sexta-feira, 29 de julho de 2011

Tazmania

O diabo-da tasmânia está próximo da extinção. A espécie é vítima de uma epidemia, causada por um câncer contagioso.
Alguns cientistas estão coletando o DNA da espécie para que seja possível reverter o processo caso seja necessário.
Não sei se concordo.
É um processo natural, espécies surgem, espécies desaparecem. Nada é estático, o mundo está em constante mudança.

Encontrei hoje uma notícia sobre a Somália, que dizia que alguns membros de missões humanitárias foram mortos por rebeldes, e que os mesmos se desfizeram de medicamentos e alimentos enviados para lá.

Todas as culturas conhecidas tiveram como base moral a religião. A convenção social sobre certo e errado provém, ao menos primitivamente, desta fonte. E percebo que as culturas que "deram certo" são as que adotaram religiões que primam pelo altruísmo. Se somos seres sociais, quanto maior for o reforço dado aos laços que nos unem, mais forte a comunidade, mais forte o grupo. Em contrapartida, as religiões que são permissivas com o mal, não no sentido de estimulá-lo mas de não condená-lo - permitindo a existência de práticas "mágicas" que podem prejudicar outros indivíduos (sic) - produzem culturas nas quais o grupo acaba saindo no prejuízo e acaba indo, literalmente, à falência.

Assim como não acho correto evitar o desaparecimento do diabo-da-tasmânia,  pois este é o curso da Natureza, não penso ser válida a iniciativa de preservar tais culturas, pois, ao que parece, seu processo de degradação parte dos próprios indivíduos que delas fazem parte - uma vez que eles mesmos, além de recusar a ajuda, não conseguiram sair da linha da miséria por si. O diabo-da-tasmânia perecerá por conta de um câncer facial, tais culturas por conta de um câncer moral.

Não julgo aqui o indivíduo, assim como seria um despropósito julgar um diabo-da-tasmânia. É apenas uma constatação acerca do tipo de direcionamento que pode ser eficaz - no sentido de criar uma sociedade próspera, que tenha condições de progredir.
Sofremos de um problema parecido no Brasil. Embora este seja um país muito rico, enquanto nossa cultura for permissiva com  a malandragem não progrediremos, pois "passamos a perna" uns nos outros e consideramos isso normal. Louvável até. Sinal de "esperteza". Quem consegue uma vantagem escusa em algo, normalmente conta o fato em meio à vanglória.
Essa atitude pode até beneficiar o indivíduo, mas torna o grupo fraco e a cultura frágil.

Joseph Campbel, embora não tivesse religião alguma, acreditava que elas podem ser úteis, caso UM caminho fosse escolhido e trilhado até o fim.
Embora o Brasil seja predominantemente católico, aqui sempre prevaleceu o samba-do-crioulo-doido: a maioria dos indivíduos faz promessa para santo católico, arreia despacho para entidade da umbanda, frequenta centro de mesa e recebe mensagem psicografada, tudoaomesmotempoagora... enfim, não há linearidade de crença, e isso se reflete na moral.
Moral fraca gera indivíduos corruptos. Uma sociedade formada por indivíduos corruptos está fadada ao insucesso.

Há os que defendam que existe perda de patrimônio histórico quando uma cultura se perde. Mas desde que o processo seja natural, não consigo enxergar problema algum. Seria a mesma coisa que defender a continuidade da crença na terra plana, por medo da perda cultural causada pelo conhecimento de que, na verdade, ela é redonda.
Um disparate total.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Legião

São apenas dois os momentos
Em que estou presente:
Em meio à multidão ou só.
No embate homem a homem,
Meu destino é tornar-me pó.

Pois que para sermos justos,
Devemos dar o que recebemos
E quem me vê desta forma,
Ama ou odeia o próprio reflexo
Através do que o espelho lhe informa.

Quem jamais esteve junto ao grupo
Não me enxergou, embora tenha me visto
E segue mirando a si mesmo
Me fazendo graça quando percebo
Quem é seu próprio inimigo.

Cada um com uma opinião diferente
Sou tantos quantos eu cruzar
Pois que nunca veem a mim por inteiro
Somente o que estão a projetar.

Gotas de Sabedoria

"Burrice é fazer sempre as mesmas coisas esperando obter resultados diferentes"

"Você pode até fazer a sua mulher gozar, mas se não souber fazê-la rir, o pé na bunda é certo."


Por Mestre Rui Faquini.