamos agora uma nova gotinha num lugar ligeiramente diferente e a envolvemos "n" vezes. Mas enquanto isso a primeira é envolvida 2n vezes, certo? Agora nós temos uma sutil distinção entre a gotinha que foi envolvida n vezes e a que foi envolvida 2n vezes. Elas parecem iguais, mas se nós virarmos uma delas n vezes nós temos a primeira gotinha, e virando n vezes novamente, teremos a outra. Agora vamos fazer novamente com uma posição ligeiramente diferente de modo que ele gire n vezes, a segunda 2n vezes e a original 3n vezes. Nós o continuamos assim até colocarmos várias gotinhas. Agora nós invertemos a máquina e uma gota emerge e se manifesta à nossa visão, e a segunda o faz , e a próxima; então se isto for feito rapidamente, mais rápido que a resolução do olho humano, nós veremos uma partícula aparentemente cruzando continuamente o campo".

Estamos ainda diante da questão do porque alguns campos de energia parecem "estacionários" como matéria, enquanto outros se propagam através do espaço e do resto do espectro eletromagnético como luz. Einstein gastou a maior parte da sua vida pesquisando uma "teoria do campo unificado´ que ligasse matéria, energia e gravidade juntas. Nós discutimos como a existência de uma energia de super-referência coerente poderia estar por trás da construção de tudo; mas a verificação é difícil , e nós não temos uma explicação adequada de como esta energia se torna matéria e aquela se torna luz. Existe um fenômeno físico conhecido que poderia dar a resposta. É um corpo no qual todas as construções físicas fundem-se em uma entidade unificada. É, naturalmente, o buraco negro.

Para recapitular rapidamente, um buraco negro é uma área de matéria em colapso, tão densa que o campo gravitacional gerado é de tal magnitude que nada, nada, nem a luz, pode escapar. Nesta situação, espaço e tempo curvam-se para dentro um sobre o outro, e se tornam tão distorcidos que ambos se fundem naquilo que é chamado singularidade - eles se tornam uma entidade única. A definição de buraco negro, então, é a de um corpo ou agregado de corpos do qual nem a energia nem a matéria podem escapar, uma vez que a velocidade de escape é maior que a velocidade da luz ( isto está de acordo com a teoria geralmente aceita que coloca a velocidade da luz como o limite superior no universo).

Buracos negros, incidentalmente, não precisam ser limitados a um certo tamanho. Nossas observações daquilo que chamaríamos buracos negros comuns (o resultado do colapso gravitacional de estrelas massivas) são sempre o que nós, de fora, pensamos estar acontecendo do lado de dentro.

Nós podemos, ainda apoiando a nossa definição, descrever nosso universo visível inteiro como um único buraco negro. Se nos imaginarmos por um momento, saindo para o lado de fora do universo, nós observaríamos a totalidade do mesmo fenômeno. Estaríamos olhando para um sistema do qual nenhuma luz escapa. Por definição, também todas as propriedades de espaço e tempo apareceriam como um acontecimento único.

Stephen Hawking tem escrito alguns trabalhos extraordinários a respeito de mini buracos-negros. Ele tem demonstrado a viabilidade deste pequenos buracos, talvez do tamanho de uma ervilha, possivelmente formados durante a Criação. Então estamos diante da concepção de que buracos negros existem numa variedade de tamanhos e formas, adequados para cada ocasião.

O próximo passo é imaginar o que aconteceria se buracos negros existissem no nível atômico. Na verdade, se existisse um pequenino buraco negro no centro de toda partícula de matéria, o que aconteceria?
1) Espaço e tempo se fundiriam em uma singularidade, e seriam indistinguíveis. É precisamente o que ocorre abaixo da distância de Plank.
2) A Relatividade não teria função dentro de cada buraco negro individual. Efeitos relativísticos maiores poderiam, entretanto, ser descritos como um agregado destas mônadas individuais.
3) Esperaria-se que o buraco negro "capturasse" matéria (outros buracos) sob certas circunstâncias, e a aniquilasse sob outras. O átomo é capaz de ambas as funções.

As implicações deste modelo para a holocosmologia são muito importantes. Ele possibilitaria um outro exemplo de como o todo está também contido em cada uma de suas partes. Ele também poderia descrever um outro mecanismo pelo qual , através de tremendas energias geradas por ressonância, como uma imagem consistente das partículas atômicas pode ser derivada. Ainda mais importante, entretanto, é que ele demonstraria como um universo unificado composto de singularidades poderia ser responsável por todas as configurações de espaço-tempo que temos observado, com a distribuição destas propriedades sendo predominantemente holográficas por natureza."

* Se ligaram no nome desse maluco? huauauaauauauahu!

Dionísio gostou da teoria, aprovou, e assim fez Apolo feliz. Ela descreve minhas sensações a respeito daquilo que percebi como sendo o algo que a tudo permeia, mas que igualmente não está em lugar algum, nem no espaço, e muito menos no tempo, pois ambos não existem.
Os dois irmãos agora podem dormir em paz.



Na verdade, não ganhei uma maldição naquele dia. Ganhei um enorme presente, que de tão grande me trouxe problemas para lidar com ele. E eu nem sei se o merecia de fato...



Para comemorar, extraí um trecho do documentário "D'autres Mondes", de Jan Kounen. Eu já havia assistido um filme deste cara, chamado "Blueberry", que contém uma cena com imagens bastante semelhantes àquelas obtidas através do uso da ayahuasca. Blueberry é um filme ruim, o roteiro é o ó, só vale mesmo por essas cenas, mas em "D'autres Mondes" Kounen acertou: Foi pessoalmente experimentar a ayahuasca com os índios e trouxe aos olhos do mundo o que sua mente pôde perceber da experiência. É claro, essas cenas não são novidade para mim: Elas são "coincidentemente" (que piada!) comuns à todos os usuários desta bebida. Os panoramas são os mesmos, os "locais" que "visitamos" são os mesmos, a aparência dos "seres" que vemos é a mesma. Mas é claro, isso é tudo coincidência...





Salve, salve a computação gráfica, salve!






segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Sol e o Trigo




Friedrich Wilhelm Herschel , nascido em 1738, é responsável pela descoberta, além de centenas de estrelas, do planeta Urano. Originariamente era músico, entretanto seus feitos como astrônomo amador são mais dignos de nota que os de muitos profissionais da área, contemporâneos a ele. É também de autoria dele a descoberta do infravermelho. Mesmo sendo um amador na área, na segunda metade do século XVIII era dele o maior telescópio refrator do mundo. Detalhe: Ele mesmo construía seus telescópios.

Há aproximadamente 200 anos atrás, Herschel, após observar o disco solar e perceber nele manchas, imaginou que o efeito dos diferentes níveis de radiação solar deveria se fazer sentir na terra, ao menos com relação aos vegetais. Ele então fez um levantamento do preço do trigo nos últimos decênios e descobriu aí uma correlação: Quanto menor o número de manchas, maior o preço do trigo.


É rapá...

domingo, 5 de julho de 2009

Regressão


- Eu nunca faria regressão.

- Por que não?

- Cara... Se eu, quando olho para trás, para a minha própria vida, até o limite que a minha memória consegue alcançar, geralmente me vejo como uma imbecil, imagine se me lembrar de outra vida? As pessoas costumam imaginar, de forma romanesca, que foram boas pessoas, ou grandes figurões... Mas creio que as coisas andam pra frente e não para trás. Em outra vida, provavelmente eu devo ter sido alguém pior do que sou hoje, assim como daqui uns anos eu vou ser alguém melhor do que sou agora, porque o fluxo natural é viver, aprender e mudar... Assim prefiro me poupar da vergonha de saber que devo ter sido alguém muito mais idiota do que sou agora... E pior: Que não vou poder fazer nada para mudar algo que já foi...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Psicotécnico

Acho surreal as auto escolas ministrarem aula para o exame psicotécnico, com "dicas" para passar. Ora, se você for louco mas esperto, após assistir uma aula dessas consegue ser aprovado...

***

Fui fazer o exame psicotécnico para motoristas. Primeiro pediram para desenhar uma casa. Depois, para seguir o desenho de vários polígonos. Em seguida foi a vez das árvores, e a instrutora que estava aplicando o teste deixou bem claro, repetindo mais de três vezes inclusive, que não deveriam ser feitas árvores do tipo pinheiro ou coqueiro. Chegou até a exemplificar, caso alguém não soubesse o que era um pinheiro: NÃO deveriam ser desenhadas aquelas do tipo "Árvore de Natal".

Terminei o meu rapidinho e comecei a olhar em volta... Duas pessoas que estavam sentadas perto de mim desenharam pinheiros...

O teste seguinte consistia em desenhar duas figuras humanas, uma representando o sexo feminino, a outra o masculino. De novo fiz meu desenho e ao terminar comecei a bisbilhotar à minha volta... O cara que estava sentado na minha frente desenhou uma mulher e um homem... Pelados, de mãos dadas, ambos segurando um cigarro na outra mão. Detalhe: Esse cara foi um dos que desenhou o pinheiro...


quarta-feira, 20 de maio de 2009

É...

No banheiro de uma boite, um amigo que estava defecando ouve a seguinte conversa:

- Cara, tu sabe apertar?

- Sei.

- Comecei a fumar tem pouco tempo, ainda não sei apertar não...

- Nem sabia que tu fumava.

- Cara, meu pai é um idiota. Ficou me enchendo o saco, falando que eu usava drogas, e na época eu nem usava nada não. Me obrigou a ir num psicólogo. Fiquei muito puto, quando entrei no consultório do cara tava nervosão. Aí o cara vira pra mim e fala: "Caaaalma, você está muito nervoso! Você deveria fumar um baseado". Desde esse dia é o psicólogo quem pega bagulho pra mim.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ao menos para as mariposas e para as borboletas, meu quarto deve parecer um bom túmulo. Quase toda semana entra aqui um desses dois bichos, sempre durante a noite, com o propósito de morrer. Ontem pela manhã fiquei observando minha última hóspede de pernoite, uma bela borboleta.

Marrom, amarela e laranja. Linda. Quando acordei ainda não havia morrido e se debatia, tentando voar. Foi ficando cada vez mais lenta, até não conseguir mais permanecer firme na parede. Caiu no chão. Minha cachorra tentou comê-la, e eu a afastei. Cuidadosamente coloquei a borboleta sobre a mesa do computador e enquanto eu obedecia a rotina das manhãs, prestava atenção ao que acontecia com ela. Sem conseguir se firmar sobre as patas, "deitou". Ficou imóvel durante um tempo. Toquei delicadamente nela, achando que já tinha terminado, ela reagiu. Alguns momentos depois, expeliu uma secreção... Azul! Azul. Tentei fotografar, mas o ponto é ínfimo e minha câmera não tem resolução suficiente para captar a cor do que na foto aparece apenas como um ponto escuro (Achei o tom de azul tão bonito que até agora não limpei a mesa). Mais um momento de quietude. De repente ela envergou o corpo para trás. O último espasmo. Se foi.

sábado, 16 de maio de 2009

Intelectualizando Babaquices II - Conan, O Bárbaro


Trata-se de um filme importantíssimo dentro da atual conjuntura, afinal de contas o Conan é o governador da Califórnia! Sim, esta película deve ser vista por todos, principalmente por aqueles que tem lá sua quedinha pela política.

É um drama tipicamente leonino, e o próprio Arnold é de Leão, então para ele deve ter sido fácil vestir o papel: É preciso matar o velho Rei para que o novo possa reinar.

O pequenino Conan assiste a morte de seus parentes e amigos, é levado como escravo, cresce fortão, vira gladiador e um dia resolve ir atrás do assassino de sua família, que é líder de um culto estranho. São muitas aventuras, entre brigas, sangue espirrando e mulheres, ele mata a cobra de estimação, criada desde pequenininha, de um dos seguidores desse referido líder espiritual e depois ainda parte ao meio a espada de outro. Só a cobra e a espada de Conan devem ser honradas, afinal.

Diálogos que merecem destaque:

Sacerdote - Onde pensa que vai irmão?
Conan - Eu estou com medo.
Sacerdote - Com medo? De se revelar? Por que? Você é tão grande e tão crescido, devia se orgulhar do seu corpo. Como você espera alcançar o vazio, sem conhecer seu próprio corpo?
Conan - Podemos conversar daquele lado, aonde ninguém nos veja?

Mago - Por que você chora?
Amigo de Conan - Ele é Conan. Ele não chora. Assim eu choro por ele.

Fala de Conan antes da batalha:
"Crom, eu nunca rezei pra você antes. Eu não tenho jeito pra isso. Ninguém, nem mesmo você, vai lembrar se fomos bons ou maus, porque lutamos ou porque morremos. Não. Tudo que importa é que dois enfrentarão muitos, isso é o que importa. Satisfaça-se com isso Crom, e atenda a um pedido meu: Conceda-me a vingança! Mas se não me atender, então vá pro inferno!"

Depois disso ele mata geral.

Nada mais tenho à acrescentar, uma vez que é da minha vontade que você, nobre leitor, assista esse filme, e caso eu continue a narrativa isso pode desestimulá-lo. Se a trama irá lhe agradar ou não, eu não sei. Só o que posso garatir são boas gargalhadas.


_____________________________________________________

Macho Man
Village People

Body...wanna feel my body?
Body...such a thrill my body
Body...wanna touch my body?
Body...it's too much my body
Body...Check it out my body,
Body...Don't you doubt my body,
Body...talkin' bout my body,
Body...check it out my body

Every man wants to be a macho macho man
to have the kind of body, always in demand
Jogging in the mornings, go man go
works out in the health spa, muscles glow
You can best believe that, he's a macho man
Ready to get down with, anyone he can

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man (macho man)
I've got to be, a macho man
Macho, macho man
I've got to be a macho! Ow....

Body(body),Body,(allright)Body...wanna feel my body?(Body...wanna feel my body?)
Body(baby),Body,(allright)Body...gonna thrill my body?(Body...wanna thrill my body?)
Body(baby),Body,(allright)Body...wanna fout my body?(Body...wanna fout my body?)
Body(baby),Body(Hut),Body, its so hot,(Body, its so hot) my body

Every man ought to be a macho macho man,
To live a life of freedom, machos make a stand,
Have their own life style and ideals,
Possess the strength and confidence, life's a steal,
You can best believe that he's a macho man
He's a special person in anybody's land.

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man (macho man)
I've got to be, a macho man
I've got to be
Mucho, mucho macho man
I've got to be a macho! (dig the hair on my chest)


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Brincando de Deus

Elas não podem me ver. Eu estou lá, de frente para elas, e elas não me enxergam. Observo suas idas e vindas, sua vida, sua busca por alimento. As operárias, os soldados... Quando se forma um espaço entre elas, passo o dedo em sua trilha de feromônio, desfazendo-a. As formigas que vem da esquerda logo param à beira do "abismo", não encontrando o caminho, as da direita também. Discutem entre si, e só eu sei que o que as separa da trilha é o espaço ridículo de um centímetro. Um momento de pânico... Algumas, mais desesperadas, se afastam perigosamente do bando, indo por um caminho errado. Pouco tempo depois uma delas consegue refazer a rota, é seguida pelas outras, e a ordem se restabelece. Algumas se perdem do caminho e não conseguem voltar.
É a vida...

____________________________________________________________

Epic
Faith No More


Can you feel it, see it, hear it today?
If you can't, then it doesn't matter anyway
You will never understand it cuz it happens too fast
And it feels so good, it's like walking on glass
It's so cool, it's so hip, it's alright
It's so groovy, it's outta sight
You can touch it, smell it, taste it so sweet
But it makes no difference cuz it knocks you off your feet

You want it all but you can't have it

It's cryin', bleedin', lying on the floor
So you lay down on it and you do it some more
You've got to share it, so you dare it
Then you bare it and you tear it

You want it all but you can't have it
It's in your face but you can't grab it

It's alive, afraid, a lie, a sin
It's magic, it's tragic, it's a loss, it's a win
It's dark, it's moist, it's a bitter pain
It's sad it happened and it's a shame

You want it all but you can't have it
It's in your face but you can't grab it

What is it?
It's it!
What is it?
It's it!
What is it?
It's it!

You want it all but you can't have it
It's in your face but you can't grab it

What is it?
It's it!
What is it?
It's it!
What is it?
It's it!


____________________________________________________________

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Peixe alucinógeno é encontrado na Grã-Bretanha

Uma espécie de peixe mediterrâneo que pode provocar alucinações quando ingerido foi encontrada por um pescador na costa britânica, levando especialistas a suspeitar de migração provocada pelo aquecimento global.

A espécie de peixe branco, sarpa salpa, é normalmente encontrado nas águas mais quentes da costa de Tenerife, Malta e Chipre.

O consumo de sua carne normalmente não traz riscos, mas a ingestão da cabeça pode levar a alucinações semelhantes às experimentadas pelo consumo da droga LSD (ácido lisérgico).

Outros peixes semelhantes, que se alimentam de plâncton, também seriam capazes de produzir o mesmo efeito.

Segundo especialistas, o efeito alucinógeno seria provocado pela intoxicação do peixe ao consumir grandes quantidades de plâncton, que contém uma pequena quantidade de veneno.

Hospitalização

Em 2006, dois homens, um deles com 90 anos, foram hospitalizados no sul da França com alucinações após comer sarpa salpa num restaurante.

O pescador Andy Giles, que encontrou a espécie nesta semana na costa da Cornualha, disse à imprensa local ter ficado intrigado ao encontrar um peixe que nunca tinha visto antes ao sair para pescar.

"Agora que eu descobri o que era aquele peixe e os efeitos que ele pode causar, talvez eu deveria ter tentado vendê-lo para uns clubbers", ironizou Giles.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Bebedores de Vinagre

Inveja
s. f.
1. Desgosto pelo bem alheio.
2. Desejo de possuir o que outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).

Eu gostaria muito de saber por que a inveja é um dos sete pecados capitais.
OK, eu entendo que ser invejoso não é legal, mas a inveja é completamente diferente dos outros pecados, uma vez que os outros seis trazem prazer para quem os comete, enquanto ela é amarga. A inveja é auto punitiva, já carrega embutida em si o próprio castigo. Quem sente inveja só faz mal à si mesmo por invejar. Quem é invejado até comemora ao saber que é ímã de invejoso: Isso denota que ele possui, ou é, algo que o outro não consegue ter ou ser. Ou seja, a menos que o invejoso tome alguma atitude contra o objeto de cobiça, seu pecado não é contra ninguém, senão ele mesmo...




***
Por falar em Hieronymus Bosch (autor do quadro acima), quem gosta de Dali e credita à este último a paternidade do surrealismo, deve caminhar um pouco mais para trás na História, até o século XV, e encontrar com este maravilhoso louco, em plena Idade Média. Fica a dica.

Só mais uma "palinha" dele, para deixar o que eu disse mais explícito:



segunda-feira, 11 de maio de 2009

Terra


Não tenho terra. Nenhum planeta localizado em signos de terra em meu mapa astral natal.

Acho que ter que comer é uma prisão. Gosto de comer, mas queria que isso fosse facultativo.

Acho um absurdo não poder estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Acho um absurdo ter que me deslocar para chegar a algum lugar. Que coisa mais atrasada! Por que não podemos simplesmente pensar e chegar?

Eu provavelmente não comprarei um imóvel. Justamente porque ele é imóvel. Prefiro viver de aluguel e de preferência em casas já mobiliadas. Isso facilita enormemente as mudanças.

Segurança é algo bom ou é o que faz a vida chata?

Como assim? Eu não posso respirar embaixo d’água?

Como assim? Eu não posso voar?

Como assim? Eu não posso ficar invisível?

As únicas coisas que gostaria de ter são: Uma mega-mochila, onde coubesse uma boa barraca, um laptop e roupas resistentes. Essa mochila precisa ter também um bolsinho para o cartão de crédito.

... Mas, é sério que eu preciso trabalhar?

Meu Deus!!!!!!! O dinheiro não brota na conta? Eu tenho que fazer coisas para poder fazer coisas?

Dever, responsabilidade e limite. Trio parada dura.

Jesus Safadeeenho Cristo



- Judas, chega aê!

- Diga lá, Mestre.

- Uma vez você me disse que faria qualquer coisa por mim, não é?

- Jurei que sim, Mestre.

- Então... E você sabe que é em você que mais confio... Tanto que te dei o cargo de tesoureiro, certo?

- Sou muito grato por sua confiança, Mestre.

- Então... Chegou o momento Judas... De você provar tua lealdade à mim. Vou te pedir uma coisa, e isso terá de ser um segredo só nosso.

- Você sabe que faço qualquer coisa por ti, Mestre.

- Beleza. Quero que você vá amanhã falar com os guardas sobre o meu paradeiro. Quero que diga à eles onde estou e que me aponte.

- Como assim?! Desculpe Mestre, mas o senhor bebeu demais na ceia de hoje...

- Ah, fala sério Judas, você sabe que eu só vivo doidão. Você jurou que não me negaria nada. Vai descumprir sua promessa?

- Eu não estou entendendo nada! Por que isso?! Eles vão te prender!!!

- Relaxa parceiro, eu já tenho tudo planejado... Se eu continuar só fazendo pregação pra esses caipiras, nós nunca vamos chegar a lugar algum. Tenho que fazer algo grande. Confie em mim, vai dar tudo certo.

- Mas eu não quero fazer isso, é horrível!

- Que horrível o quê, Judas... Se liga, estão oferecendo uma recompensa pela minha cabeça, acho que são trinta moedas... Se lembra daquela puta gostosa e cara do puteiro da Maria Madalena, lá em Magdala, aquela em que tu pirou?

- Lembro, pô.... Gostosa mesmo... Cara pra cacete. Queria aloprar com aquela mina, mas não dá pro meu bolso não.

- Então, vai por mim.... Faz isso, me entrega, pega esse dinheiro e como recompensa pelo serviço prestado, vai lá fazer um relax com ela.

- Cara, eu tô muito confuso...

- Vai dar tudo certo, eu já pensei em tudo. Confie em mim.

- Em tudo o quê?

- Isso faz parte do Mistério.

- Ah Jesus, pára de caô! Qual é a da parada? Fala logo! Sempre que tu quer sair pela tangente vem com esse lance de Mistério... Se eu vou me envolver nisso quero saber! Fala logo!

- Não posso. E você não tem o direito de me obrigar a te falar nada. O Mestre aqui sou eu, e foi você quem ficou gritando aos quatro ventos naquele dia que eu poderia lhe pedir qualquer coisa, que faria o que fosse por mim!

- Ah, eu tava doidão!

- Dane-se, doidão ou não, tu prometeu. Se fudeu. Responde, vai fazer essa parada ou não? Deixa de ser covarde, sua bicha!

- Covarde é o cacete, rapá! Vou fazer essa porra sim, e tu que se foda depois.

- Maneiro cara. Eu te amo.

- Vai à merda Jesus.

- Outra coisa... Amanhã me dá um beijinho?

- Qual é? Vai começar a dar ré no quibe agora? Eu hein, tu tá muito estranho, sai pra lá!

- Hahahahahahaha, não é isso não brother... É que eu gosto muito de tu, e quero me despedir de você decentemente. Você estará prestando um grande favor à causa. Você nem sabe do tamanho do teu gesto. Uma última coisa... Não esqueça... Confie em mim. Faça o que estou te pedindo e depois vá curtir.

- Tá, valeu, tô com dor de cabeça já. Amém, seja feita a sua vontade e me deixa em paz.

- Opa! É assim que eu gosto! Huahuahauauau...


No dia seguinte Judas fez o que Jesus pediu. Foi falar com os guardas e os levou até o seu Mestre, que foi marcado como alvo com um beijo. Jesus foi preso, condenado e crucificado. Judas, que não entendeu nada, ficou desesperado, se arrependeu, não conseguiu comer a puta porque broxou, e aliás, depois desse dia, como não parava mais de pensar em Jesus, seu pau nunca mais subiu. Ele então resolveu se matar, de tanta vergonha por sua pau-molescência e pelo seu remorso. Como ele não entendeu, não fez o que Jesus tinha lhe pedido - não confiou. Se danou.

Só Pedro entendeu o Mistério de Jesus, e, aproveitando o marketing favorável do momento, logo resolveu fundar uma Igreja.

Napoleão; Alexandre, O Grande; Júlio César; Gengis Khan... Grandes feitos, grandes heróis. Alguns os conhecem de nome, mas poucos sabem sua História. No entanto, quase todos conhecem a vida de Jesus. O Mistério que Jesus não contou à Judas é que o grande poder mora nos mártires, não nos heróis, porque o mártir se mantém vivo na memória do povo por conta da Culpa, que acompanha os homens em atitude de silenciosa tortura, fazendo-lhes transmitir a História compulsivamente, para aliviar suas consciências através da confissão.

Jesus sabia que era inocente, e que sua inocência seria revelada somente após seu martírio. Seu sacrifício serviu à sua imortalidade, e um imortal nunca para de falar. Ele ganhou a chance de se fazer ouvir não somente por alguns milhares, mas por um número infinito de pessoas, por tempo indeterminado.

Jesus... Safadeeeeenho!

_________________________________________________

Judas
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho

“Ei, quem é você?
Ei, quem é você?
Vamos responda!

Eu? Eu sou Judas.”


Parte de um plano secreto
amigo fiel de Jesus
eu fui escolhido por ele
para pregá-lo na cruz
Cristo morreu como um homem
um mártir da salvação
deixando para mim seu amigo
o sinal da traição.

Mas é que lá em cima
lá na beira da piscina,
olhando simples mortais
das alturas fazem escrituras
e não me perguntam se é pouco ou demais

Se eu não tivesse traído
morreria cercado de luz
e o mundo hoje então não teria
a marca sagrada da cruz
e para provar que me amava
pediu outro gesto de amor
pediu que o traísse com um beijo
que minha boca então marcou.

Mas é que lá em cima
lá na beira da piscina,
olhando simples mortais
das alturas fazem escrituras
e não me perguntam se é pouco ou demais




PS - Gostaria de lembrar aos críticos do argumento científico, temporal, religioso, sexual, ético, etc&qualquermerda limitante, que isto é um conto de FICÇÃO. Grata.

domingo, 10 de maio de 2009

Truncado...

Cheguei em Salvador e do aeroporto me encaminhei para a rodoviária, onde eu deveria me encontrar com um amigo, para seguirmos rumo à outra cidade. Ele me deu como ponto de referência uma loja de armas, onde se daria efetivamente o encontro.

Caminhei pelo local, onde nunca havia estado antes, e não consegui encontrar a tal loja. Carregando uma mochila de 80L nas costas, meio míope e peixe (peixes são atraídos por luzes brilhantes, todo pisca-pisca puxa atenção de um peixe, um horror), achei mais sensato pedir uma informação. Caminhei até uma senhora.

- Boa noite. A senhora sabe me informar onde é a loja de armas?

- Essa hora já está tudo fechado aqui.

- Tudo bem, só preciso saber onde é mesmo.

- Por causa do quê? Tá querendo comprar arma, é?

- Não, não.... Vou me encontrar com uma pessoa neste lugar.

- Mas já não te disse que tá tudo fechado?

- Eu sei, eu vou encontrar com essa pessoa na porta da loja, eu não preciso entrar, só preciso saber onde é!

- Aaaaaahhhh siiiim.... Mas num sei onde é não.

- ...













É rapá. É difícil pra caramba...

sábado, 9 de maio de 2009

Pigs On The Wing

Peste!
Pânico!
.
.
.

Por quê?

É por quê? Sete bilhões de pessoas. S E T E B I L H Õ E S. É um número um pouco grande, não acha?

Está no início ainda, e não sei se vou na onda do alarmismo ou se fico um pouco quieta antes de expressar qualquer parecer à respeito... Ao que parece não vai ser tão ruim, mas tudo pode mudar... Bom, a minha língua está coçando.

Tive um amigo que não simpatizava com o próprio espelho e sonhava com o dia em que a raça humana fosse destruída. Talvez ele esteja excitado agora. Mas utopias à parte, creio que isso não vai chegar a acontecer, mesmo sabendo que a Humanidade está à beira do abismo, por conta de n razões diferentes. Entretanto, também não lamento a peste, mesmo sabendo que ela pode me tocar, assim como a qualquer um que eu ame. O mundo está cheio demais, e isso torna a vida de todos, aproveitando o trocadilho, uma bela porcaria. Desemprego, rotina, poluição, pressão, mini-guerras civis espalhadas pelos quatro cantos... Precisamos de espaço.

Também somos animais, e tal como eles, a maior parte de nós não consegue deixar de ceder à pressão do instinto reprodutivo, e, sem inimigos naturais, já que estamos no topo, não paramos de crescer. Além de não parar de nascer, quase não morremos mais. A expectativa de vida continua subindo, o que contribui pro mundo ficar ainda mais cheio. Resultado: Estamos saindo no tapa e nos matando “sem motivo”. Na verdade, motivo há: Estamos invadindo demais o espaço um do outro. Morando em apartamentos, praticamente não há como não saber de tudo que se passa na casa do vizinho e vice-versa. E estamos de saco cheio de tanta invasão de território. Olhamos pela janela e vemos outras pessoas, escutamos o som de outras pessoas, sentamos em coletivos e outras pessoas nos encostam, sentimos o cheiro delas, sua respiração, seu hálito... É proximidade demais.

Fricção, calor, explosão.

Me mantendo emocionalmente à parte, creio que uma peste fará bem para o mundo: Não conseguiremos retroceder em nosso estilo de vida confortável, e embora tecnologias limpas estejam sendo criadas, elas não bastam para conter a sujeira de sete bilhões. O meu estilo de vida particular não é lá muito amante do luxo.... Na verdade acho uma vida rústica muito mais... cool. Mas há gosto para tudo, e gosto é que nem... cada um tem o seu. Há os que admiram uma vida “roots”, outros que não conseguem viver sem uma banheira de hidromassagem. Tem quem sonha com uma horta caseira e quem sonha com TV de 7500 polegadas. Não haveria problema algum com a compulsão pelo conforto, não fosse o número de pessoas que buscam por ele. E o conforto polui.

Mas há outra questão... Acho que uma peste fará bem para a própria Humanidade. Quando a dor tocar todos os lares, todos os povos, todas as raças... Lembraremos-nos que somos irmãos novamente. A dor já tocou a Humanidade muitas vezes, mas nunca estivemos tão próximos, o mundo nunca foi tão pequeno... Tão globalizado. Uma guerra lá, um terremoto acolá... Mas nunca envolvendo a todos ao mesmo tempo. Quando TODOS reconhecerem o sofrimento por saber exatamente como ele é... Quando a briga não for com outros homens, de outras religiões, de outras pátrias, de outras etnias, voltaremos a nos reconhecer como iguais, porque todas estas diferenças não vão fazer diferença nenhuma frente à Grande Dor. Qualquer um é uma vítima em potencial, e eu não estou sendo hipócrita ao festejar a peste: Não tenho medo de morrer. Morrer dá um frio na barriga, mas quando você percebe que não há mais como lutar e simplesmente se entrega... É mais gostoso que gozar. Considerem-me louca, se assim desejarem, mas eu afirmo que sei exatamente do que estou falando. A morte, como dizia Raul Seixas, é algo “que quero e não desejo”, pois também gosto de viver. Na verdade amo a vida, mas sou concubina da morte. Morrer não é o problema, duro é ver quem amamos ir. E é essa a Grande Dor de que falo, aquela que pode irmanar a todos.

Eu tinha um sonho recorrente, que ficou indo e vindo durante muitos anos: Estava em uma praia, com meus amigos, pessoas conhecidas, pessoas de quem eu gostava. De repente, ao longe, eu via uma grande onda se formando, e eu gritava para avisar a todos, mas quando tentávamos fugir, a praia terminava em um muro (?!). A onda se abatia sobre nós... Mas eu não morria. Porém ficava sozinha na praia, todos eram tragados pelo mar. Nessa hora eu acordava, no meio da madrugada, com uma sensação de perda tão grande que me fazia levantar da cama e ir olhar os outros, para saber se ainda estavam lá.

Havia entre eu e o citado amigo do início do post uma diferença ideológica básica: Ele odiava a espécie e amava o indivíduo. Eu amo a espécie e odeio alguns indivíduos. E é justamente por amar demais a Humanidade que desejo que ela sofra. É porque amo o Homem que quero que ele volte a olhar para o outro como semelhante. Uma vez eu disse que a felicidade é tratada pela maioria das pessoas como um latifúndio, algo que não é dividido..., e já que fazer todo mundo rir parece ser difícil... Fazer todo mundo chorar é moleza. E todo mundo chorando, se abraça.


____________________________________________

Pigs On The Wing
Pink Floyd


If you didn't care what happened to me,
And I didn't care for you,
We would zig zag our way through the boredom and pain,
Occasionally glancing up through the rain,
Wondering which of the buggers to blame
And watching for pigs on the wing

You know that I care what happens to you,
And I know that you care for me too,
So I don't feel alone,
Or the weight of the stone,
Now that I've found somewhere safe
To bury my bone.
And any fool knows a dog needs a home,
A shelter from pigs on the wing.


segunda-feira, 4 de maio de 2009

The Real Thing

Essa é só para quem sabe, para quem esteve lá, para quem viu.


The Real Thing
Faith No More


I know the feeling
It is the real thing
The essence of the truth
The perfect moment
That golden moment
I know you feel it too
I know the feeling
It is the real thing
You can't refuse the embrace...
It's like the pattern below the skin
You gotta reach out and pull it all in
And you feel like you're too close
So you swallow another dose
The pinnacle of happiness
Filling up your soul
You don't think you can take any more
You never wanna let go
To touch the roots of experience
The most basic ingredients
To see the unseen glitter of life
And feel the dirt, grief, anger and strife
Cherish the certainly of now
It kills you a bit at a time
Cradle the inspiration
It will leave you writhing on the floor...
This is so unreal, what I feel
This nourishment, life is bent
Into a shape I can hold
A twist of fate, all my own
Just grit your teeth, make no sound
Take a step away and look around
Just clench your fist and close your eyes
Look deep inside, hypnotize
The whisper is but a shout
That's what it is all about
Yes, the ecstasy, you can pray
You will never let it slip away
Like the sacred song that someone sings through you
Like the flesh so warm that the thorn sticks into
Like the dream you know one day will come to life
Try to hold on just a little longer, stronger
It's the jewel of victory
The chasm of misery
And once you have bitten the core
You will always know the flavor
The split second of divinity
You drink up the sky
All of heaven is in your arms
You know the reason why
It's right there, all by itself
And what you are, there is nothing else
You're growing a life within a life
The lips of wonder kiss you inside
And when it's over the feeling remains
It all comes down to this
The smoke clears, I see what it is
That made me feel this way...
This is so unreal, what I feel
Flood, sell your soul, feel the blood
Pump through your veins, can't explain
The element that's everything
Just clench your fist and close your eyes
Look deep inside, hypnotize
Yes, the ecstasy, you can pray
You will never let it slip away
Like the echoes of your childhood laughter, ever after
Like the first time love urged you to take it's guidance, in silence
Like your heartbeat when you realize you're dying, but you're trying
Like the way you cry for a happy ending, ending...
I know

domingo, 3 de maio de 2009

Who scared you?

Who scared you?
The Doors


Who scared you
And why were you born, my babe
In two time's arms
With all of your charms, my love

Why were you born
Just to play with with me
To freak out
Or to be beautiful, my dear

Load your head
Blow it up
Feeling good, babe

Load your head
Blow it up
Feeling good, babe

Well, I'm glad that we came
I hope you're feeling the same
Who scared you
And why were you born, please stay

I see your rider coming down the road
Got a virgin carrying a heavy load
One sack of silver and one bag of gold

sábado, 2 de maio de 2009

A Small Victory

Ciúme é uma merda.

Antes que eu nascesse, meu pai já tinha duas filhas, de outro casamento. Como de praxe, os caçulas são sempre os mais paparicados, e depois do meu nascimento, a antiga caçula "perdeu o posto", e creio que isso deve ter mexido um pouco com os brios dela. "Um pouco" é eufemismo.

Tínhamos em casa uma dessas piscininhas de criança, e eu gostava muito de brincar com esta irmã. Sempre a convidava para vir à minha casa, pois ela morava com a mãe, e não conosco. Eu adorava brincar de "Tubarão", como no filme. E numa destas brincadeiras eu quase fui assassinada. Se a minha avó não tivesse chegado na hora, eu teria sido morta pela minha própria irmã.

Ciúme.

Não creio que tenha sido uma brincadeira um pouco mais agressiva, um caldo... Vomitei bastante água depois que a minha avó me resgatou, e já estava a ponto de desfalecer. Eu tinha quatro anos, ela sete. Minha desconfiança de que isso não foi uma brincadeira inocente se deve ao fato de que ela também tentou matar as irmãs dela, por parte de mãe, as mais novas, colocando sabão em pó na mamadeira delas.

Ciúme.

Anos mais tarde, resolvi acobertar uma besteira que a minha prima tinha feito, assumindo um erro dela como se fosse meu. O fiz porque se a culpa caísse sobre a tal prima, o pai dela iria lhe espancar, coisa que o meu não faria comigo (Por pura falta de moral para isso, uma vez que sempre foi ausente). Eu também tenho uma irmã mais nova, uma vez que meu pai nunca cansou de tentar colocar um filho macho no mundo, e falhou em todas as tentativas. No meio da discussão, ele apontou para a minha irmã mais nova e disse "Essa aqui é a minha filha. Você vai ser uma merda como as outras". Neste momento eu entendi a minha irmã mais velha e seu ciúme doentio. Entendi a atitude dela para comigo e para com as outras irmãs dela.

Os pais têm essa mania ridícula de instituir a competição entre os filhos, talvez no intuito de fazer com que eles melhorem, mas essa é uma atitude imbecil, que só faz gerar inimigos dentro do mesmo teto. Ao invés de melhorar por si, um tenta destruir o outro, diminuir o outro, com o fito de melhorar a própria imagem frente aos pais. Ao invés de fazer brilhar a própria estrela, tentam apagar a do outro.

Não, eu não entrei nesse jogo. Aceitá-lo seria sinônimo de derrota. Minha irmã caçula não tinha culpa de nada e eu tenho discernimento o bastante para separar as coisas. Desde esse dia, há 13 anos, nunca mais dirigi a palavra ao meu pai, nunca mais lhe pedi nada, nunca mais frequentei a sua casa. Desde esse dia, não sou mais filha dele, e nunca disse a ele porque.

********************************************************

A Small Victory
Faith No More


A Hierarchy
Spread Out On The Nightstand
The Spirit Of Team
Salvation Is Another Chance

A Sore Loser
Yelling With My Mouth Shut

A Cracking Portrait
The Fondling and the Trophies
The Null Of Losing
Can You Afford That Luxury?

A Sore Winner
And I'll Just Keep My Mouth Shut

It Shouldn't Bother Me, No, It Shouldn't, No, No
It Shouldn't Bother Me, No, It Shouldn't,
But It Does

The Small Victories
The Cankers And Medallions
The little nothings
They Keep Me Thinking That Someday

I Might Beat You
But I'll Just Keep My Mouth Shut

It Shouldn't Bother Me, No, It Shouldn't, No, No
It Shouldn't Bother Me, No, It Shouldn't,
But It Does

If I Speak At One Constant Volume
At One Constant Pitch
At One Consonant Rhythm
Right Into Your Ear,
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear
You Still Won't Hear

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Quanto mais conheço os animais... Mais admiro as plantas!

Dificilmente, a menos que eu me mude para uma fazenda, voltarei a ter animais em casa. Gosto muito deles, mas detesto qualquer tipo de responsabilidade, que para mim representam âncoras, e, principalmente, admito que sou preguiçosa, e detesto ter trabalho. Me viro bem com a solidão e quando me sinto só basta procurar um amigo para conversar um pouco. Não preciso de companhia 24 horas por dia, aliás, isso até me irrita.

***

Estava eu em casa, ontem pela manhã, me arrumando para ir ao trabalho. Ao sair do banho, me encaminhei para a sala com o objetivo de pegar umas coisas que estavam lá, e dei de cara com uma poça gigante de mijo, bem no meio do aposento. Mas nem me irritei muito - Essa era a chance que eu queria.

Tenho uma Pit Bull, que ganhei de presente (de grego), e como moro em apartamento, somos exageradamente íntimas. Ela transita livremente pela casa, dorme comigo na cama, me acompanha ao banheiro, é meu lavador de pratos estilo Flintstones (Aff, agora ninguém mais vai querer comer aqui em casa! Ela só faz a pré-lavagem lambidal, depois eu lavo normalmente, tá?), presencia minhas transadas (As vezes tenta se meter no meio), enfim, sabe mais de mim do que eu mesma. Mas é um bichinho bastante temperamental. Tem vontade forte, inquebrantável. Tão forte que quando contrariada não hesita em retaliar. Conviver com ela fez com que eu começasse a ter dúvidas quanto ao nível de consciência dos animais, e hoje eu tirei uma prova que foi o bastante para que eu me posicionasse definitivamente.

O nome dela é Lady, só para constar.

Ela é bastante dócil com humanos, mas não suporta outros cães, sofre de sociopatia canina* e não atura os de sua espécie. Por este motivo quase não a levo na rua, admito que embora eu tenha bastante força não sou lá muito ágil (Na verdade sou lerda pra caramba), e as vezes é necessário pegá-la no colo, a fim de evitar que ela ataque animais de rua, que de nós se aproximam em nossas caminhadas. Quando meu namorado passa uns dias aqui, a leva mais de três vezes por dia para passear, e por isso ela é apaixonada por ele. Tanto que creio que passou a identificá-lo como líder, e enquanto ele está aqui, a pequena traidora nem olha pra minha cara... Costumo dizer que se ela tivesse a chance de escolher entre a minha companhia ou uma vida em um grande quintal, ela não hesitaria em arrumar as malas. Acho isso de verdade. Ela é de aquário. Sem grandes apegos. E é oportunista como os aquarianos, hahaha.

Bem, como eu disse de início, ela é muito dócil, mas é bruta, então quando recebo visitas as vezes tenho de prendê-la na área, pois quando ela pula nas pessoas costuma arranhá-las, e já a vi fazer belos estragos em barrigas e pernas de amigos. Mas isso para ela é o fim! Também tenho plantas em casa, e a Lady não liga para elas, a não ser nessas ocasiões. Com raiva de estar presa, ela vai até a varandinha, que é contígua à área, e arrasa os pobres vegetais. Retaliação.

Quando preciso que ela desça da cama por algum motivo, ela faz xixi no meio da cozinha, só de raiva. Retaliação de novo. Nunca bato nela, e ultimamente nem tenho mais saco de dar bronca. Assumo a cruz resignadamente e limpo a sujeira da "dona da casa".

Mas ontem aconteceu algo diferente. Eu já tinha notado que quando ela faz algo errado se comporta de maneira diferente, antes mesmo que eu tenha percebido o que aconteceu. Um exemplo é quando chego em casa e ela não me recebe na porta. Ora, se acabei de chegar não teria como saber o que se passou enquanto estive fora, então, se ela se esconde é porque sabe que andou pisando fora da linha. Isso pressupõe que ela tem noção de certo e errado, que tem noções morais. Ontem pela manhã minha bolsa estava em cima da cama com alguns chocolates dentro, e ela é louca por doces (Recentemente perdi uma mochila porque esqueci dentro dela uma trufa que ganhei de presente, e ela, depois de farejar o quitute, roeu a mochila até conseguir comê-lo), mas não pode comer chocolate, pois tem alergia e depois que come algum desenvolve problemas de pele. A afastei da bolsa, que coloquei em cima do armário. Fui tomar banho e quando saí do banheiro dei de cara com aquele mar de mijo na sala. Era a ocasião perfeita para o teste. Eu tinha dúvidas quanto às suas noções de certo e errado, pois uma vez que eu já a repreendi por fazer xixi na cozinha ou comer as plantas, por exemplo, ela poderia estar agindo por reflexo ao me evitar, sem que a consciência do erro partisse dela mesma. Como foi a primeira vez que ela mijou na sala, era a chance para observar seu comportamento. Fui para o quarto como se nada tivesse acontecido, sem fazer cara feia ou qualquer movimento fora da rotina. Quando eu cheguei no quarto ela estava em cima da cama, deitada. Ela me olhou de soslaio, levantando os olhos e... Virou a cara. Esse gesto significa, para mim, que já aprendi como ela se comunica, uma maneira de me evitar, de se esquivar quando eu lhe dou alguma bronca. Tive certeza de que ela sabia que estava errada quando mijou na sala, só que simplesmente não se importou com isso, sendo a "vingancinha" mais importante.


Talvez pelo fato de eu não dar mais broncas quando ela urina na cozinha, ela tenha entendido que eu não me irrito mais com isso, o que a fez mudar de "alvo", e ninguém vai tirar da minha cabeça que a coisa foi pessoal, e que ela queria vingança por não ter podido comer o chocolate, e que queria me irritar! E se ela não tivesse consciência do erro, por que me evitaria? Acho que ela sabia que estava errada, só não se importou com as consequências.

***


Estive hospedada na casa de um amigo em Brasília, que tinha um papagaio e um Pit Bull também. A "Lourinha", o papagaio, era um saco. Ciumenta, não deixava que ninguém se aproximasse do meu amigo e tentava atacar quem tentasse, principalmente as mulheres. Em contrapartida, a cadela, Brisa, é o animal mais divino que já conheci. Linda, engraçada, dócil. Todos a adoram, inclusive eu, que quando vou visitar o amigo levo presentes para ela, e não para ele (huahuahauau). Certo dia acordei pela manhã, e sem a presença do amigo, a Lourinha se mostrava outro animal, principalmente se estivéssemos comendo ou se ela quisesse algo, como sair de casa (Aff, interesses, interesses...). Meu amigo ainda dormia e eu coloquei o pedestal dela fora de casa (Ela ficava solta e voava de vez em quando, mas preferia ficar por lá e no seu suporte. Comida fácil e segurança, sabe como é...). Fui comer biscoito recheado e ela começou a gritar, clamando por atenção. Cheguei perto e comecei a dividir com ela o que comia. Ela costumava defecar de modo que as fezes não caíssem no suporte, para isso se encaminhava até um dos limites da armação, e se posicionava de modo que as fezes caíssem no chão. Neste dia ela já havia defecado, e eu me encontrava do lado oposto ao que as fezes estavam, alimentando ela. Em dado momento, ela parou de comer todo o biscoito, e passou a raspar só o recheio, deixando a massa cair no chão. Quando a Brisa viu isso, correu para comer os restos que a Lourinha tinha dispensado. Dei mais uma metade de biscoito ao papagaio, que ao perceber que o cão estava esperando mais migalhas, deliberadamente se encaminhou até a outra ponta do suporte com o biscoito, roeu o recheio e deixou cair o que queria descartar em cima de suas fezes. E eu acho que ela fez isso de propósito. Eu fiquei indignada, e falei olhando para ela:"Que isso?!". Não gritei, nem sequer falei alto, pois meu amigo estava dormindo ainda, mas ela entendeu que eu tinha percebido o ardil, pois se encolheu toda. Tive certeza de que ela sabia o que estava fazendo, e que queria mesmo sacanear a Brisa, só não achou que eu notaria suas intenções.

***
Isso me lembrou do caso das orcas se alimentado das focas... Na ocasião fiquei com raiva, por pena das focas. E mais ainda porque as orcas estavam literalmente "brincando com a comida", à exemplo dos gatos, que, bem alimentados, brincam com camundongos até matá-los, e depois não os comem. Quem garante que há inocência quanto à dor alheia por parte dos animais? Quem é capaz de afirmar com certeza que eles não estão conscientes da dor que provocam? Ou que estão sim, mas simplesmente... não se importam? Certa vez vi um vídeo no qual um felino atacava um babuíno, e, após matá-lo, descobriu que o mesmo carregava um filhote. O felino então cuidou do filhote como pôde, e o protegeu. Será que não lhe passou pela cabeça algo do tipo "Ih... Fiz merda!"? Meu objetivo não é afirmar nada, uma vez que esse parece ser um enigma praticamente indissolúvel. Mas em relação a esta questão, até que me provem o contrário, me mantenho "agnóstica" quanto à essa pretensa inocência animal: Nem acredito, nem duvido.

É... Quanto mais conheço os animais, mais admiro as plantas! Estas sim, são esfinges.

*Minha tia tem um gato sociopata, o Zezinho. Quando chego em casa ele vai me buscar no portão e me leva até a porta do meu apartamento, se esfregando, pedindo que eu lhe coce as costas. Se joga em cima de qualquer ser humano, mesmo desconhecidos. Mas mete a porrada nos outros gatos da minha tia, detesta todos eles.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pé No Chão, Cabeça Não

Clique na imagem para visualizar em tamanho grande


Mandando bem demaisssss, Chichi.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Jesus Tecno Cristo


Há aproximadamente 2200 anos atrás...

O Chefe de Pesquisas de novas raças perscrutava a Terra de uma distância segura. Com seu super telescópio, conseguia observar a vida humana, e o fazia com crescente irritação. O Comandante Intergalático acabara de lhe dar um ultimato:

- Ou você conserta essa besteira, ou está demitido.

Ele então começou a esbravejar.

- Malditos macacos! Não aprendem nada! Já descemos lá milhares de vezes, já conversamos, já punimos, e nada! Agora o meu emprego está em jogo por causa desta experiência... O Comandante Intergalático quer que eu dê um jeito nisso de uma vez por todas. Ou eu provo que essa raça tem a capacidade de interagir entre si e com o ambiente pacificamente, ou terei de matá-los todos.

Um jovem e promissor pesquisador ouvia seu chefe se lamentar. Ele participara ativamente do projeto de criação de uma nova raça, que, diferente das outras, tecnicamente teria a capacidade de se desenvolver por si, aumentando ao longo de seu curto período de vida a sua inteligência. O protótipo Homo sapiens havia sido diversas vezes testado em laboratório, e muito embora tivesse alguns problemas advindos de sua matriz animal, foi aprovado e o projeto fora implementado no planeta Terra, que possuía todos os recursos capazes de suprir a criatura em todas as suas necessidades.

Durante os estudos preliminares, esse pesquisador, de nome Jesus, se afeiçoou àqueles "macaquinhos". Achava-os tão bonitinhos, tão engraçadinhos! É verdade que viviam fazendo besteira e que causavam muitos transtornos no laboratório, mas ainda assim Jesus olhava aqueles bichinhos com enorme compaixão e com o amor de um Pai, uma vez que ele também participara do projeto de criação.

Mas Jesus também estava desolado com o resultado da experiência. Os Homo sapiens, ao serem colocados na Terra, não tardaram por manifestar seu lado mais animal, e por terem inteligência mais desenvolvida que os outros animais mais simples, tornaram-se perigosos, para si mesmos e para o próprio planeta. Demonstravam grande sede de destruição e igualmente alto poder auto-destrutivo. Observando a criatura e seu comportamento, a equipe de pesquisa conheceu a Lei dos Homens. Ao conhecer uma Lei, pode-se determinar os resultados da aplicação dela através de projeções matemáticas. A equipe então percebeu, horrorizada, que o caminho do Homo sapiens seria a auto-destruição. Isso não seria importante, não fosse o fato de que juntamente com este auto-aniquilamento, a influência perniciosa da criatura seria capaz também de arrasar o ambiente em que vivia, ou seja, todo o planeta Terra.

Quando perceberam isto houve movimentos, várias expedições foram enviadas à Terra, com o fito de doutrinar a criatura. Leis lhes foram impostas, e os homens, que acreditaram ser estas Leis ditadas pelos deuses, as respeitaram durante algum tempo. Porém, após um período eles se esqueciam das Leis e dos Mandamentos, e tornavam a seus comportamentos antigos. Nas cidades onde o germe da destruição e da desobediência aos valores elevados que no Homem haviam sido plantados infectava a maioria, houveram intervenções físicas, que culminaram com o aniquilamento dos seres degenerados que nelas habitavam.

Obviamente alguns espécimes mais promissores eram resgatados, tais como Noé e sua família, salvos do dilúvio, ou Ló, salvo da destruição de Sodoma e Gomorra. Porém embora partindo de matrizes mais puras, os descendentes destes escolhidos igualmente se degeneravam, esquecendo-se das Leis ditadas pelo pessoal da Criação.

O Comandante Intergalático proibiu as intervenções da equipe de pesquisas, pois se estas se tornassem muito frequentes, destruiriam o próprio objetivo do projeto, que afinal de contas se destinava à criação de uma raça que fosse capaz de desenvolver de forma independente as potencialidades encerradas dentro de cada criatura. A equipe de criação não poderia mais "dar uma mãozinha" às criaturas, e teria de deixar que eles se desenvolvessem por si próprios.

Entretanto, a essas alturas, após um período de ausência de aparições "divinas", a situação do Homo sapiens tinha se tornado insustentável. Eles passaram a admitir placidamente e como coisa natural o prazer em destruir a própria espécie.

Ao receber o relatório com os novos dados sobre a experiência, a após aplicar estes dados à Lei dos Homens, o Diretor exigiu do Comandante Intergalático que fosse dado um fim à experiência humana.

Jesus ouviu o parecer do Comandante Intergalático através do Chefe de Pesquisas e ficou desolado. Os humanos, em certo sentido, eram também filhos dele, uma vez que ajudou a criá-los. A idéia original tinha partido do Diretor, que havia idealizado uma forma de vida que fosse capaz de se desenvolver por si própria até ser capaz, à semelhança deles, de também criar. Neste dia a criatura assemelhar-se-ia de tal forma com o criador que não haveria mais possibilidade de distingui-los, e eles se tornariam um só.

Ao fim do dia, Jesus foi para casa muito triste. Amava muito aquelas criaturas, eram como bichinhos de estimação para ele, mantinha um casal consigo, e dividia com eles sua residência. Em seu íntimo não conseguia aceitar a decisão do Comandante, pois por conta de seu convívio com aquelas curiosas criaturas sabia que bastava tratá-las com carinho, conversar com elas, ensinar-lhes coisas com paciência e amor para que obtivesse ótimos resultados. Os espécimes que mantinha consigo eram dóceis, inteligentes e amorosos. Eram notáveis os avanços que faziam a cada dia que passavam na companhia daquele a que denominavam entre si por "Mestre". Ao chegar em casa foi recebido carinhosamente por eles, e ao vê-los abraçou-os e chorou.

No dia seguinte Jesus procurou o Chefe de Pesquisas:

- Qual é o seu plano para provar ao Comandante que o Homo sapiens é capaz do autodesenvolvimento?

O Chefe olhou-o com espanto:

- Ora, plano nenhum! Nem eu tenho fé nisso. Vou é aniquilá-los de vez. Temos o antídoto anti-hominídeo em quantidade suficiente e em grau de especificidade de 100%. O trabalho será limpo, rápido e o restante do planeta não será atingido. Dentro de alguns anos os vestígios destes seres serão soterrados e destruídos pelo clima, então poderemos proceder novo experimento utilizando este mesmo mundo.

A substância Kill Sapiens 052 (KS052) havia sido desenvolvida previamente pelos criacionistas, afim de sanarem descontroles no experimento. Atingia de forma letal apenas a espécie humana, preservando assim qualquer outra forma de vida. Sua ação se fazia dentro de um tempo médio de seis horas. Do primeiro sintoma até o instante derradeiro, eram necessárias somente mais três.

Aflito, Jesus protestou.

- Mas Chefe, você sabe que mantenho espécimes sob a minha proteção e sabe também o quanto eles progrediram. Estas não seriam evidências da capacidade das criaturas?

- E tu achas que eu não argumentei isso? Estava me sustentando todo este tempo neste único fato. Porém o Comandante Intergalático também não pode fazer nada. Hoje, antes que você chegasse, ele me disse que está apenas obedecendo às ordens do Diretor.

- Meu Pai? Meu Pai ordenou isso?

- Sinto muito Jesus, mas essa é a decisão do Diretor. Nada mais podemos fazer. Ele alega que deve haver alguma falha de hardware no Homo sapiens, que deve existir algum problema naquele corpo, de modo que o mecanismo de auto-destruição é acionado todo o tempo. Eu lamento.

Jesus alegou estar se sentindo mal e pediu dispensa do dia de trabalho. Foi para casa e passou o restante do tempo brincando com suas criaturas. Exausto, dormiu no chão, abraçado com elas.

Já estava de pé antes que os primeiros raios de sol despontassem no horizonte. Tomou o rumo da casa de seu Pai, o Diretor de Criação, uma vez que ele não trabalhava no Escritório de Criação, pois ambientes limitados não eram do seu gosto.

- Bom dia, meu Pai.

- Filho, que prazer em vê-lo! Sente-se, vamos tomar o café da manhã juntos.

- Não Pai, preciso lhe falar...

- Eu já sei sobre o que precisas falar, meu filho. É sobre o Homo sapiens, não é? Eu sei que é. Vamos, coma e beba comigo primeiro. Depois conversaremos.

Jesus obedeceu e sentou-se com seu pai na sacada para fazer o desjejum. De lá podia observar todo o infinito.

Ao término da refeição, encaminharam-se para o interior da casa. Jesus começou a lhe falar.

- Você decidiu aniquilar o Homo sapiens por crer que ele tem problemas de hardware. Pois bem, eu tomei uma decisão e estou aqui para pedir sua permissão para que eu possa fazer o que tenho em mente. Quero provar que não há problemas físicos com a criatura. Eu tenho plena certeza disso, pois os que mantenho sob a minha guarda não demonstram tais problemas.... Quero que a minha consciência seja transferida para um Homo sapiens, quero encarnar em um deles. Assim poderei demonstrar na prática o que estou dizendo. Meu corpo ficará aqui, em estado de hibernação, mas minha alma estará na Terra, dentro do corpo de um espécime.

- HAHAHAHAHAHAHAH! Jesus, não seja tolo, meu filho. Se você não conseguir será motivo de uma piada eterna e se conseguir... Será muito pior.

- Por que será muito pior? Assim poderei provar que não há defeito na criatura. Poderei provar que o problema não é físico.

- Meu filho... Acaso não consegues entrever o que sucede à um ser perfeito quando em meio aos imperfeitos? Quanto mais forte a luz, maior e mais escura é a sua sombra. Eles te odiarão por não conseguirem ser como tu. Terão ciúmes e inveja. Inventarão histórias mirabolantes a teu respeito, te farão ídolo distante e não conseguirão perceber que és um exemplo vivo. Serás traído por aqueles em quem mais confiar, serás martirizado por aqueles que não suportarão a impossibilidade de chegar a ser como tu. Quando teu tempo na Terra passar, meu filho, teus ensinamentos serão mal usados e teu nome incitará guerras, ao invés de promover a união. Por fim, vão te destruir completamente, inventando que você nem sequer existiu, para deixarem de se sentir diminuídos frente à tua lembrança.

- Pode ser que não aconteça nada disso...

- Meu filho... Faça o cálculo utilizando a Lei dos Homens, e verá que o resultado será esse.

- E não haverá nenhum que vai me ouvir?

- Sim, existirão uns poucos. Mas serão tão poucos que não vai fazer diferença.

- Mas e daí que serão poucos? Se você acha justo condenar um justo, você é como eles...

- Cale a boca, moleque! Como tu te atreves a me desafiar? Não sabes que somente com a força do meu pensamento posso arrancar todos os dentes da tua boca? Você está louco. Quer se sacrificar por causa destes seres insignificantes, e ainda me trata com desrespeito por conta deles!

Jesus pôs-se a chorar, assustado com o grito do pai, que mais parecia um trovão.

- Pare de agir como criança. Não te martirize por causa daqueles que te negarão. Minha decisão está tomada, acabou-se a discussão.

O Diretor deu as costas e começou a se afastar, quando Jesus gritou:

- E o que eu faço com o que eu sinto por eles? Eu sei dos resultados de todos os relatórios, mas mesmo assim não consigo deixar de gostar deles. Sei que deveria detestá-los, mas não posso... Não consigo... Eu, eu... Não quero! Se eu ajudei a criá-los sou também responsável, e aceito sofrer pelo meu erro, Pai.... Veja, os meus, os meus filhos, os que estão lá em casa... Os amo tanto. Eles não são como os outros... A Terra, Pai, é um ambiente muito duro... É a Lei do Forte, que nós mesmos criamos. Só os melhores sobrevivem. Isso faz com que eles tenham muito medo... Ter medo faz com que se tenha raiva do objeto do medo, Pai. Eu estou com raiva de você, porque você gritou comigo e me ameaçou. Por que eles teriam de ser diferentes? Eles não nascem maus, Pai, a vida na Terra faz com que eles fiquem maus, porque querem se defender, porque acham que têm de se defender todo o tempo, e quando algo de ruim é feito à eles, eles querem dar o troco... Mas isso é porque todos eles morrem de medo. Tentando mostrar que são melhores para obedecer à Lei do Forte, se tornam piores, só que não percebem isso.

- Exatamente, filho. A próxima experiência irá levar estes dados em conta. Chega deste assunto. Eu já tomei a minha decisão.

- Vamos fazer um trato, Pai... Coloque-me lá, e faça com que seja nas piores condições possíveis. Coloque obstáculos no meu caminho. Me tente. Me faça sofrer. Eu aceito. Aceito para provar que não há problemas com a máquina. Se eu falhar e me tornar como eles, eu mesmo aniquilo todos quando voltar, eu mesmo farei questão de pulverizar KS052 na Terra, e matarei os meus espécimes que tanto amo com as minhas próprias mãos. Depois disso abandonarei meu cargo como pesquisador e passarei o resto da minha vida limpando a sua privada. Mas me deixe tentar. Que diferença faz para você? Mesmo que eu sofra, o que é uma existência na Terra perante toda a eternidade que tenho para desfrutar? É somente um piscar de olhos. Me dê a chance de tentar, Pai. No fim das contas admito não ter nenhum argumento válido, Pai... É que eu os amo, só isso.

- Tudo bem, Jesus. Seja feita a sua vontade. Mas quero deixar claro que estarás sozinho. Não conte com a minha ajuda, em momento algum. Não vou tirar você de nenhuma enrascada, não vou aliviar teu sofrimento. Não terás nenhum "super poder". Serás um deles, igual à eles, e como tal, estarás só.

- Amém, meu Pai. Não quero que você me ajude. Quero tentar sozinho.

- Agora vá embora. Essa conversa estragou meu dia.

Jesus se levantou e quando estava próximo da porta, seu Pai pediu que esperasse. Caminhou até o Filho, e se despediu dele com um afetuoso abraço.

Começaram a preparar o corpo de Jesus, para que a separação de sua alma se desse sem problemas. Sua consciência foi mantida cristalizada e inviolável dentro de um pequeno recipiente. No tempo certo, escolheram uma mulher ordinária, mas saudável, e inseminaram nela aquele que mais tarde se tornaria conhecido de todo o mundo.

******************************************************

Pride (In the name of love)
U2

One man come in the name of love
One man come and go.
One man come here to justify
One man to overthrow.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

One man caught on a barbed wire fence
One man here resist
One man washed up on an empty beach
One man betrayed with a kiss.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

Early morning, April four
Shot rings out in the Memphis sky.
Free at last, they took your life
They could not take your pride.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.





PS - Gostaria de lembrar aos críticos do argumento científico, temporal, religioso, sexual, ético, etc&qualquermerda limitante, que isto é um conto de FICÇÃO. Grata.