quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Homem Espelho

Eu o reflexo.
Do côncavo,
Sou o convexo.
Alguns sentimentos seguem em anexo.

Exprimo a vontade sua,
Pura,
Nua,
E crua.

Sou!
O Homem Espelho
Das justas trocas diárias.

Potencializado reagir.
Resultado dos seus atos,
Sou fatos.
O esgoto dos seus ratos.

Não sou falta,
Nem excesso.
Sou equilíbrio expresso,
Transparente reto!

Moro aqui,
Onde a ordem dos fatores,
Altera o produto.
Intuito.

Respeito,
Combustível indispensável,
Para a batida interna e feliz do peito.
Na falta,
Perde-se o direito.

Reciclo,
Complexas emoções primárias.
Sou o Homem Espelho das justas trocas interplanetárias.

Por Felipe Malta

Cole Por Aí!

É só baixar no link http://www.agenciauna.com.br/download/ADESIVO.png e imprimir em adesivo!
Boas ideias têm que circular!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Decadência

"...cujo núcleo é o tema da degradação da língua como sintoma da degeneração do corpo social. A alteração da língua surge como a manifestação de uma degradação levada, a efeito, no campo social e político. A língua exprime a decadência que abateu-se sobre o corpo social; ela nada mais faz do que torná-la manifesta. Esse desvelamento por ela operado, qual seja, tornar explícita a corrupção da sociedade, em princípio, supõe uma estreita ligação entre dois domínios, a língua e a esfera política: a alteração da língua é inseparável da corrupção da sociedade.
 
Mas, se a língua "torna visível o invisível", se, paradoxalmente, desnuda o mal político por meio da deformação de si mesma, convertendo-se desde então, no "mal lingüístico", cabe indagar a que se deve esta sua performance. O estatuto singular que Rousseau lhe atribui deve ser creditado ao fato de ser ela uma conseqüência direta da degeneração da sociedade, como forma de expressão por excelência do homem civilizado, ou antes, por ter a língua um lugar privilegiado em todo o processo de socialização do homem, desde a origem até a degeneração da sociedade?"

Linguagem natural e música em Rousseau: a busca da expressividade. Em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-31732008000100003&script=sci_arttext  



Sejamos claros: quando a linguagem se corrompe, algo mais do que a linguagem está corrompido.
George Steiner   

Vem chegando...

... o verão!

sábado, 8 de outubro de 2011

À Espera De Um Milagre

Esta semana, a ANVISA proibiu a venda de anfetaminas para o tratamento da obesidade, pautando sua decisão na tendência adotada em outros países. Chego à conclusão de que o órgão regulador sofre de esquizofrenia, uma vez que em determinados momentos usa esta base como norte, e em outros proíbe a entrada e comercialização de outras tantas substâncias vendidas livremente em supermercados e liberadas pelo FDA - como é o caso de diversos suplementos para atletas.

Sem dar ouvidos à comunidade médica, que se colocou contra a proibição com veemência, alega que as anfetaminas são ineficazes no combate ao problema do sobrepeso.
Ora, qualquer um que já tenha feito o uso de anfetaminas sabe que elas são eficazes sim, reduzindo drasticamente - senão eliminando - o apetite. Ou seja, a substância é eficiente.
O problema é que o paciente acha que o anorexígeno é praticamente um tipo de Jesus em cápsulas, e espera que o mesmo o mantenha magro sem que nenhum esforço por parte do usuário precise ser feito. Quer continuar com a mesma dieta calórica e pobre em nutrientes, sem no entanto sofrer consequência alguma. Há quem torne a engordar mesmo depois de ter feito bariátrica. Muitos se dizem doentes, e nem o Ronaldinho fez diferente. Alegava não poder tratar seu "hipotireoidismo" (cof cof cof) porque a medicação usada para combatê-lo configuraria doping. Bem, ele já parou de jogar há um tempinho, e a cada dia está mais redondo...

Com menos opções de tratamento, os médicos se veem obrigados a receitar apenas sibutramina, que, diga-se de passagem, possui eficácia reduzida quando comparada às anfetaminas.

O número de pacientes portadores de doenças causadas pela obesidade cresce a cada dia,  enxugando assim parte do orçamento destinado à saúde. Quando as coisas pesam no bolso do Estado, sabemos o que acontece: a corda arrebenta do lado mais fraco. Não duvido que, à exemplo da Suécia, que sobretaxou doces para diminuir seu consumo, dentro em pouco tempo alguns alimentos passem a ser perseguidos com o status de droga.

Daqui a pouco os médicos terão que recomendar aos seus pacientes uma ida à igreja como forma de tratamento. Afinal, milagres só Jesus Cristo faz, não a indústria farmacêutica.

sábado, 1 de outubro de 2011

Com quem aguenta, eu divido.

"Costumamos dizer que amigos de verdade são os que estão ao seu lado em momentos difíceis...Mas não! Amigos verdadeiros são os que suportam a tua felicidade! Porque em um momento difícil qualquer um se aproxima de você. Mas o seu inimigo jamais suportaria a sua felicidade!"

Do Destino

É o andarilho que faz o caminho ou ele apenas o percorre?

Ano passado fiz meu mapa astral com um astrólogo muito bom, o João Acuio. Entre outras coisas ele me disse que:

- Como vênus é o planeta dominante da minha carta, eu deveria aprender a aceitar presentes. Deveria ser receptiva e aceitar as boas coisas da vida, sem tentar estar no modo ativo todo o tempo. Deveria começar a me sentir merecedora do que me é oferecido, perdendo o orgulho de rechaçar o que é dado por conta de não ter conseguido sozinha.

- As melhores coisas que me acontecem vêm por intermédio de amigos. Eles são a minha família e sempre me abrirão as portas. O que vem a mim pelas mãos deles sempre será melhor do que aquilo que eu buscar sozinha.

- A partir de agosto desse ano, júpiter estaria fazendo um aspecto muito bom à minha vênus progredida em touro (a natal é em peixes, exaltada), na casa oito, o que me traria ótimos ganhos financeiros por intermédio de outras pessoas.

Bem, até agosto deste ano eu estava numa penúria danada. Foi quando tudo começou a mudar. Por intermédio de um amigo, voltei a escrever textos publicitários. Por intermédio de um amigo, fiquei sabendo de uma vaga de emprego temporário (que cumpri em setembro). Por intermédio de um amigo, fui encaminhada à uma seleção de candidatos a farmacêutico do governo, que está contratando em caráter emergencial, sem concurso. Passei e começo no cargo segunda-feira próxima, com salário gordinho.
E tudo isso praticamente caiu no meu colo. Por intermédio de outras pessoas. Fiz o que o peixe faz: nada. Não procurei por nada, nem sequer comentei com ninguém que estava de bolso vazio. Simplesmente apareceu. Como estava escrito que aconteceria.

E isso nem pode ser autosugestão pois se esse fosse o caso, para que a "profecia" se cumprisse eu teria que ter agido de alguma forma. Teria ao menos de ter relatado a minha situação para as pessoas. E nada disso aconteceu. Parada estava, parada continuei. Simplesmente aceitei os presentes.

Muito obrigada. Aos amigos e a esta coisa, que eu não sei o nome, mas que a cada dia se revela mais e mais presente.

Netuno

Estava só numa praia deserta, quando de repente viu que alguém se afogava. Não sabia nadar direito, mas num impulso se jogou no mar na tentativa de salvar a vida da vítima. Enquanto nadava em sua direção, imaginou o que precisaria fazer... como nos filmes, deveria colocar-se atrás da pessoa, abraçando-a por baixo de um dos braços e, feito isso, nadar de costas em direção à faixa de areia.

Mas antes mesmo de conseguir tocar no afogado, recebeu dele um puxão que a empurrou para baixo. Bebeu o primeiro gole d'água. Afastou-se um pouco, tentou uma nova investida. O sujeito se debatia em movimentos débeis, que o faziam afundar cada vez mais, ao invés de emergir.
Desta vez ele agarrou seu braço, a impedindo de nadar. Começou a tentar usá-la como uma espécie de escada e, para que fosse possível respirar, a empurrava cada vez mais pra baixo d'água.

Agora eram dois a se afogar.

Depois de engolir bastante água e já ficando sem fôlego e forças, instintivamente ela deu um soco no seu nariz. Conseguiu por um breve momento se afastar das mãos daquele que, dominado pelo desespero, agora a estava sufocando, tendo passado de vítima a algoz.
Nadou para longe, abandonando à própria sorte alguém que tentou ajudar, mas que não soube dominar o pânico para ser capaz de receber seu auxílio.  Com as últimas forças que lhe restaram, conseguiu alcançar a praia, e não olhou para trás. Foi-se embora sem querer saber o que aconteceu ao afogado.