segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Hello Nazi!


O último sábado não foi o de Aleluia, mas não faltou quem não estivesse procurando um Judas para "malhar". Helicóptero da PM abatido, iminência de guerra civil, briga entre facções rivais do tráfico de drogas. Um momento que ofereceu a oportunidade perfeita para observar o que realmente se passa com o brasileiro, uma vez que essas ocasiões onde a "sede de justiça" clama mais alto geralmente costumam derrubar certas barreiras morais...

Consulto regularmente um periódico online que libera comentários dos leitores para as notícias. Como de costume fiz isso no sábado, e, nas páginas cujo assunto era a queda do helicóptero, pude observar que os ânimos estavam exaltados e que os comentários estavam cada vez mais demonstrando traços de segregacionismo. Resolvi então fazer um "experimento sócio-antropológico": Postei um comentário cujo teor era um pouco mais "ousado" que aqueles já postados na página do periódico. Meu objetivo era medir o grau de "nazismo" dos meus compatriotas, que se dizem tão livres de preconceitos e se orgulham de viver em uma nação cuja mistura de raças fez do Brasil um país onde, tecnicamente, não há conflito de etnias ou classes sociais.

Como eu na verdade já esperava, essa "ausência de preconceitos" do brasileiro é pura conversa para boi dormir. Após o meu comentário, dezenas de pessoas "engrossaram o caldo", aproveitando o fato de alguém ter sido mais contundente antes delas... Liberou geral, abri a caixa de Pandora ao retirar as amarras morais dos comentaristas: A sessão se transformou em uma amostra perfeita da hipocrisia tamanha que é o pensamento politicamente correto - Coisinha bonitinha, mas que só serve no papel.

Alguns pediam bombas nas favelas, que enfeiam a cidade e cujos habitantes são temidos e "vivem às custas de todo o restante da população" e cuja morte seria justificável pois são "todos bandidos, porque são cúmplices". Outros tantos pediam a castração dos mesmos. Paulistas pediam que o Rio de Janeiro fosse todo destruído, pois "no Rio só há vagabundos e putas". Brancos culpavam o "instinto de ladrão" dos negros. Negros culpavam brancos pela sua "falta de oportunidade". Uns gritaram que a culpa é dos nordestinos que invadiram a cidade e se instalaram nas favelas. Gaúchos pediam que seu estado se tornasse independente do Brasil. Pobres culpavam burgueses. Ricos diziam que a culpa é dos miseráveis ignorantes. Houve negro culpando negro, e se dizendo "homem de cor" ao tentar se colocar acima dos de mesma etnia a que estava culpando. Todo tipo de ataque segregacionista, por mais surreal que pareça - uma vez que gays e mulheres não têm nenhuma ligação com o abate da aeronave - começou a ocorrer.

Não é difícil imaginar como Hitler conseguiu convencer toda Alemanha a lhe seguir. Ele apenas se aproveitou de uma característica humana comum e a estimulou com maestria. A discriminação, o horror às diferenças, a necessidade de apontar o dedo para algo fora de si mesmo e lhe atribuir culpa são atributos humanos que podem diferir em intensidade ou objeto, mas que estão presentes em todos nós, e mesmo aqui, na nação mais miscigenada do planeta - o que é um contrasenso interessante. O nova ordem mundial com seu discurso politicamente correto só calou as bocas ao transformar em crime a manifestação destas características, mas não retirou de dentro do homem essa inclinação ao ódio.

Nossa complacência é mentirosa, falsa e hipócrita. O oprimido de hoje sonha em ser o opressor de amanhã - Bom exemplo é o dos negros que acusam os brancos de racismo mas que possuem publicações e programas de TV exclusivos para negros, e que ostentam camisas com a inscrição "100% negro" orgulhosamente. Se um caucasiano usar uma camisa com o emblema "100% branco" será taxado de preconceituoso. Qual a diferença entre um e outro eu sinceramente não consigo perceber.

Ao fim do meu breve "estudo sócio-antropológico" só pude chegar à uma conclusão: Somos todos nazistas.