quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pé No Chão, Cabeça Não

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Mandando bem demaisssss, Chichi.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Jesus Tecno Cristo


Há aproximadamente 2200 anos atrás...

O Chefe de Pesquisas de novas raças perscrutava a Terra de uma distância segura. Com seu super telescópio, conseguia observar a vida humana, e o fazia com crescente irritação. O Comandante Intergalático acabara de lhe dar um ultimato:

- Ou você conserta essa besteira, ou está demitido.

Ele então começou a esbravejar.

- Malditos macacos! Não aprendem nada! Já descemos lá milhares de vezes, já conversamos, já punimos, e nada! Agora o meu emprego está em jogo por causa desta experiência... O Comandante Intergalático quer que eu dê um jeito nisso de uma vez por todas. Ou eu provo que essa raça tem a capacidade de interagir entre si e com o ambiente pacificamente, ou terei de matá-los todos.

Um jovem e promissor pesquisador ouvia seu chefe se lamentar. Ele participara ativamente do projeto de criação de uma nova raça, que, diferente das outras, tecnicamente teria a capacidade de se desenvolver por si, aumentando ao longo de seu curto período de vida a sua inteligência. O protótipo Homo sapiens havia sido diversas vezes testado em laboratório, e muito embora tivesse alguns problemas advindos de sua matriz animal, foi aprovado e o projeto fora implementado no planeta Terra, que possuía todos os recursos capazes de suprir a criatura em todas as suas necessidades.

Durante os estudos preliminares, esse pesquisador, de nome Jesus, se afeiçoou àqueles "macaquinhos". Achava-os tão bonitinhos, tão engraçadinhos! É verdade que viviam fazendo besteira e que causavam muitos transtornos no laboratório, mas ainda assim Jesus olhava aqueles bichinhos com enorme compaixão e com o amor de um Pai, uma vez que ele também participara do projeto de criação.

Mas Jesus também estava desolado com o resultado da experiência. Os Homo sapiens, ao serem colocados na Terra, não tardaram por manifestar seu lado mais animal, e por terem inteligência mais desenvolvida que os outros animais mais simples, tornaram-se perigosos, para si mesmos e para o próprio planeta. Demonstravam grande sede de destruição e igualmente alto poder auto-destrutivo. Observando a criatura e seu comportamento, a equipe de pesquisa conheceu a Lei dos Homens. Ao conhecer uma Lei, pode-se determinar os resultados da aplicação dela através de projeções matemáticas. A equipe então percebeu, horrorizada, que o caminho do Homo sapiens seria a auto-destruição. Isso não seria importante, não fosse o fato de que juntamente com este auto-aniquilamento, a influência perniciosa da criatura seria capaz também de arrasar o ambiente em que vivia, ou seja, todo o planeta Terra.

Quando perceberam isto houve movimentos, várias expedições foram enviadas à Terra, com o fito de doutrinar a criatura. Leis lhes foram impostas, e os homens, que acreditaram ser estas Leis ditadas pelos deuses, as respeitaram durante algum tempo. Porém, após um período eles se esqueciam das Leis e dos Mandamentos, e tornavam a seus comportamentos antigos. Nas cidades onde o germe da destruição e da desobediência aos valores elevados que no Homem haviam sido plantados infectava a maioria, houveram intervenções físicas, que culminaram com o aniquilamento dos seres degenerados que nelas habitavam.

Obviamente alguns espécimes mais promissores eram resgatados, tais como Noé e sua família, salvos do dilúvio, ou Ló, salvo da destruição de Sodoma e Gomorra. Porém embora partindo de matrizes mais puras, os descendentes destes escolhidos igualmente se degeneravam, esquecendo-se das Leis ditadas pelo pessoal da Criação.

O Comandante Intergalático proibiu as intervenções da equipe de pesquisas, pois se estas se tornassem muito frequentes, destruiriam o próprio objetivo do projeto, que afinal de contas se destinava à criação de uma raça que fosse capaz de desenvolver de forma independente as potencialidades encerradas dentro de cada criatura. A equipe de criação não poderia mais "dar uma mãozinha" às criaturas, e teria de deixar que eles se desenvolvessem por si próprios.

Entretanto, a essas alturas, após um período de ausência de aparições "divinas", a situação do Homo sapiens tinha se tornado insustentável. Eles passaram a admitir placidamente e como coisa natural o prazer em destruir a própria espécie.

Ao receber o relatório com os novos dados sobre a experiência, a após aplicar estes dados à Lei dos Homens, o Diretor exigiu do Comandante Intergalático que fosse dado um fim à experiência humana.

Jesus ouviu o parecer do Comandante Intergalático através do Chefe de Pesquisas e ficou desolado. Os humanos, em certo sentido, eram também filhos dele, uma vez que ajudou a criá-los. A idéia original tinha partido do Diretor, que havia idealizado uma forma de vida que fosse capaz de se desenvolver por si própria até ser capaz, à semelhança deles, de também criar. Neste dia a criatura assemelhar-se-ia de tal forma com o criador que não haveria mais possibilidade de distingui-los, e eles se tornariam um só.

Ao fim do dia, Jesus foi para casa muito triste. Amava muito aquelas criaturas, eram como bichinhos de estimação para ele, mantinha um casal consigo, e dividia com eles sua residência. Em seu íntimo não conseguia aceitar a decisão do Comandante, pois por conta de seu convívio com aquelas curiosas criaturas sabia que bastava tratá-las com carinho, conversar com elas, ensinar-lhes coisas com paciência e amor para que obtivesse ótimos resultados. Os espécimes que mantinha consigo eram dóceis, inteligentes e amorosos. Eram notáveis os avanços que faziam a cada dia que passavam na companhia daquele a que denominavam entre si por "Mestre". Ao chegar em casa foi recebido carinhosamente por eles, e ao vê-los abraçou-os e chorou.

No dia seguinte Jesus procurou o Chefe de Pesquisas:

- Qual é o seu plano para provar ao Comandante que o Homo sapiens é capaz do autodesenvolvimento?

O Chefe olhou-o com espanto:

- Ora, plano nenhum! Nem eu tenho fé nisso. Vou é aniquilá-los de vez. Temos o antídoto anti-hominídeo em quantidade suficiente e em grau de especificidade de 100%. O trabalho será limpo, rápido e o restante do planeta não será atingido. Dentro de alguns anos os vestígios destes seres serão soterrados e destruídos pelo clima, então poderemos proceder novo experimento utilizando este mesmo mundo.

A substância Kill Sapiens 052 (KS052) havia sido desenvolvida previamente pelos criacionistas, afim de sanarem descontroles no experimento. Atingia de forma letal apenas a espécie humana, preservando assim qualquer outra forma de vida. Sua ação se fazia dentro de um tempo médio de seis horas. Do primeiro sintoma até o instante derradeiro, eram necessárias somente mais três.

Aflito, Jesus protestou.

- Mas Chefe, você sabe que mantenho espécimes sob a minha proteção e sabe também o quanto eles progrediram. Estas não seriam evidências da capacidade das criaturas?

- E tu achas que eu não argumentei isso? Estava me sustentando todo este tempo neste único fato. Porém o Comandante Intergalático também não pode fazer nada. Hoje, antes que você chegasse, ele me disse que está apenas obedecendo às ordens do Diretor.

- Meu Pai? Meu Pai ordenou isso?

- Sinto muito Jesus, mas essa é a decisão do Diretor. Nada mais podemos fazer. Ele alega que deve haver alguma falha de hardware no Homo sapiens, que deve existir algum problema naquele corpo, de modo que o mecanismo de auto-destruição é acionado todo o tempo. Eu lamento.

Jesus alegou estar se sentindo mal e pediu dispensa do dia de trabalho. Foi para casa e passou o restante do tempo brincando com suas criaturas. Exausto, dormiu no chão, abraçado com elas.

Já estava de pé antes que os primeiros raios de sol despontassem no horizonte. Tomou o rumo da casa de seu Pai, o Diretor de Criação, uma vez que ele não trabalhava no Escritório de Criação, pois ambientes limitados não eram do seu gosto.

- Bom dia, meu Pai.

- Filho, que prazer em vê-lo! Sente-se, vamos tomar o café da manhã juntos.

- Não Pai, preciso lhe falar...

- Eu já sei sobre o que precisas falar, meu filho. É sobre o Homo sapiens, não é? Eu sei que é. Vamos, coma e beba comigo primeiro. Depois conversaremos.

Jesus obedeceu e sentou-se com seu pai na sacada para fazer o desjejum. De lá podia observar todo o infinito.

Ao término da refeição, encaminharam-se para o interior da casa. Jesus começou a lhe falar.

- Você decidiu aniquilar o Homo sapiens por crer que ele tem problemas de hardware. Pois bem, eu tomei uma decisão e estou aqui para pedir sua permissão para que eu possa fazer o que tenho em mente. Quero provar que não há problemas físicos com a criatura. Eu tenho plena certeza disso, pois os que mantenho sob a minha guarda não demonstram tais problemas.... Quero que a minha consciência seja transferida para um Homo sapiens, quero encarnar em um deles. Assim poderei demonstrar na prática o que estou dizendo. Meu corpo ficará aqui, em estado de hibernação, mas minha alma estará na Terra, dentro do corpo de um espécime.

- HAHAHAHAHAHAHAH! Jesus, não seja tolo, meu filho. Se você não conseguir será motivo de uma piada eterna e se conseguir... Será muito pior.

- Por que será muito pior? Assim poderei provar que não há defeito na criatura. Poderei provar que o problema não é físico.

- Meu filho... Acaso não consegues entrever o que sucede à um ser perfeito quando em meio aos imperfeitos? Quanto mais forte a luz, maior e mais escura é a sua sombra. Eles te odiarão por não conseguirem ser como tu. Terão ciúmes e inveja. Inventarão histórias mirabolantes a teu respeito, te farão ídolo distante e não conseguirão perceber que és um exemplo vivo. Serás traído por aqueles em quem mais confiar, serás martirizado por aqueles que não suportarão a impossibilidade de chegar a ser como tu. Quando teu tempo na Terra passar, meu filho, teus ensinamentos serão mal usados e teu nome incitará guerras, ao invés de promover a união. Por fim, vão te destruir completamente, inventando que você nem sequer existiu, para deixarem de se sentir diminuídos frente à tua lembrança.

- Pode ser que não aconteça nada disso...

- Meu filho... Faça o cálculo utilizando a Lei dos Homens, e verá que o resultado será esse.

- E não haverá nenhum que vai me ouvir?

- Sim, existirão uns poucos. Mas serão tão poucos que não vai fazer diferença.

- Mas e daí que serão poucos? Se você acha justo condenar um justo, você é como eles...

- Cale a boca, moleque! Como tu te atreves a me desafiar? Não sabes que somente com a força do meu pensamento posso arrancar todos os dentes da tua boca? Você está louco. Quer se sacrificar por causa destes seres insignificantes, e ainda me trata com desrespeito por conta deles!

Jesus pôs-se a chorar, assustado com o grito do pai, que mais parecia um trovão.

- Pare de agir como criança. Não te martirize por causa daqueles que te negarão. Minha decisão está tomada, acabou-se a discussão.

O Diretor deu as costas e começou a se afastar, quando Jesus gritou:

- E o que eu faço com o que eu sinto por eles? Eu sei dos resultados de todos os relatórios, mas mesmo assim não consigo deixar de gostar deles. Sei que deveria detestá-los, mas não posso... Não consigo... Eu, eu... Não quero! Se eu ajudei a criá-los sou também responsável, e aceito sofrer pelo meu erro, Pai.... Veja, os meus, os meus filhos, os que estão lá em casa... Os amo tanto. Eles não são como os outros... A Terra, Pai, é um ambiente muito duro... É a Lei do Forte, que nós mesmos criamos. Só os melhores sobrevivem. Isso faz com que eles tenham muito medo... Ter medo faz com que se tenha raiva do objeto do medo, Pai. Eu estou com raiva de você, porque você gritou comigo e me ameaçou. Por que eles teriam de ser diferentes? Eles não nascem maus, Pai, a vida na Terra faz com que eles fiquem maus, porque querem se defender, porque acham que têm de se defender todo o tempo, e quando algo de ruim é feito à eles, eles querem dar o troco... Mas isso é porque todos eles morrem de medo. Tentando mostrar que são melhores para obedecer à Lei do Forte, se tornam piores, só que não percebem isso.

- Exatamente, filho. A próxima experiência irá levar estes dados em conta. Chega deste assunto. Eu já tomei a minha decisão.

- Vamos fazer um trato, Pai... Coloque-me lá, e faça com que seja nas piores condições possíveis. Coloque obstáculos no meu caminho. Me tente. Me faça sofrer. Eu aceito. Aceito para provar que não há problemas com a máquina. Se eu falhar e me tornar como eles, eu mesmo aniquilo todos quando voltar, eu mesmo farei questão de pulverizar KS052 na Terra, e matarei os meus espécimes que tanto amo com as minhas próprias mãos. Depois disso abandonarei meu cargo como pesquisador e passarei o resto da minha vida limpando a sua privada. Mas me deixe tentar. Que diferença faz para você? Mesmo que eu sofra, o que é uma existência na Terra perante toda a eternidade que tenho para desfrutar? É somente um piscar de olhos. Me dê a chance de tentar, Pai. No fim das contas admito não ter nenhum argumento válido, Pai... É que eu os amo, só isso.

- Tudo bem, Jesus. Seja feita a sua vontade. Mas quero deixar claro que estarás sozinho. Não conte com a minha ajuda, em momento algum. Não vou tirar você de nenhuma enrascada, não vou aliviar teu sofrimento. Não terás nenhum "super poder". Serás um deles, igual à eles, e como tal, estarás só.

- Amém, meu Pai. Não quero que você me ajude. Quero tentar sozinho.

- Agora vá embora. Essa conversa estragou meu dia.

Jesus se levantou e quando estava próximo da porta, seu Pai pediu que esperasse. Caminhou até o Filho, e se despediu dele com um afetuoso abraço.

Começaram a preparar o corpo de Jesus, para que a separação de sua alma se desse sem problemas. Sua consciência foi mantida cristalizada e inviolável dentro de um pequeno recipiente. No tempo certo, escolheram uma mulher ordinária, mas saudável, e inseminaram nela aquele que mais tarde se tornaria conhecido de todo o mundo.

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Pride (In the name of love)
U2

One man come in the name of love
One man come and go.
One man come here to justify
One man to overthrow.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

One man caught on a barbed wire fence
One man here resist
One man washed up on an empty beach
One man betrayed with a kiss.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

Early morning, April four
Shot rings out in the Memphis sky.
Free at last, they took your life
They could not take your pride.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.

In the name of love
What more in the name of love.
In the name of love
What more in the name of love.





PS - Gostaria de lembrar aos críticos do argumento científico, temporal, religioso, sexual, ético, etc&qualquermerda limitante, que isto é um conto de FICÇÃO. Grata.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Compulsão

Andava pelas ruas com ar decidido. Rosto carrancudo, cenho franzido. Tinha pressa. Vestia calça de estampa camuflada, tais como aquelas do exército, botas e jaqueta. Desviava dos transeuntes com certa irritação... A movimentação deles o irritava, eram obstáculos e deveriam ser transpostos, mesmo que precisasse usar de violência para isso. Ninguém ficaria no caminho dele. Avistou o alvo ao longe. Mordeu os lábios, deixando transparecer ansiedade. Sempre se sentia desta forma antes de conseguir aquilo... Apertou o passo. Transpirava. Por fim chegou onde queria - num ponto de um vendedor ambulante. Dirigiu-se ao homem, quase não se contendo... Tinha vontade de gritar...

- Senhor?

- Pois não?







- Me vê um pirocóptero?




Ele está no Rio


Eu quero conhecer o Stallone!!!

Porque ele interpretou os fodões mais fodões de todos os tempos.

Frases dos personagens fodásticos:

Bandido - "Eu vou explodir tudo isso aqui!!!"
Cobra - "Vai em frente, eu não compro aqui!!!"

"Você é uma doença, eu sou a cura" Cobra

"Eu não quero troféu... só quero o caminhão" Falcão

"Com louco eu não negocio, eu mato" Cobra

"Você atira e machuca pessoas, eu não gosto de gente assim, você é um cocô e eu vou matar você." Cobra

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cities Of The Future

Califórnia pode ter energia vinda de painéis solares espaciais até 2016

A idéia de captar energia solar do espaço já existe há um tempinho; Asimov a incluiu em pelo menos duas de suas histórias que consigo me lembrar - mas poderá virar realidade em 2016.

PG&E, a maior empresa de fornecimento de eletricidade da Califórnia (a que leva o meu dinheiro, por sinal), acabou de assinar um acordo de obtenção de energia solar espacial da Solaren.

O plano é que os painéis solares coletem energia no espaço e mandem para baixo via radiofrequência. O sinal transmitido seria convertido em energia usável na Terra e entraria na rede. A quantidade de energia gerada por uma estação poderia chegar a 4.8 Gigawatts

A empreitada não traz risco para a PG&E porque eles não estão investindo dinheiro algum na companhia, apenas acordando comprar energia a uma certa cotação se o "produto" realmente ficar disponível até 2016

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Cities Of The Future
Infected Mushroom

We gonna run run run
To the cities of the future
Take what we can and bring back home
So take me down to the cities of the future
Everybody's happy and i feel at home

I found myself going away
Never wanting to go back again.
Leaving all my thoughts behind
Searching for some new ones inside.

I found myself

Run run run
To the cities of the future
Take what we can and bring back home
So take me down to the cities of the future
Everybody's happy and i feel at home.

We gonna run run run
To the cities of the future
Take what we can and bring back home
So take me down to the cities of the future
Everybody's happy and i feel at home



Eugenia

Eu já tinha assitido "Gattaca" há tempos atrás, e o revi agora. Adoro esse filme, mas gostaria de fazer algumas considerações, uma vez que a sua mensagem é claramente anti-eugenista.

Nasci com os pés chatos. Eles eram completamente planos, de maneira que isso fazia com que as minhas pernas fossem tortas, e por isso eu não conseguia brincar com as outras crianças. Quando eu tentava correr, um joelho batia no outro e eu caía no chão (Nossa, que coisa mais Forrest Gump!). É lógico que isso tem seus prós, toda moeda tem dois lados: Por conta de não conseguir acompanhar o restante das crianças, acabei desenvolvendo o gosto pela leitura. Mas por outro lado, a sensação de incapacidade sempre me perseguiu.

Usei botas ortopédicas por anos, e o problema foi solucionado. Trabalhei meu corpo, hoje ele é forte e flexível, e eu cheguei até a me aventurar como atleta. Mas não sei se a satisfação que tenho hoje paga pelo sofrimento da infância, quando tudo que eu queria era poder usar sapatilhas. Sapatilhas de boneca, como as outras meninas. Eu era a única menina do colégio a usar botas e calça, e como eu invejava aquelas saias e sapatilhas! As outras crianças me olhavam com estranheza, eu percebia e não chegava perto delas, com medo de ser rechaçada, como tantas vezes acontecia de fato.

Voltando ao filme, Vincent, o personagem "in-válido", é impedido de realizar seu sonho pois sua genética, não manipulada, é "ruim". Ele gostaria de ser astronauta, e esse emprego é reservado somente aos "válidos", cuja genética é considerada perfeita. No fim ele vence por conta de sua perseverança. Mas se Vincent pudesse escolher, com certeza ele optaria por ser um dos "genéticamente programados", não só pela questão da aceitabilidade da sociedade, mas também porque, segundo a trama, isso diminuiria muito o risco de doenças e deformações congênitas.

Não vejo problemas com a eugenia desde que ela possa ser estendida à todos, não somente àqueles que puderem pagar por isso. Ela também não poderia ser usada para propósitos excludentes, como o foi durante o nazismo, motivo pelo qual a idéia ficou tão estigmatizada.

Eu gostaria de não ter nascido com os pés chatos, de não ter sido motivo de piada na escola, e de ter tido a vida de uma criança normal. Não atentar para isso é uma profunda falta de sensibilidade por parte de quem condena a prática da eugenia, uma vez que mesmo que o meu problema tenha sido solucionado, a sensação de inadequação sempre volta a me atacar, tamanha foi a marca deixada em mim na tenra infância, e isso continua a atrapalhar a minha vida até hoje.

Se existe a possibilidade de impedir que uma criança passe por esse tipo de situação desagradável e traumatizante, é imbecilidade e sadismo crer que não há problema em ser "especial" - denominação politicamente correta, da qual eu tenho nojo, uma vez que é só uma máscara que não resolve nada. Qualquer "especial" trocaria essa designação bonitinha pela chance de ter uma vida sem limitações.

Qual o problema em idealizar um futuro onde não existam sofrimentos desnecessários? Eu não vejo empecilho algum, e se você vê, é porque provavelmente nunca teve transtorno que lhe atormentasse o bastante para ser capaz de compreender do que se trata.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Amo!


Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4

Trailer:

Tatuagem

Lembrem-me amigos, caso um dia eu surte, que eu não posso, jamais, fazer uma tatuagem. Não consigo imaginar nada que eu queira ter comigo eternamente, dada a minha impermanência. A essência da tatuagem deve vir de dentro, seu desenho deve expressar algo que esteja primeiramente impresso na alma, para só então aflorar no corpo. Quem se tatua por modismo ou porque é 'bonitinho' não compreendeu seu significado último, que é o emergir de um conteúdo do espírito.

Se é assim, em mim a tatuagem já está feita, não necessito de nenhuma outra. Não ter tatuagem é a minha tatuagem. De Nada.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mars Square Pluto


Um dia o Imperador Romano decidiu ir ao baile funk, pois estava curioso e queria saber do que se tratava aquele fenômeno do qual todos falavam. Quando chegou ao salão de baile, levou à face seu lenço perfumado com alecrim, enojado que ficou com o odor morno e nauseabundo de suor&creme para cabelos. Parou um momento para ouvir a música que preenchia o lugar, e logo a classificou como ruído. Começou a se deslocar, observando, analisando. Aquela dança... Era um convite. As mulheres usavam pouca roupa, estavam quase nuas, com a bundinha empinada, rebolando, com dedinho na boquinha... Convidando, convidando. O suor escorria pelo corpo delas, pela face, pelas costas. Algumas desciam requebrando até o chão. Começou a ficar excitado e não se surpreendeu com a ereção que logo chegou. Mas não as queria para ele, nunca. Jamais encostaria naquelas mulheres, o comportamento vulgar delas lhe dava nojo. E o cheiro, aquele cheiro intraduzível, quente, que lhe invadia as narinas através do lenço, que penetrava o seu íntimo... Sentir aquele cheiro o deixava paradoxalmente enojado e excitado. Vomitar&Gozar.

Aquele calor... Sabia o que devia fazer. Elas estavam pedindo isso, estavam convidando, elas queriam... E ele não poderia deixar de fazer a vontade das meninas. Ordenou à seus asseclas, que o haviam acompanhado, que sequestrassem cinco delas, as cinco mais "cachorronas". Partiram com as reféns rumo ao palácio, e sob o comando do Imperador, iniciaram-se os preparativos assim que chegaram ao seu destino. À hora combinada, ele se sentou confortavelmente em sua varanda, de onde podia visualizar um pátio, localizado um nível abaixo. À frente dele, um enorme banquete. Trouxeram as reféns, nuas. As saídas do pátio estavam bloqueadas por guardas. O Imperador bateu palmas duas vezes e o gesto era a dica para que buscassem o restante dos protagonistas. Trouxeram os cavalos. Os guardas já conheciam o script e sabiam que deviam dar a ordem, uma vez que o Imperador sequer dirigiria a palavra à elas.

"Mamem os cavalos"

Elas se entreolharam confusas. Hesitantes, não se moveram, todas agrupadas no centro do pátio. Ouviu-se o estalar do açoite.

"Mamem os cavalos! Mamem os cavalos!"

Correndo em pânico, cada uma buscou o seu animal. Começaram a chupá-los. O Imperador assistia tudo enquanto comia. Uma delas vomitou, mas sob a força do chicote foi obrigada a retornar à atividade. Uma trombeta soou. Trouxeram bancos.

"Agora fodam com eles. Empinem a bunda e rebolem. Fodam gostoso com eles"

Elas obedeceram e copularam com os animais. Quando a primeira começou a gemer alto e deu mostras de que estava gozando, finalmente o Imperador conseguiu vomitar.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Momento Propaganda

O filme do Chito vai passar!

TV Brasil, antiga TVE, canal 2, dia 03 de maio, 22:30h. Copio as palavras do próprio na divulgação:

"Convido todos para assistirem a:
PÉ NO CHÃO. CABEÇA, NÃO.
O documentário de 27 minutos conta a trajetória de Paulo Silva e Júlio Pecly, dois cineastas que têm, em sua relação de amizade e parceria, o combustível para realizarem seus filmes.
Com alegria, pouco dinheiro, coragem e muita força de vontade, mostram que tudo possível é.

Grande abraço a todos, principalmente aos que acreditam em seus sonhos!

Felipe Malta"


Tô na torcida por ti Chichi, sempre. Feliz demais pelo teu realizar. De alma.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Agricultura Espacial


Exibido 1º protótipo de estufa lunar para cultivar vegetais

Pó desidratado e macarrão em tubo: estes são dois dos itens que compõem o cardápio dos astronautas americanos em suas missões espaciais. Mas as condições das viagens ao espaço melhoraram, e é possível que, em breve, os exploradores do espaço tenham à sua disposição vegetais frescos, um luxo até então restrito aos terráqueos.

A companhia Paragon Space Development Corporation, que se associou à Nasa, agência espacial americana, em experiências com os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS), anunciou um programa de cultivo de flores e alimentos na Lua. O "Oasis Lunar" ("Lunar Oasis") é uma estufa que lembra um pequeno sino tubular, sustentada por um tripé de alumínio. Sua função é fazer crescer plantas na superfície da Lua, onde a força da gravidade é seis vezes menor do que na Terra.

A estufa em miniatura será lançada ao espaço pela Odyssey Moon Ltd, uma empresa privada que investe no desenvolvimento de tecnologias para permitir a vida humana no espaço. O projeto participa de um concurso organizado pelo Google, o "Lunar X Prize", que oferecerá um prêmio de US$ 20 milhões a quem conseguir construir e lançar um robô para a Lua.

Os representantes da Paragon indicaram que serão feitos testes com o "Oasis Lunar" a partir de 2012. Quando for lançada, a estufa em miniatura levará sementes de Brassica, uma planta crucífera da família das couves de Bruxelas e dos repolhos. Como esta planta é capaz de germinar e florescer em apenas 14 dias, este rápido ciclo é muito prático para uma experiência na Lua.

"Colonizar a Lua ou Marte pode parecer algo muito longe, mas é importante começar a pesquisa agora", disse a presidente da Paragon, Jane Poynter. "A pesquisa e colocar em prática sistemas confiáveis leva tempo", antes da instalação de colônias, acrescentou. A Nasa se comprometeu a enviar astronautas para a Lua até 2020, e para Marte até 2030.


Por Quê?

Algumas teorias psicanalíticas dizem que o subconsciente nos faz esquecer de propósito certas lembranças, que seriam pesadas demais para a saúde da psique se mantidas de pé. Mas não lembrar delas não significa que elas não irão nos afetar de alguma forma. Os atos falhos; a repetição de situações desagradáveis, nas quais nos colocamos "involuntariamente"; as reações emocionais desmedidas; para mim constituem a prova de que há algo enterrado lá no fundo da mente "ordenando" nossas ações, com o fito de tornar à consciência a raiz do problema. Então eu sei que preciso continuar a mexer na colméia, aguentando as picadas das abelhas, porque no fim talvez eu encontre mel...

Talvez eu mude o nome deste blog de Misantropia Reativa para "Divã Público". Explico: Eu adoro cozinhar. Gosto inclusive de inventar pratos. Meu programa preferido é reunir os amigos e cozinhar para eles, coisa que faço com capricho, atentando para os detalhes. Mas moro sozinha, e quase nunca cozinho para mim. Não vejo a menor graça. Só sinto prazer em preparar comida para os outros, para mim mesma, embora eu saiba que é necessário, acho incrivelmente chato.

O mesmo raciocínio vale para cá... Minha caótica mente, embora "saiba" de tudo que escrevo aqui, só toma consciência total destes conteúdos depois que eu leio o que acabei de escrever. É lógico que eu poderia escrever para mim, reler o que escrevi e depois descartar ou guardar tudo em escaninhos escuros. Mas como no caso da comida, que acabo só fazendo para outro, não consigo escrever sabendo que irei guardar estas coisas somente para mim. Já até tentei, mas acabo por rascunhar uns tópicos confusos, que depois nem eu entendo quando releio (*!).

Quando comecei este blog, eu tinha a pretensão de que isto aqui fosse uma semente, que as pessoas se identificassem com as minhas idéias e as seguissem. Mas depois de reler tudo que escrevi aqui, vejo que as redações ganharam um cunho cada vez mais pessoal, e a cada dia falo mais de mim mesma. Na verdade, percebo que o objetivo do blog mudou: Se antes eu queria conquistar um exército, hoje quero aglutinar à minha volta pessoas afins, quero encontrar estas pessoas e quero que elas me encontrem, pois é essa a minha visão de família: a espiritual, não aquela que herdamos à nossa revelia. Conheço muita gente, todo tipo de gente, e tenho amigos muito queridos. Mas eu quero mais. Não quero trocar os que já existem, quero poder ampliar a minha rede de confiança, talvez por conta de um velho sonho: Reunir uma grande família em torno de uma mesa. Uma grande família onde todos se amassem e pudessem confiar uns nos outros. Falar do meu íntimo é uma estratégia que poupa tempo para a aquisição do objetivo final: Quem não gostar do que lê a meu respeito tem a chance de "sair fora" rapidinho, assim ninguém perde tempo, e isso é a única coisa que eu sei que todo mundo tem menos a cada minuto. Tempo.

Então, no fim das contas este espaço obedece à duas funções paralelas, mas equivalentes: É por aqui que eu me vejo, e é por aqui que vocês me vêem.

Bem vindos a mim.

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The Trial
Pink Floyd


Good morning, Worm your honor.
The crown will plainly show
The prisoner who now stands before you
Was caught red-handed showing feelings
Showing feelings of an almost human nature;
This will not do.
Call the schoolmaster!

I always said he'd come to no good
In the end your honor.
If they'd let me have my way I could
Have flayed him into shape.
But my hands were tied,
The bleeding hearts and artists
Let him get away with murder.
Let me hammer him today?

Crazy,
Toys in the attic I am crazy,
Truly gone fishing.
They must have taken my marbles away.
Crazy, toys in the attic he is crazy.

You little shit you're in it now,
I hope they throw away the key.
You should have talked to me more often
Than you did, but no! You had to go
Your own way, have you broken any
Homes up lately?
Just five minutes, Worm your honor,
Him and Me, alone.

Baaaaaaaaaabe!
Come to mother baby, let me hold you
In my arms.
M'lud I never wanted him to
Get in any trouble.
Why'd he ever have to leave me?
Worm, your honor, let me take him home.

Crazy,
Over the rainbow, I am crazy,
Bars in the window.
There must have been a door there in the wall
When I came in.
Crazy, over the rainbow, he is crazy.

The evidence before the court is
Incontrivertable, there's no need for
The jury to retire.
In all my years of judging
I have never heard before
Of someone more deserving
Of the full penaltie of law.
The way you made them suffer,
Your exquisite wife and mother,
Fills me with the urge to defecate!

"Hey Judge! Shit on him!"

Since, my friend, you have revealed your
Deepest fear,
I sentence you to be exposed before
Your peers.
Tear down the wall!


Tear down the wall!
Tear down the wall!
Tear down the wall!

sábado, 11 de abril de 2009

The First Brick In The Wall


No colégio, uma professora me ensinou a mentir.

Entrei no jardim de infância aos três anos de idade. Certo dia, senti vontade de fazer cocô no meio da aula, e pedi à estagiária que ajudava a professora que me levasse ao banheiro. Depois de terminar, chamei a "tia" e lhe disse que já tinha acabado. Crianças de três anos não sabem se limpar direito, isso é óbvio, e necessitam de ajuda nesta tarefa. Abrindo a porta do banheiro, ela pediu que eu me vestisse mesmo depois de eu lhe dizer que ainda estava suja. A aula terminou e eu fui para casa. Na hora de tomar banho, fui questionada a respeito do por quê de estar toda cagada. Contei o que tinha acontecido.

Uns dias depois estava na aula, e foi feito o anúncio de uma atividade de pintura na classe. Os meus colegas, um a um, foram sendo chamados e a eles iam sendo entregues tintas e papel. Eu gostava muito de pintar. Meu nome foi deixado por último, e eu estava muito excitada e ansiosa para brincar com as tintas. Distante dos outros colegas, as duas professoras pediram que eu me sentasse. A minha professora começou então um discurso sobre a mentira, enquanto a estagiária apenas escutava. Eu não estava entendendo por que elas estavam me falando aquelas coisas, só queria que terminassem logo para que eu pudesse brincar. Foi então que fui acusada de ser mentirosa, pois ao que parece minha avó fez queixa no colégio pela negligência da estagiária, e ela recebeu uma advertência por isso. A minha professora começou a dizer que como castigo pela minha mentira, eu não iria brincar com os outros. Mas eu não estava mentindo! Eu não tinha mentido! Quando reafirmei que o que eu tinha dito era a verdade, ela me disse que enquanto eu não falasse a "verdade" eu não iria brincar, nem naquele dia, nem depois. 

Eu só tinha três anos, mas percebi que estava sendo coagida a mentir. Confusão. Em casa sempre me diziam para não mentir, pois se descobrissem me castigariam, e agora eu estava sendo castigada por falar a verdade! Confusão, confusão. A estagiária me olhava com cara de santa. Fúria e sensação de impotência. A minha imagem perante a outra professora manchada. O que eu tinha feito de errado? Confusão, confusão. O que eu deveria fazer? Comecei a chorar.
Me calei.
O papel e as tintas me foram entregues. Voltaram para a professora intocados. Nunca mais consegui produzir nada ali. Aprendi a mentir e a mentira matou a minha espontaneidade.

Mesmo depois de todos esses anos, faço votos de que um câncer coma a língua dela. Se já não comeu.


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Another Brick In The Wall
Pink Floyd


We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave those kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall.


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Juízo Final

Não há como negar.
Está na cara.
Peço que o leitor primeiramente clique na imagem acima de modo a visualizá-la em tamanho grande. Volte para cá depois, ok?

Notou algo? Não?

Atenção! Isto é um caso claro de abuso de substâncias anabolizantes! Sim! Michelangelo usou BOMBA na Capela Sistina. O nome real desse quadro é "Juízo Final na Academia". Chega-se a essa conclusão após observar o corpo dos atletas, em especial o das mulheres:

Diga lá... Esse trapézio está puro?

O que dizer então desta musculatura dorsal?


E esse deltóide?

Isso é bomba rapá!

Ao que parece, Michelangelo acreditava que toda bombada é santa, pois só existem mulheres no lado "ascendente" do quadro.
E há provas de que também ocorreu uso de esteróides anabolizantes em outra de suas obras:



No detalhe abaixo, Eva e seu torso à la Deca Durabolin...
...Que poderia muito bem ser confundido com o corpo de Adão.
Em nome de todas as bombadas, fica o agradecimento pela homenagem sacra. Valeu aí Michelangelo!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Anthropos


"... Costuma-se aceitar hoje que a maior e mais característica descoberta de Jung foi a prova empírica da existência real de uma "alma coletiva" ou psique coletiva - o "inconsciente coletivo", como ele denominou. Desde a mais tenra infância, seus sonhos continham as mais impressionantes imagens mitológicas, que possivelmente não seriam explicadas em termos de suas próprias lembranças pessoais e para as quais ele encontrou paralelos explicativos na história religiosa, muitos anos depois. No início de sua carreira médica ele descobriu que o mesmo ocorria com seus pacientes e que mesmo um esquizofrênico produzia imagens religiosas (um tubo no sol, por meio do qual era gerado vento) que constituíam um paralelo exato da imagem contida num antigo texto que, na época, ainda não havia sido publicado. Freud observara materiais semelhantes; ele descreveu essas imagens mitológicas, que emergiam do inconsciente, como "resíduos arcaicos". Para ele, constituíam vestígios do passado (equivalentes ao que o apêndice representa no corpo), enquanto Jung viu nessas imagens, desde o início, os fósseis ainda vitalmente significativos da psique humana. Quase todos os complexos pessoais mais fortes têm um fogo coletivamente humano como núcleo. Jung, portanto, fez uma clara distinção entre duas camadas no reino dos produtos do inconsciente: uma, de conteúdos experimentados, esquecidos ou reprimidos em termos pessoais, e outra, formada pelo inconsciente coletivo, que revela uma natureza psíquica inata, comum a todos os seres humanos.

Um possível modelo de descrição do inconsciente coletivo é o de "campo" que é em si mesmo invisível, mas que pode tornar-se visível com o uso de meios apropriados. Seria de todo errôneo, contudo, imaginar a consciência como uma espécie de Aqui e o inconsciente como uma sorte de Lá, pois a psique é na verdade, um todo consciente-inconsciente, um "Uno todo abrangente". Como mencionamos, o consciente e o inconsciente, como uma espécie de dois-em-um, são o substrato dos processos psíquicos em que ora predomina o inconsciente, como ocorre nos sonhos, ora o consciente, como se passa no estado vígil. O fenômeno da identidade arcaica, que é o sentimento de formar uma unidade com o ambiente, e que constitui a base de toda comunicação entre os seres humanos, tem suas raízes, em última análise, na existência do inconsciente coletivo.

Tal como "pontos ativados" no interior de um campo eletromagnético, encontramos no inconsciente coletivo centros que admitem certo grau de delimitação (mas apenas um certo grau) e que Jung denominou "arquétipos".

(...)

A influência negativa de um arquétipo constelado manifesta-se como possessão, fanatismo cego e rigidez ideológica. Jung tentou mostrar que a antiga imagem arquetípica de Wotan foi reativada no movimento nacional-socialista alemão e resultou num estado de possessão guerreira, semelhante à dos turcos ao derrubarem os portões de Viena aos gritos de "Não Deus, mas Alá!".

Motivações mítico-religiosas também estão por trás da ideologia comunista: a idéia de um reino de paz a ser implantado na terra e, ainda mais, a noção da libertação do ser humano verdadeira ou naturalmente criativa, representado pelo proletariado. É deveras interessante o fato de a imagem arquetípica do anthropos, encontrada na gnose e na cabala, ressurgir em Karl Marx; trata-se do mito do "homem-luz" mergulhado nas trevas e que deve ser libertado. Ulteriormente, contudo, o mito é projetado na sociedade. Capitalistas, revisionistas, imperialistas, etc., constituem os poderes das trevas, que oprimem o "verdadeiro ser humano" altruísta, de visão abrangente e criativo. "A revolução comunista mundial", escreve Robert Tucker, "é para Marx uma revolução de mudança do eu, um ato pelo qual o homem vai dar fim à sua alienação, restaurar a harmonia perdida consigo mesmo e atualizar-se como homem." A meta é "a completa unidade essencial do homem com a natureza, a real ressurreição da natureza, o atingimento do naturalismo do homem e do humanismo da natureza".

Fica-se imaginando por que a imagem de Cristo, como símbolo do anthropos que une a humanidade, não servia à tarefa de libertação "do verdadeiro homem", de modo que ocorressem essas projeções de uma imagem modificada de anthropos - e por que a imagem simbólica do Buda não pôde proteger o Oriente da invasão da ideologia comunista?

Segundo Jung, a imagem de Cristo é por demais unilateralmente espiritual e boa para representar de maneira adequada a totalidade do homem. Faltam-lhe obscuridade e realidade corporal e material. Isso foi percebido, já na Idade Média, pelos alquimistas, os cientistas naturais da época, cuja atenção dirigia-se não à própria redenção, mas à libertação de Deus das trevas da matéria. O divino anthropos que eles procuravam libertar da matéria era uma imagem do homem em que o bem e o mal, o espírito e a matéria, estavam genuinamente unidos, imagem por meio da qual não apenas o homem, como toda a natureza, se tornariam inteiros. É essa imagem alquímica do deus-homem que está constelada na base coletiva da psique do homem contemporâneo e que - por não ser reconhecida - se exprime em toda espécie de projeções singulares, na idéia nietzschiana da super-homem, no "verdadeiro homem" de Karl Marx, na nova imagem crística de Teilhard de Chardin, para mencionar umas poucas. No fundo, o que está se formando no inconsciente coletivo é a imagem do homem da Era de Aquário. A imagem astrológica do período aquariano é uma imagem do homem que, segundo Jung, representa o anthropos como uma imagem do self ou da personalidade interior mais abrangente que habita todos os seres humanos e a psique coletiva. Ele derrama a água na boca de um peixe, da constelação do chamado "Peixe do Sul", que representa alguma coisa ainda inconsciente. Isso poderia significar que a tarefa do homem na Era de Aquário será tornar-se consciente dessa presença interior mais ampla, o anthropos, e ter maior cuidado com o inconsciente e com a natureza, em vez de explorá-la (como acontece hoje, na maioria das vezes).

Como o anthropos também representa a psique coletiva da raça humana, é ele a fonte arquetípica do sentimento de ligação com toda a humanidade. Essa ligação tem vital importância hoje. Eis porque tantas pessoas a perseguem, ou a buscam, com um vigor fanático. Mas quando não é reconhecido conscientemente e percebido no nível interior, pessoal, um arquétipo constelado se apossa à revelia da pessoa e a leva a um estado de possessão. Mas a possessão é mórbida. Os povos primitivos distinguem com grande precisão entre um homem possuído por um "espírito", isto é, por um conteúdo arquetípico, e que, por isso precisa de tratamento, e um xamã ou curandeiro que sabe controlar os espíritos e pode deixar que estes exerçam livremente seus poderes por meio dele sem se deixar possuir. O efeito dos motivos arquetípicos tanto pode levar à loucura como ser culturalmente construtivo; pode levar a um assassinato em massa, de motivação ideológica, ou a uma mania coletiva, assim como pode levar às mais elevadas criações espirituais. (...) As muitas guerras religiosas, batalhas e perseguições ideológicas do passado e do presente constituem, hoje e sempre, a abertura da humanidade à possessão. Na maioria dos tipos de doenças graves há também, em última análise, segundo Jung, um fenômeno de tomada de consciência por conteúdos arquetípicos que, devido a uma fraqueza particular, ela é incapaz de integrar. Quanto mais estreita, racionalista e rígida a consciência, maior o perigo. O conteúdo arquetípico constelado nesses casos individuais ou nessas situações coletivas é, ao mesmo tempo, tanto o maior perigo quanto o poder redentor, porque esses conteúdos sempre vêm à luz e forçam seu caminho a partir do inconsciente, quando este é necessário como compensação da unilateralidade da consciência. Contudo eles só podem ser reconhecidos e integrados pelo indivíduo. Se esse ato de criatividade não ocorrer, o conteúdo persiste, mas na forma de projeção, e o inimigo - isto é, tudo que bloqueia esse conteúdo - é projetado em inimigos externos, enquanto o conteúdo positivo é projetado sob a forma de um líder, um herói ou uma classe de elite. Assim a possibilidade de o conteúdo vir a ser consciente se perde e acontece um estilhaçamento da personalidade ou da sociedade. O mito da queda do anthropos, o homem cósmico, que o transformou na multiplicidade do mundo, reflete esse evento, sendo esse o motivo de a maioria dos mitos relatar que o homem primordial, fragmentado neste mundo, deve ser "reunido de novo" e tornado inteiro. O fato de haver um grande número de arquétipos diferentes (provavelmente em número igual ao de instintos) aponta por certo para uma dissociabilidade da psique humana. Essa tendência a se repartir em diferentes conteúdos arquetípicos é, contudo, contrabalançada no inconsciente coletivo por uma tendência oposta, revelada pela imagem do anthropos que acabamos de discutir e pelo símbolo da mandala. Visto como um alma grupal da humanidade, o anthropos é, literalmente, uma imagem de vínculo que une todos os homens, ou do Eros inter-humano, o solo pré-consciente de toda comunicação e de toda comunhão entre os homens, sendo ainda o elemento psíquico que, por meio do poder de compensar e limitar, se opõe ao impulso ilimitado ou unilateral de viver todos os instintos.

O problema de uma comunidade supranacional de natureza coletivamente humana vem se impondo, a cada dia que passa, como a única solução para uma ameaçadora fragmentação mundial em vários grupos de interesses particulares. O comunismo internacional, na realidade, estabeleceu esse ideal, mas com a exclusão de todos que não apóiam a sua ideologia e com base na identificação com o grupo e não na relação sensível consciente entre as pessoas. Como resultado disso - o que constitui um sinal de possessão -, obtém-se o oposto polar do alvo natural, havendo antes uma dissolução do indivíduo na massa do que um relacionamento consciente com os semelhantes. Em outras palavras, o arquétipo do anthropos pode operar de uma maneira positiva, tão-só quando é consciente e criativamente constelado no ser humano individual. Jung sustentou sozinho esse ponto de vista, contrário a todos os "ismos", a todas as tendências da moda e ao fanatismo ideológico, tendo sido criticado por todos os lados, sem jamais mudar de opinião."

C. G. Jung - Seu mito em nossa época. Marie Louise von Franz

domingo, 5 de abril de 2009

Creep


Aos seis anos de idade tentei o suicídio. Não houve uma causa, um evento específico que tenha me precipitado a tal ato, foi um conjunto de coisas. Sensações de inadequação, de que nada dava certo e de isolamento misturadas à curiosidade de saber o que há do outro lado. Nada daqui estava me interessando muito, então, quem sabe do lado de lá? Há um lado de lá? Brincar de morrer não me pareceu uma idéia tão ruim assim.

No portal de um dos quartos havia uma polibarra, dessas portáteis que se ajustam a diferentes comprimentos, para exercícios caseiros. Subi na cama que havia próxima à porta e amarrei na barra um sutiã, que depois passei também em torno do pescoço. De pé na cama, respirava ofegante antes do salto. Decisão tomada, pulei. Meu erro idiota ficou então evidente: O sutiã era elástico, e esticou tanto quando saltei que meus pés tocaram o chão. A tensão foi suficiente apenas para uma asfixia razoável, e percebi que ela não seria efetiva. Me debati um pouco e me virei para tentar novamente subir na cama e desfazer o laço, e nestes poucos segundos a barra, que estava mal ajustada, caiu bem na minha testa.

Patético.
Sentada no chão, nunca me vi tão ridícula.



Creep
Radiohead



When you were here before
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
So fucking special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

I don't care if it hurts
I just want to have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
When I'm not around
You're so very special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here.

She's running out again
She's running out
She run, run, run, run
Run.

Whatever makes you happy
Whatever you want
So fucking special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here
I don't belong me.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Greenpeace e as Eco anthas

O gênero Eco se mostra a cada dia mais prolífico. Depois do Eco chattus, mais uma espécie foi descoberta: Eco antha. Ontem vários espécimes de Eco antha puderam ser fotografados, filmados e alguns foram até mesmo capturados e levados para identificação. Os indivíduos dessa espécie costumam marcar presença em manifestações pró causas ecológicas, mas sua atividade é curiosa: Ao invés de contribuírem para a preservação, ajudam a poluir. A ação de ontem do Greenpeace, que ao que parece é um grande celeiro de Eco anthas, devido ao congestionamento de 18Km causado pela manifestação contra o aquecimento global (que além de discutível é cada vez menos creditado à ação antropogênica) só poderá ser "limpa" com o plantio de 100 árvores, segundo dados fornecidos pela ONG Iniciativa Verde.

Mas não é só no Greenpeace que a Eco antha se prolifera. Como já foi dito, sua presença pode ser constatada em qualquer manifestação da eco-moda: Distribuem panfletos e confeccionam cartazes, o que significa gasto de energia, papel e outros materiais = mais lixo; pintam o corpo para pedir a libertação animal com tintas testadas em animais; enchem o saco tumultuando o trânsito, o que ao invés de gerar simpatia por parte da população tem como resultado o efeito inverso.

Só nos resta esperar que os CCZs de plantão estejam atentos e não deixem de controlar essa praga... É como eu sempre digo: Gente burra faz mais estrago que bomba atômica.


Olha mãe! As anthas sabem fazer acrobacia!

1° de Abril

Tá, hoje é dia dois... Mas eu vivo atrasada mesmo...



Depois ninguém entende porque eu tenho pânico de multidão, rsrsrsrsrsrs