sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Prefiro


Ele é simpático. Sorri.
Preservem a Natureza. Não joguem nada nele.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Manifesto À Preguiça

Este é o meu pecado favorito!
Antigamente ele não constava da lista dos sete, passou a figurar nela para substituir "melancolia", cuja definição foi considerada vaga demais.
No dicionário, preguiça é sinônimo de falta de disposição para o trabalho, malandrice, demora ou lentidão em agir etc.

Calúnia!

O preguiçoso nada mais é que alguém que leva o hedonismo às últimas consequências. O preguiçoso é alguém que não suporta fazer absolutamente nada que não lhe dê prazer. O problema é que, talvez, ele sinta prazer em fazer poucas coisas...

Mas, vejam bem, o preguiçoso possui uma alma de grande valor! É sua extrema seletividade que o impede de se atirar a uma ação que ele não considere de suma importância (e o que é tão importante, uma vez que tudo é vão?!).
Sua incapacidade para fazer qualquer coisa que o contrarie denota um espírito incorruptível, afinal, ir contra o princípio do prazer não é, de certa maneira, um tipo de prostituição?
E o que dizer então da capacidade contemplativa dos preguiçosos? Oh! apenas nós conseguimos extrair o prazer máximo de coisas simples, tais como a observação de um belo pôr do sol ou de uma flor. Os ativos geralmente não enxergam a beleza destes eventos, porque estão sempre querendo interferir no que ocorre ao seu redor, consequentemente não sabem ficar quietos dentro de seus próprios quadrados e continuamente tentam invadir o quadrado alheio. 

Ah... Como eu adoro ser autoindulgente...

Ajuda atrapalha?

"Pelo amor de Deus, parem de ajudar a África!", afirma economista do Quênia
Especialista explica que a ajuda internacional alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, o que destrói a produção agrícola e causa desemprego, mais miséria e mais dependência

Thilo Thielke
Em Hamburgo

O especialista em economia James Shikwati, 35, do Quênia, diz que a ajuda à África é mais prejudicial que benéfica. O entusiástico defensor da globalização falou com a SPIEGEL sobre os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, sobre governantes corruptos e a tendência a exagerar o problema da Aids.

DER SPIEGEL - Senhor Shikwati, a cúpula do G8 em Gleneagles deverá aumentar a ajuda ao desenvolvimento da África...

James Shikwati - Pelo amor de Deus, parem com isso!

DS - Parar? Os países industrializados do Ocidente querem eliminar a fome e a pobreza.

Shikwati - Essas intenções estão prejudicando nosso continente nos últimos 40 anos. Se os países industrializados realmente querem ajudar os africanos, deveriam finalmente cancelar essa terrível ajuda. Os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão em pior situação. Apesar dos bilhões que foram despejados na África, o continente continua pobre.

DS - O senhor tem uma explicação para esse paradoxo?

Shikwati - Burocracias enormes são financiadas (com o dinheiro da ajuda), a corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprendem a ser mendigos, e não independentes. Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor de que tanto precisamos. Por mais absurdo que possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, os africanos comuns nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos seriam duramente atingidos. E é por isso que eles afirmam que o mundo pararia de girar sem essa ajuda ao desenvolvimento.

DS - Mesmo em um país como o Quênia pessoas morrem de fome todos os anos. Alguém precisa ajudá-las.

Shikwati - Mas são os próprios quenianos quem deveriam ajudar essas pessoas. Quando há uma seca em uma região do Quênia, nossos políticos corruptos imediatamente pedem mais ajuda. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU --que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicar-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada. É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais ajuda. E não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro do que o governo africano solicitou originalmente. Então eles enviam esse pedido a seu quartel-general, e em pouco tempo milhares de toneladas de milho são embarcadas para a África...

DS - Milho que vem predominantemente de agricultores europeus e americanos altamente subsidiados...

Shikwati - ... e em algum momento esse milho acaba no porto de Mombasa. Uma parte do milho em geral vai diretamente para as mãos de políticos inescrupulosos, que então o distribuem em sua própria tribo para ajudar sua próxima campanha eleitoral. Outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais também podem guardar seus arados; ninguém consegue concorrer com o programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.

DS - Se o Programa Mundial de Alimentação não fizesse nada, as pessoas morreriam de fome.

Shikwati - Eu não acredito nisso. Nesse caso, os quenianos, para variar, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com Uganda ou Tanzânia, e comprar alimento deles. Esse tipo de comércio é vital para a África. Ele nos obrigaria a melhorar nossa infra-estrutura, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais --traçadas pelos europeus, aliás. Também nos obrigaria a estabelecer leis favorecendo a economia de mercado.

DS - A África seria realmente capaz de solucionar esses problemas por conta própria?

Shikwati - É claro. A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara. Além disso, existem vastos recursos naturais: petróleo, ouro, diamantes. A África é sempre retratada como um continente de sofrimento, mas a maior parte dos números é enormemente exagerada. Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Mas, acredite-me, a África já existia antes de vocês europeus aparecerem. E não fizemos tudo isso com pobreza.

DS - Mas naquela época não existia a Aids.

Shikwati - Se acreditássemos em todos os relatórios horripilantes, todos os quenianos deveriam estar mortos hoje. Mas agora os testes estão sendo realizados em toda parte, e acontece que os números foram enormemente exagerados. Não são 3 milhões de quenianos que estão infectados. De repente eram apenas cerca de um milhão. A malária é um problema equivalente, mas as pessoas raramente falam disso.

DS - E por quê?

Shikwati - A Aids é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajuda quanto números chocantes sobre a Aids. A Aids é uma doença política aqui, e deveríamos ser muito céticos.

DS - Os americanos e europeus têm fundos congelados já prometidos para o Quênia. O país é corrupto demais, segundo eles.

Shikwati - Temo, porém, que esse dinheiro ainda será transferido em breve. Afinal, ele tem de ir para algum lugar. Infelizmente, a necessidade devastadora dos europeus de fazer o bem não pode mais ser contida pela razão. Não faz qualquer sentido que logo depois da eleição do novo governo queniano --uma mudança de liderança que pôs fim à ditadura de Daniel Arap Mois--, de repente as torneiras se abriram e o dinheiro verteu para o país.

DS - Mas essa ajuda geralmente se destina a objetivos específicos.

Shikwati - Isso não muda nada. Milhões de dólares destinados ao combate à Aids ainda estão guardados em contas bancárias no Quênia e não foram gastos. Nossos políticos ficaram repletos de dinheiro, e tentam desviar o máximo possível. O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo em nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses, o recebemos e então o gastamos".

DS - No Ocidente há muitos cidadãos compassivos que querem ajudar a África. Todo ano eles doam dinheiro e mandam roupas usadas em sacolas...

Shikwati - ... e então inundam nossos mercados com essas coisas. Nós podemos comprar barato essas roupas doadas nos chamados mercados Mitumba. Há alemães que gastam alguns dólares para comprar agasalhos usados do Bayern Munich ou do Werder Bremen. Em outras palavras, roupas que algum garoto alemão mandou para a África por uma boa causa. Depois de comprar esses agasalhos, eles os leiloam na eBay e os mandam de volta à Alemanha -- pelo triplo do preço. Isso é loucura!

DS - ... e esperamos que seja uma exceção.

Shikwati - Por que recebemos essas montanhas de roupas? Ninguém passa frio aqui. Em vez disso, nossos costureiros perdem seu ganha-pão. Eles estão na mesma situação que nossos agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários da África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo de produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.

DS - Depois da Segunda Guerra Mundial a Alemanha só conseguiu se reerguer porque os americanos despejaram dinheiro no país através do Plano Marshall. Isso não se qualificaria como uma ajuda ao desenvolvimento bem-sucedida?

Shikwati - No caso da Alemanha, somente a infra-estrutura destruída tinha de ser reparada. Apesar da crise econômica da República de Weimar, a Alemanha era um país altamente industrializado antes da guerra. Os prejuízos criados pelo tsunami na Tailândia também podem ser consertados com um pouco de dinheiro e alguma ajuda à reconstrução. A África, porém, precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Temos de parar de nos considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um homem de negócios. Para mudar a situação atual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.

DS - Se fizessem isso, muitos empregos seriam perdidos imediatamente.

Shikwati - Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito apreciados, é claro, e elas podem ser muito seletivas na escolha das melhores pessoas. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. E como é inaceitável que o motorista só fale sua língua tribal, o candidato também deve falar inglês fluentemente --e, de preferência, ter boas maneiras. Então você acaba com um bioquímico africano dirigindo o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida européia e forçando os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente loucura!

DS - O governo alemão se orgulha exatamente de monitorar os receptores de suas verbas.

Shikwati - E qual é o resultado? Um desastre. O governo alemão jogou dinheiro diretamente para o presidente de Ruanda, Paul Kagame, um homem que tem na consciência a morte de um milhão de pessoas --que seu exército matou no país vizinho, o Congo.

DS - O que os alemães deveriam fazer?

Shikwati - Se eles realmente querem combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir sua sobrevivência. Atualmente a África é como uma criança que chora imediatamente para que a babá venha quando há algo errado. A África deveria se erguer sobre os próprios pés. 
 
Em: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/07/322763.shtml 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Conterrâneos

Peixes inspiram

Peixes são bizarros

Peixes são o Sonho

Peixes são inacreditáveis

Peixes são...
...escorregadios.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Térmite




Alguém sente culpa por matar uma formiga?
Hoje, durante meu trânsito normal, devo ter aniquilado centenas delas. Sem querer, simplesmente por estar caminhando. Não estou me sentindo uma assassina por isso. Não que eu deixe de gostar das formigas, acho alguns insetos mais interessantes que muitos mamíferos. Entretanto, creio que apenas os exageradamente sensíveis vão chorar pela vida perdida das formigas, uma vez que elas não possuem sequer nocicepção suficiente para sofrer.

Que eu saiba, apenas os jainistas se importam com elas.

Já que 99,99% da população não se importa em matar formigas, que estão vivas e existem, embora não sofram, por que tanta preocupação com um embrião?
Um embrião não sente dor. Um embrião não é, pode ser. Um embrião é tão consciente quanto uma célula minha, que fora do meu corpo não é nada, pois não existe como entidade autônoma.

Nunca abortei, mas se um dia precisar vou fazê-lo. Sem culpa alguma. E quem me conhece sabe que passo longe do ateísmo. Mas se o meu Deus não me condena por matar uma formiga, que é, por que me condenaria por tomar a decisão de não deixar vir a ser algo que só possui o potencial de existir?

Embora eu condene moralmente a atitude do Serra, não deixo de admirar uma boa estratégia. E embora eu absolva a Dilma por esta questão específica, pois tenho afinidade ideológica com ela neste quesito, a condeno por cagar no pau e ter voltado atrás. Mas mais que isso, jogo álcool e fogo no povo, que acha que Deus se importa mais com um amontoado de células que com um ente que existe. Essa discussão é muito maior que um momento político.

Não coloco a culpa na religião. Faço uma analogia com a música. Eu gosto de Pink Floyd, mas detesto determinadas músicas deles. Detestar algumas composições não me faz detestar o todo. E assim é tudo. Não dá pra vestir integralmente nenhuma camisa, a menos que não se tenha senso crítico algum. Logo, o problema não está na religião, mas sim nas pessoas. Se as religiões não existissem, qualquer outra panacéia tomaria seu lugar, fosse uma ideologia política, o nacionalismo ou qualquer outra besteira que agregue mais que cinco pessoas em torno da ideia de outrem. Culpar a religião é a mesma coisa que culpar um automóvel pelo atropelamento de alguém. O automóvel em si é inofensivo.

E eu não voto de novo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

'Nosso lar' bate recorde ao atingir a marca de dois milhões de espectadores



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

In Vitro

Era uma vez...




... que ganhou o... 




...por ter feito...




...contribuindo indiretamente para...






Fim

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Hoje tem palhaçada? Tem sim senhor!

Não fui votar. De novo. Meu título a essas alturas já deve ter sido cancelado. Não me importo. Alguns podem julgar minha atitude como ignorância política, falta de interesse ou mesmo algo do tipo "deixa a vida me levar", mas eu sei exatamente por quê me abstive: já sabia que o Tiririca ganharia.

Assim como não creio que o problema da poluição se deva ao excesso de consumo individual, mas sim à quantidade de gente que consome, penso que o cerne da questão relativa aos políticos brasileiros mora na qualidade do eleitorado que constitui a maioria da população brasileira ----> Pra bom entendedor, meia palavra basta. Veja bem, elegeram um palhaço. Se o voto funciona como uma espécie de espelho, estamos com sérios problemas... Logo, me abster de participar disso é a coisa mais coerente que eu podia fazer, ao evitar participar desta vergonha. O índice de não-comparecimento às urnas chegou a quase 20% nestas eleições e, penso que, talvez, se um dia chegar aos 50%, fique claro o absurdo que é a obrigatoriedade do voto e essa regra caia de vez.

Conversando sobre hipóteses e desfechos,  levantaram a seguinte questão: se isso deixasse de ser uma obrigação, o voto de cabresto seria facilitado. Não creio nisso. É preciso lembrar que estamos no Brasil. OI?! Alow! Brasil! Aqui todo mundo é corrupto, não só os políticos. Eles são apenas brasileiros, como todos nós. Imagino então que as tentativas de compra de votos até existiriam, mas como o que impera aqui é a lei de Gerson, haveria gente vendendo o voto duas, três vezes... Aqui acende-se uma vela pra Deus e outra pro diabo. Você, que está lendo isso e espumando de raiva por não se enquadrar na descrição acima, tenha um pouco mais de discernimento e não use de patriotismo fajuto. No fundo você sabe que aqui é assim mesmo e que a corrupção é um dos pilares de nossa rica cultura. É só acompanhar os estados em que a Dilma teve maioria: os mais pobres do país, todo mundo de olho no "bolsa família". Ora, isso não é corrupção? Não é querer levar vantagem? O voto de cabresto já existe, só que é sutil. Já dizia Goethe: "ninguém é mais escravo que aquele que se acredita falsamente livre".

Não votei e pretendo não fazê-lo até que exista liberdade de fato. Enquanto o voto aqui for obrigatório, eu vou continuar me negando a perder meu tempo e a participar deste circo, cheio de palhaços, do qual o Brasil é feito.