sábado, 3 de novembro de 2012

Buceta tem pentelho
Que porra é peito feio?
Tu é macho ou aposentaste
Cu de diretor de arte

 Reclamar de havaiana
 Distinguir sofá se cama
 E estria de celulite
 É melhor o apocalipse.


Por Alex Antunes.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Fluxograma da Mesquinharia

Eu era feliz.
Trabalhava pouco e por isso tinha pouco dinheiro.
Mas era generosa com o pouco que tinha.
Agora trabalho muito e por isso tenho muito dinheiro.
Mas o trabalho consome tantas horas do meu dia, que só vivo exausta. Minha criatividade está embotada pois não há nada pra contemplar nesse ambiente e meu cansaço é tão grande que não tenho sequer entusiasmo pra viajar. As vezes, no fim do dia, mal consigo raciocinar direito. Tenho "vivido" pra contar os dias até o fim de semana.
Uma vez que sofro muito pra ganhar esse dinheiro, não acho justo dividi-lo com ninguém.
... e foi assim que me tornei mesquinha.


Talvez eu entre pra política.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dois Pesos, Duas Medidas

Sobre a recente revolta árabe, acho muito engraçado perceber que as mesmas pessoas que condenam a reação islamita e acham que o Nakoula estava certo ao exercer sua liberdade de expressão, são as que abominam piadinhas racistas, sexistas ou qualquer manifestação verbal contra alguma minoria oprimida.

Não tenho religião, por mim todos os religiosos mais os ateus poderiam entrar em guerra e se matar - tudo em nome de um mundo mais vazio. Mas dois pesos e duas medidas é algo que arde nos meus olhos. Ou todo mundo é livre pra falar o que quiser, ou todos calam a boca e ninguém fala de ninguém.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Teorizando O Cotidiano

Em dezembro, realizo apenas 1/3 da média dos atendimentos do restante dos meses do ano.
Não só o dispensário fica mais vazio, como também a própria unidade de saúde - o povo adoece menos nesta época.
Não se trata de um fato isolado: observei o mesmo fenômeno repetir-se em dois locais diferentes.

Pensando em possíveis motivos para tal, cheguei às seguintes hipóteses:

a) Trata-se de algum tipo de milagre natalino;
b) Dinheiro no bolso (proveniente do 13°) faz bem à saúde;
c) Os outros dois terços são compostos de desocupados-carentes-hipocondríacos, que por conta das festas de fim de ano acabam encontrando algo melhor para fazer,  ao invés de ficar inventando doenças. 

...

domingo, 29 de julho de 2012

Thai Pink Buffalo

Confirmadoooooooooooo!!!!

http://www.abbf.asia/08062012.pdf

HOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Porque você teve fé em mim, mesmo nos momentos em que duvidei, tive condições de continuar acreditando.
E isso eu jamais esquecerei.
Muito obrigada. 




terça-feira, 10 de julho de 2012

Irreversível

Um dos meus pontos de concordância com Nietzsche se refere a Sócrates: Também o considero um borra-botas.
Muito da obra de Sócrates girou em torno da problemática da ignorância, que o mesmo chegou a considerar "o único mal". Ele sempre se colocava em discussões na posição de ignorante - o que além de me soar como falsa modéstia ainda parece um tipo de esquiva, pois dizendo-se previamente ignorante ele evitava se comprometer mais profundamente com as ideias que defendia, sempre podendo se desculpar culpando a ignorância por qualquer equívoco - reconhecendo neste movimento toda a fonte de sua "sabedoria".
Bom...  Antes o problema do Homem fosse a ignorância! Isso seria fácil de resolver. Só somos ignorantes até o momento em que adquirimos conhecimento. A ignorância tem cura.
O mesmo não se pode dizer da estupidez.
A estupidez, meus amigos, é irreversível.  

Tomemos como exemplo os evangélicos.
O Bispo Macedo apareceu no Jornal Nacional falando "ou dá ou desce". Nenhum evangélico ignora isso. Mas, ao mesmo tempo, nenhum deles quer saber.

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Sempre fui e sempre serei a favor da religião, mesmo não tendo nenhuma, porque sei perfeitamente que ela é necessária como mecanismo de controle: prefiro um estúpido temendo a Deus que um estúpido me assaltando. E, na realidade, considero aqueles que enxergam a religião como um grande mal igualmente estúpidos - não foi a religião que criou seus fiéis, as pessoas se afinizam com o que é parecido com elas. Existem milhares de religiões diferentes, e se aquelas que mais se sobressaem são as extremistas, só posso concluir que a disposição de espírito da maioria das pessoas é exatamente essa. Não é a religião que cria preconceitos, os preconceituosos já existiam, eles apenas se sentem em casa quando se filiam a qualquer coisa que pregue o que se passa dentro deles. 
Em outras palavras, não foi a religião que criou os homens, mas sim o contrário - e isso é tão óbvio que seria desnecessário dizer... mas, sabe como é... irreversível.

Agora virou moda, por conta da atuação da bancada evangélica, culpar a religião como fonte de preconceitos contra homossexuais. Ora, mas quem faz isso faltou às aulas de História! A religião foi proibida na União Soviética na época do comunismo, mas mesmo assim homossexuais identificados eram enviados à gulags siberianos para morrer de frio e fome. E ainda hoje, em Cuba, onde igualmente não existe culto religioso, homossexuais apanham da polícia nas ruas.
Não há problema com os sistemas, há um problema nas pessoas.
Mesmo que vivêssemos em um mundo isento de crenças em além-mundos, teríamos uma enorme parcela da população elegendo candidatos ultra-conservadores, igualmente preconceituosos e tão mesquinhos quanto os que vemos na bancada evangélica.

Ao divulgar a existência do "apartheid gay" mesmo fora do âmbito religioso, seria de esperar que, com a queda da prévia ignorância sobre tal assunto, os que perseguem a religião por este motivo deixassem de fazê-lo. Mas não.  Porque o problema não é ignorância.
O problema é irreversível.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Vai Um Espelhinho Aí?

Outro dia, a caminho do trabalho, entrei num ônibus da linha 638, cujo condutor furou todos os sinais vermelhos possíveis. Além disso, acelerava todas as vezes que via alguém atravessando a rua fora da faixa, para "dar um sustinho" e obrigar as pessoas a cruzar a pista no local correto da próxima vez.

O curioso é que durante toda a viagem, até onde acompanhei, ele e o cobrador não paravam de falar mal do filho do Eike Batista - pontuavam sua falta de responsabilidade, desprezo pelos outros e a impunidade que reina no país. Chegaram até a suspeitar do exame que constatou que a pessoa atropelada estava alcoolizada, dizendo que o mesmo foi forjado. Chamaram Thor Batista de "metido", porque durante as aulas de direção que o mesmo foi obrigado a realizar, o rapaz não falava com ninguém.

É.
Inveja é uma merda.

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Não seja mais um hipócrita ridículo. A única maneira de educar é através do exemplo.

domingo, 1 de julho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

É chato...

... sempre ter razão.



Mentira. Na verdade eu adoro, hehehehehehe!!!!

domingo, 10 de junho de 2012

60mg

Não.
Definitivamente não.
Morrer não é como um orgasmo.
"La Petite Mort"... Orgasmo é contração, não relaxamento absoluto.

Descobri quando cheguei aos 60mg.
Jamais, em toda minha vida, desmaiei. O único momento em que meu corpo esteve fora do alcance do meu controle consciente foi  sob o efeito de anestesia geral. Fora isso, eu sempre "estive presente".
Um exercício - ou seria auto-competição? - que sempre gostei de fazer é o de tentar manter a consciência mesmo após o uso de X. Nunca usei X para o que realmente serve - não tenho problemas em relação a isso - meu uso sempre foi, por assim dizer, científico.
Um dia cheguei aos 60mg. Mente desperta. Não é tão difícil assim.

Dissociação. O corpo "morto", a mente ativa. Sensação de experiência extra-corpórea, de estar "voando", ausência de peso. Relaxamente total, carne absolutamente imóvel e atividade mental a mil por hora... Liberdade!
É um estado prazeroso, mas que em nada se assemelha a um orgasmo.

Há um breve instante durante o orgasmo em que ocorre a perda dos limites - e quando você não sabe onde começa e onde termina, seu eu morre por um segundo - afinal, "eu" já é uma delimitação de espaço. Creio que era a esta sensação específica que os franceses se referiam. É uma metáfora relacionada à morte psicológica, não à física.
Até porque também pode ser muito perturbador chegar ao oceanic boundlessness... Não é todo mundo que gosta desta sensação, certas pessoas desesperam e chegam até a se morder para que a dor lhes devolva a noção de limite.
Alguns morrem em paz, outros vão pro inferno, rsrsrsrsrsrs...

X me promove a sensação de morte física, mas minha psique continua intacta com esta substância.
Meu ego, esse gorila dourado, só morre através das  bençãos de São Hofmann.
(louvado seja, amém!)
E ir pro "paraíso" ou pro "inferno" foi sempre questão da atitude que se tem perante a morte:
Aceitação.
Essa palavra contém em si todo o segredo do universo.
O Éden não é o lugar dos revoltados.





"I believe with the advent of acid we discovered new way to think
and it had to do with piecing together new thoughts of mind. Why
is it that people think it's so evil? What is it about it that
there is scares people so deeply? Because they are afraid that
there is more to reality than they have ever confronted. That
there are doors that they're afraid to go in and they don't want
us to go in there either because if we go in, there we might
learn something that they don't know. And that makes us a little
out of their control."


"He's losing his mind, and feels it going!"

"You're intoduced to lsd, an' it's not like taking some other
drug for instance like marijuana or something, hm, well, you
know, it's altogether a new thing, and you actually can have a
religious experience, and, hm, and it can be even more important
than reading the bible six times or becoming a pope or something
like that, you know..."

domingo, 27 de maio de 2012

Serviço de Utilidade Pública II

Esses dias minha mãe teve a decência de me devolver (depois de 4 anos, aff!!!) o "A Situação Humana", do Huxley, e aproveitei para reler. Trata-se de uma coletânea de palestras que ele concedeu nos anos 50/60.

Adoro esse livro.
Adoro o Huxley!

Embora eu tenha consciência de que devemos separar o autor de sua obra, quando caímos no terreno da filosofia a coisa fica complicada... Gosto muito de Nietzsche, concordo com muitas coisas que ele disse, mas sabendo que após condenar a compaixão por toda sua obra ele morreu necessitando da mesma, demente e abandonado aos cuidados da irmã que ele detestava (mas que foi a única pessoa que lhe restou), acabo ficando com uma leve má impressão do mesmo... É como se muito do que ele defendeu não tivesse servido nem para si mesmo. Fica difícil dar crédito total para alguém assim.

Esse não é o caso do Huxley. Ele jamais "escorregou no quiabo". Jamais foi incoerente. Até onde sei, pelos dados biográficos de que disponho, não há nenhum fato que o desabone, pois sua conduta ativa sempre esteve de acordo com o que ele dizia - isso denota integridade.

Enfim, encontrei esse livro em PDF, online. Recomendo bastante.

A Situação Humana - Aldous Huxley

terça-feira, 8 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Da Gratidão

As vezes é quando cessamos de buscar que encontramos aquilo que procurávamos.

******

Uma amizade.
Onde não houvessem mal entendidos pois não existiriam meias palavras.
Onde não houvesse desconfiança pois não haveriam segredos.
Onde não existisse competição porque não teria jogo.

Queria uma amizade assim.
Quando desisti, encontrei.
Quando desacreditei, apareceu.

As vezes eu acho que os deuses gostam de mim.

Transparentes, somos eu e o touro.
Touro sofrido, que muitas vezes escapou da morte e aos 29 perdeu tudo, família, amor, negócios. Saturno conjunto ao sol, casa I.
Touro que ficou com raiva e foi pra guerra.
Pra guerra de verdade, lá se foi o legionário - pro Velho Mundo.
Em tempos de guerra dos sexos, farpas virtuais e anonymous revoltadinhos no sofá de casa, chego a admirar quem tem cojones de empunhar uma arma de destruição em massa, olhando nos olhos do inimigo. Lua e Marte conjuntos em aquário.
Não me importo - o mundo tem gente demais mesmo...
Cheio de zelo, é quem cuida do meu corpo, sua forma e nutrição.
Leva minha comida onde eu estiver, seja no trabalho, no treino ou casa do namorado.
Nada pede. Sempre pergunta no que ainda pode ser útil. Plutão em virgem.
Não há muros entre nós, pois nada está escondido.
Conhece toda minha história e divide a dele comigo.
Sem medo. Vênus em áries.
Nunca perdeu a esperança e, às vésperas dos 41, continua menino. E gringo. Netuno conjunto a Júpiter em sagitário.
Simples, reto, direto.
Touro.
Obrigada.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Minoricracia

Só um retardado mental não percebe que o sistema de cotas ESTIMULA o racismo, ao invés de suprimi-lo.

"If you got a hunger for what you see
You'll take it eventually
You can have anything you want
But you better not take it from me"
  
Fora a raiva que isso cria em quem se sente prejudicado (outros estudantes), já ouvi comentários por aí do tipo "esses médicos novos são ruins por causa do sistema de cotas".




continua...



sábado, 14 de abril de 2012

All in all you're just another brick in the wall

Hoje encontrei uma nova reportagem falando sobre a psilocibina.
Sempre que isso acontece fico feliz porque quero que as pessoas se beneficiem da substância, mas inevitavelmente, ao ler as matérias, eu choro. Penso que deveria ser eu ali, dando aquela entrevista, participando daquele estudo... Já falo exatamente as mesmas coisas há anos. Quase dez anos.

Minha relação com professores nunca foi muito ruim, mas foram eles os responsáveis pelas piores decepções e consequentes desistências de rumo da minha vida.

Comecei a pesquisar sobre a psilocibina em 2003. Para escrever minha monografia, iniciei a coleta, leitura e seleção de artigos em 2004. Todos os dias eu escrevia um pouquinho, lia um artigo, revia parágrafos. Nunca me dediquei tanto a algo. Fazia aquilo com paixão obsessiva, era a minha "menina dos olhos". Em 2004 me inscrevi na matéria correspondente na faculdade, onde foi apresentada uma prévia acerca de como deveríamos apresentar os trabalhos. Em 2005, ano em que ocorreria a apresentação, acabei tendo que trocar de professor desta matéria (era monografia I e II) porque meus horários não batiam com os da primeira professora.
Esse segundo professor era (é) um egudo vaidoso, que não ia com a cara do meu orientador e com o qual havia tido problemas prévios. Ele não era da área, é historiador - e daí começou nossa desavença.

Eu havia selecionado umas 60 fontes, que a meu ver eram imprescindíveis. Ele queria que eu me ativesse a um autor.
Bem, em humanas isso pode até funcionar, mas não na minha área. Eu não estava estudando um autor, estava estudando um tema, não estava montando uma biografia. Me recusei a mudar. E ele respondeu que meu trabalho não tinha qualidade e que duvidava que eu tivesse sido capaz de ler tudo o que eu havia citado.
O detalhe é que ele NÃO LEU minha monografia, porque pedi a ele que me sabatinasse acerca dos artigos, para tirar a prova de que eu havia lido, e ele não conseguiu fazê-lo. Porque não sabia nem do que eu estava falando. Ele simplesmente estava querendo me usar para se vingar do meu orientador.

O que seria cômico se não fosse trágico é que ele orientou alunos que COMPRARAM a monografia. Deu nota máxima para outros tantos que fizeram a mesma coisa.
O imbecil foi feito de trouxa bem debaixo do seu nariz, e desconfiou da pessoa errada: eu.

Meu orientador encaminhou meu trabalho para outros professores da matéria - que atestaram não ver nada de errado nele - e comunicou tudo ao coordenador do curso.
No dia da apresentação, eu estava muito nervosa. Por conta do tema polêmico, algumas pessoas me tiraram por uma doida viajandona e foram assistir. O coordenador do curso e outros professores da diretoria, que nunca faziam isso, também compareceram. Me sabatinaram com mais de meia hora de perguntas. Me senti na cova dos leões. Fui muito mais exigida que outras pessoas.

Minhas notas foram 10, proveniente do meu orientador, 9.5 da professora convidada e... 5 - do cara em questão.
Na média, fiquei com a nota muito mais baixa que trabalhos bem inferiores.

A minha desilusão, não com a ciência em si mas com quem a manipula, foi tão grande que minha vontade de segui-la esmoreceu ali. Todos sabiam que ele estava errado, e, no entanto, ninguém podia fazer nada.

Daí fico pensando nestes casos recentes de alunos que agridem professores... A autoridade da classe vem do conhecimento do qual ela deveria ser detentora. Mas como respeitar um professor burro? Neste caso a burrice e teimosia deste professor, que está enclausurado em sua própria área e não consegue enxergar nada fora dela, é gritante.
Fora os inúmeros outros casos, que presenciei depois ou dos quais fiquei sabendo. Por exemplo, num curso recente que fiz, foi mostrado um mapa do Brasil no qual eram destacadas as áreas em que ocorre maior incidência de tuberculose. Percebi, ao ver o slide em sala de aula, que os lugares de maior incidência são Rio de Janeiro e Amazonas, e os de menor Goiás e Tocantins. Fiz uma observação acerca da importância do clima, da umidade... E a professora disse que aquilo era "coincidência", porque a tuberculose está mais relacionada a fatores sócio-econômicos!
Meu Deus, mas que imbecil!!!!!!!!!!!
Qual a semelhança sócio-econômica tão próxima assim entre Rio de Janeiro e Amazonas e que não existe entre outros estados do Brasil???????????
É o típico caso da pessoa que não pensa, foi formatada e só repete o que programaram na cabeça dela. Como uma criatura assim tem a pretensão de formar alguém?

Meu namorado faz psicologia e outro dia estávamos conversando sobre como o clima influi no temperamento das pessoas. Passionalidade ou frieza também são reguladas pelo ambiente. Isso pode não ser uma regra - e a psicologia é considerada uma pseudo-ciência justamente porque não há repetibilidade garantida - mas num apanhado geral, uma simples observação de um leigo pode atestar a coisa. Durante a conversa, disse a ele que tinha observado que a maior parte dos crimes passionais ocorre em lugares mais quentes, enquanto psicopatas costumam aparecer mais em climas frios.
Em aula, ele comentou isso com sua professora, e ela respondeu que isso não tem nada a ver, porque o que sabemos é regulado pela mídia, que só fala sobre o que quer e escolhe as notícias que irá veicular.
?????????????????
Tudo bem, não sou infalível, posso ter falado uma besteira enorme. Mas espera-se de alguém com conduta científica que ao invés de responder com qualquer merda, vá verificar - e isto pode ser feito, é só consultar as estatísticas. Mas não. A idiota responde com nada mais nada menos que uma paranóia! Deixou transparecer que acredita em teoria da conspiração e que não sabe fazer ciência.
Não sabe ou não tem capacidade, porque para fazer ciência é preciso deixar um bocadinho o ego de lado.
Se a ciência busca pela Verdade, ela não pode ser usada para afirmar verdades pessoais.
Eu entendo que deve ser difícil para o sujeito, depois de investir anos numa teoria, vê-la cair por terra por conta de um detalhe no qual não havia pensado... Mas são ossos do ofício! Faz parte do caminho que foi escolhido.
Mas quem é capaz de tal desprendimento?

Há pouco tempo encontrei com meu ex-professor na Fiocruz. Tive ganas de lhe escarrar na cara. Na verdade só não o fiz porque não estava em ambiente propício. Mas um dia ainda vamos nos encontrar num que seja neutro. E não quero nem saber se vão achar que desrespeitei alguém mais velho e indefeso, porque eu também me senti indefesa perante à injustiça que sofri e perante o que ele fez com uma coisa que eu amava tanto. 

Sabendo que os sistemas tendem ao equilíbrio, talvez essa onda de ataques aos professores seja uma resposta. Uma reação a dominação sofrida durante décadas pelos alunos. Respeito é moeda de troca. É impossível respeitar gente que além de usar a ciência para servir apenas à própria vaidade, é a última coisa que deveria ser na profissão que exerce: imbecil.




The Happiest Days Of Our Lives


You! Yes you! Stand still laddy!

When we grew up and went to school
There were certain teachers
Who would hurt the children any way they could
By pouring their derision upon anything we did
Exposing every weakness
However carefully hidden by the kids


But in the town it was well known
When they got home at night
Their fat and psychopathic wives would thrash them
Within inches of their lives

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Terminator II - Judgment Day

É sempre legal rever um clássico...
...e, na verdade, eu amo uma fanfarronice, hehehehehehehe!!!!!!!!!!!!!!




domingo, 1 de abril de 2012

Pumping Iron

Foda! Posa muito! Um dia eu chego lá!

sábado, 31 de março de 2012

Ewige Wiederkunft

Quando eu tinha seis anos de idade, o cachorro dos meus avôs paternos me atacou. O nome dele era "Vai Limpando" (surreal!).
Estávamos brincando e ele parecia estar bem, daí fiz sinal para que ele pulasse, estalando os dedos com a mão posicionada um pouco acima da minha cabeça. Ele viu o sinal, mas atacou meu rosto. Estávamos sozinhos e ninguém viu o que aconteceu. Me mordeu na boca, o que acabou me rendendo cinco pontos no lábio superior.

Não derramei uma lágrima sequer.

No hospital, enquanto era costurada, o comentário geral entre os médicos era justamente acerca da minha calma. Disseram nunca terem visto criança igual. Deixei que fizessem seu trabalho sem sequer me mexer.
Ainda tenho a cicatriz, embora hoje seja quase imperceptível.

Jamais disse a ninguém que ele me atacou. Eu era uma "criança velha", desde pequena entendia como as coisas funcionavam: Se eu contasse a verdade o cão seria punido e eu sabia que meu avô era especialmente sádico com animais... Fora isso, era bem capaz que me proibissem de voltar a brincar com animais, coisa que sempre gostei muito de fazer.
Então eu disse para todo mundo que ele não teve a intenção de me atacar. Menti. Disse que ele pulou, se desequilibrou e acabou "batendo com os dentes no meu lábio".
Jamais entendi por que fui atacada. Por conta disso, nunca mais tornei a brincar com ele, especificamente. Mas compreendi que não poderia condenar todos os cães por conta da atitude de um, e continuei a ser amiga deles.
Ainda que outro cão me morda novamente, jamais condenarei uma espécie inteira por conta de um indivíduo. Não sou imbecil.
Hoje tenho uma pit bull que divide a cama comigo. Em doze anos de convivência, apesar da má fama da raça, ela jamais me mordeu. E nem morderá.

Minha cadela é criada com muito carinho e atenção. O "Vai Limpando" só existia na casa dos meus avôs com a função de latir caso avistasse algum estranho. Ninguém dava atenção ou carinho a ele. Talvez por entender isso sem que jamais alguém tivesse precisado me explicar, fui "leal" e só contei a verdade depois de sua morte. 
Passados alguns anos, revolvendo a terra do canteiro onde meu avô além de plantar couves também enterrava animais, encontrei seus ossos. E trouxe sua mandíbula pra casa.

sexta-feira, 30 de março de 2012

The Wall


...provando que o dinheiro não compra tudo! AEHUAHEUAEHAUUA


Agradeço todos os dias da vida pela oportunidade de ter visto esse cara vivo e ao vivo!
Gênio demais!!!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Oh, L'amour!!!!

Quando abraçamos um posicionamento ideológico, não podemos fazê-lo pela metade...

Estou gostando bastante da minha última aquisição, "O Gene Egoísta", do Dawkins. Devo admitir que, quando não está pregando sua fé, o cara é bom. E seu livro me deu um ótimo insight sobre o amor.

Há quem acredite e quem duvide da existência deste sentimento, mas a maior parte das pessoas partilha da mesma opinião quanto ao amor de mãe: este sim seria O verdadeiro amor. Mães tudo aceitam, tudo acolhem, tudo sacrificam pelos filhos.

Mas seria mesmo por amor?

Segundo Dawkins, definitivamente não. Tudo não passaria de mais uma forma de expressão do tal "gene egoísta".
Filhos são a continuação dos pais, ainda que estes morram continuarão a "viver" através dos rebentos, que carregam seus genes. Gerar filhos é uma maneira de imortalizar-se e os pais ficam orgulhosos quando percebem traços físicos parecidos com os deles mesmos em sua prole. 
Geralmente o sentimento das mães por seus filhos é mais pronunciado que o dos pais. Li em algum lugar recentemente (e agora não estou conseguindo encontrar a referência, aff!) uma pesquisa demonstrando que, numa maternidade, os presentes oferecidos ao bebê pelos pais da mulher são melhores que os dados pelos avôs paternos - afinal, os pais da fêmea têm certeza de que seus genes foram passados à frente, os pais do macho nunca estão tão certos assim...

Então, juntando todos estes dados, acabamos chegando à conclusão de que o amor materno é, na realidade, o amor por... si mesmo!

O próprio sacrifício que a mãe é capaz de realizar pelos filhos seria a expressão inconsciente de que sua vida vale menos que a da prole - suas chances reprodutivas estão diminuídas o que torna menor sua utilidade no processo evolutivo.  O organismo mais jovem probabilisticamente possui maior oportunidade de continuar o "trabalho".

Qualquer laço de família, se observado sob este ponto de vista, perde todo traço de romantismo: se não por pressão do "gene egoísta", o que motivaria indivíduos que muitas vezes parecem se detestar a continuar unidos?

Bom... Isso é uma teoria.

Mas só existem dois caminhos nessa encruzilhada: ou aceitamos que qualquer tipo de amor existe, ou que todo amor é uma ilusão, um "enfeite" palatável que esconde o plano frio da Mãe Natureza, que de amorosa não tem nada. Neste ponto, procurar uma terceira rota é tentar cavar uma fuga. Só há duas estradas a escolher.

Eu sei muito bem no que sempre acreditei.



"Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você"
Friedrich Nietzsche.
Fueeeeiiiiinnnnnn

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ascaris lumbricoides

Parece que o governo está virando uma espécie de "Porta da Esperança".
Agora o SUS vai custear o sonho de ser mãe de algumas criaturas com problema de fertilidade.
E o SUS vai fazer isso usando o dinheiro... do imposto de todo mundo!

Vejamos... com tantos órfãos por aí dando sopa, não seria difícil para essas mulheres pegar um deles para ocupar seu tempo... mas isso não basta. É preciso passar os gens à frente.
Como eu nunca tive esse impulso é até injusto da minha parte julgar o desejo alheio, uma vez que para mim é completamente impossível conseguir me colocar no lugar destas pessoas e sentir a "dor" de não poder parir.
Quando faço isso não sinto nada.
Entretanto, penso que o governo deveria utilizar a verba pública para atender às necessidades BÁSICAS da população, e pelo que me consta ninguém jamais morreu por não ter filhos. E se a coisa vai seguir essa linha de atuação, então vou começar a pleitear também o meu direito a ter o nariz da Nicole Kidman e vou esperar que o SUS realize meu sonho.

Não temos segurança pública, nem uma educação eficiente e a própria área da saúde precisa ainda de muita verba e trabalho para funcionar da maneira como deve - ou seja, não conseguimos atender às necessidades dos que já estão vivos, e ainda vão ajudar outros a nascer????????
Ora, arrumem a casa primeiro e depois, se quiserem, rasguem dinheiro!!!!!!

Mas o que mais eu poderia pensar de um governo que custeia até o gel lubrificante de quem quer dar a bunda? Sim, nas farmácias dos postos de saúde é possível conseguir, mediante um simples pedido, alguns sachês de gelzinho... que é pra ficar mais confortável, sabe?

E no fim das contas é isso.
Eu pago pelo bem estar do cu dos outros.

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Tenho uma queda enorme para o parasitismo.
Detesto trabalhar.
Mas, como meu sobrenome é orgulho,  eu detestaria ainda mais se tivesse que ser sustentada ou se dependesse de outra pessoa. Acho que isso tiraria de mim além da dignidade, a liberdade. Não respeito quem não é capaz de lidar com a própria sobrevivência. Porém, por uma questão de afinidade de alma, reconheço um parasita de looonge...
 
E é isso que o Brasil está se tornando: a grande mãe gentil dos parasitas. É possível não trabalhar e ainda assim ganhar casa, comida, medicamentos, internet, entretenimento, roupas e até um bolsa-sanguessuga qualquer.
Eu tenho que pagar por tudo isso se quiser ter, e não ganho nem bingo.
E ainda criamos monstros! Os parasitas daqui não são qualquer parasita, eles têm direitos!
Muitos direitos.
Bom, minha avó me educou no sentido de somente exigir direitos DEPOIS que meus deveres estivessem cumpridos.  O dever básico de cada ser vivente que existe sobre a terra é ser responsável por si. Mas os parasitas daqui querem que o Estado os carregue no colo do berço até o túmulo!
E a coisa é diversificada! Aqui temos parasitas ativos (os corruptos) e os passivos (já citados).

Acho que não existe analogia melhor para definir este lugar que a imagem de um intestino gigante, cheio de lombrigas. Um triângulo invertido com uma coisa enrolada dentro - um ótimo esboço de mapa do Brasil.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Assexuados

Um tipo de reprodução sempre me chamou atenção: a fragmentação. Acho fascinante a capacidade de um ser se originar a partir de um pedaço do outro.

Peraí... outro?

Na verdade, o mesmo. Clones infinitos. Com pequeno gasto de energia e enorme eficiência, replicam-se aos milhares, milhões. Reprodução típica de seres rudimentares mas praticamente imortais, uma vez que partilham do mesmo exato material genético, imutável desde os primórdios.

Embora admirável, sua maior força é também sua fraqueza - como não há recombinação genética (que só acontece na reprodução sexuada), não existe variabilidade na espécie, não há "criatividade" no processo, apenas kibagem, o que torna o grupo particularmente sensível a mudanças no ambiente. Qualquer pequena variação no habitat pode ser fatal e atingir sem excessão todos os indivíduos, dizimando-os em pouquíssimo tempo, sem resistência, sem que tenham a capacidade de se "defender" da extinção. Se fosse possível a estes seres ter emoções, talvez seu pior medo fosse o da mudança - que sabemos ser inevitável.

Até as plantas se comunicam - usando sinalização química - então começo a viajar, imaginando como seria o "relacionamento" entre estrelas-do-mar (platelmintos também se fragmentam, mas por uma questão estética, uso as estrelas mesmo), eternamente conversando consigo mesmas, rsrsrsrss...
É.
Deve ser um tédio profundo. 
Diante desta perspectiva, acho que prefiro ser mortal mesmo. 
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Estranho No Ninho

A Natureza realmente é inspiradora...
Estava aqui pensando nos cucos, e percebi que a motivação dos doadores de material para inseminação artificial se assemelha bastante ao modus operandi destes animais: conseguem passar seu material genético à frente, sem a necessidade de perder tempo e energia cuidando dos filhotes.

Genial.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuculidae

sexta-feira, 2 de março de 2012

Correndo no Escombrão

O mais novo Grande Mistério do Universo acaba de surgir:

A corrida no entorno do Engenhão.

Todos os dias passo no Engenhão e assisto diversas pessoas realizando exercícios neste local. Corridas, alongamentos, caminhadas. Porém, o que me intriga é que aquele quarteirão sempre existiu, nenhuma melhoria foi feita nas calçadas (que em alguns trechos mais parecem escombros), não há ciclovia e, pra piorar, o trânsito é muito intenso.

Estudei no Colégio Bolívar, situado na mesma quadra, e como atividade das aulas de educação física corríamos em volta deste quarteirão - por pura falta de opção, uma vez que não podíamos nos distanciar demais da escola -  sempre reclamando das péssimas condições do local: pouca ventilação, piso irregular, excesso de poluição. Dos anos 90 para cá nada mudou, mas a construção do estádio parece ter colocado uma espécie de glitter neste local, que acaba atraindo bastante gente. Ao que parece, essas pessoas não se dão conta de que seria muito melhor realizar suas atividades físicas nas quadras internas, fora da via principal do trânsito.

Uma vez que a construção do estádio não foi sinônimo de melhorias realizadas no entorno, fico sem entender o porquê da modinha...
Bem, a moda nem sempre obedece uma lógica, mas neste caso chega a ser burrice.

OK, as pessoas correm no entorno do Maracanã, onde também existe um trânsito infernal e o calor é desconcertante, mas lá existe ao menos uma faixa de calçada própria para isso, com piso liso... Entendo a associação de estádio com esporte, só não compreendo a ausência de senso crítico...
...mas ultimamente tenho achado que esperar isso é pedir demais. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um Texto Sobre Coisa Alguma

Tenho sentido uma saudade imensa de escrever. Saudade do exercício. Temo "perder a mão" por falta de uso. Entretanto, não estou conseguindo fazê-lo.

Tenho um gosto especial por crônicas do cotidiano e costumava abrir os jornais com prazer, na busca de um assunto para destrinchar. Mas é aí que mora o problema: ultimamente as polêmicas alardeadas nos noticiários nada mais são que notícia velha. Tenho a impressão de já ter discutido sobre todos os assuntos hoje proeminentes há muito tempo. É como deve se sentir um europeu que visita os trópicos e percebe que a moda vigente neste lugar é a mesma que ele usou há dois verões atrás em sua terra natal.

Ser perspectivista é bastante salutar, e isso me ajuda a estar continuamente testando minhas convicções. Só que depois de ruminar, deglutir, vomitar e praticar regurgitofagia, os temas são esgotados, afinal, nem sempre as possibilidades apresentadas são infinitas e assunto velho é sinônimo de assunto enfastiante. Soma-se a esta sensação o fato de que tudo que se torna popular se corrompe, e considero um hábito higiênico o afastamento daquilo que está sendo devorado pelas massas. Uma vez que "existem alturas da alma, de onde mesmo a tragédia deixa de ser trágica", o que sobrevém ao alcançar este ponto é um misto de desdém com escárnio, e não é de bom gosto chafurdar nesta lama durante muito tempo, pois acaba-se correndo o risco de transformar-se em um... porco.

 Mesmo o que outrora me causava irritação - como a opinião massificada e uniforme, ausente de reflexão individual e relativa a cada caso isolado - hoje me desperta apenas pena (e pena é diferente de compaixão...) e este sentimento não é o bastante para prender minha atenção.

Na falta de exercício intelectual compatível, dedico-me à contemplação relaxante, ao olhar que busca a beleza, ao que posso criar ou enfatizar em termos de imagem, captando aqui e ali o que me salta - e embora esta forma de expressão seja também efetiva, minha preferência é o teclado, não o obturador. Sendo assim, eu mesma aguardo com ansiedade a minha volta a este lugar, mas prefiro esperar o vento que traz a mudança de ares, a me tornar entediante.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Très Bien

Très bien, Bigode.



O Problema de Sócrates

Em todos os tempos os grandes sábios sempre fizeram o mesmo juízo sobre a vida: ela não vale
nada... Sempre e por toda parte se escutou o mesmo tom saindo de suas bocas. Um tom cheio
de dúvidas, cheio de melancolia, cheio de cansaço da vida, um tom plenamente contrafeito
frente a ela. O próprio Sócrates disse ao morrer: "viver significa estar há muito doente  - eu devo
um galo a Asclépio curador". O próprio Sócrates estava enfastiado da vida. O que isso
demonstra?  Para onde isso  aponta? Outrora teria-se dito (ó! Disse-se e forte o suficiente; e
avante nossos Pessimistas!): "Em todo caso é preciso que haja algo verdadeiro aqui! O
consensus sapientium prova a verdade." Ainda falaremos hoje desta forma? Nós  temos o direito
a um tal discurso? "Em todo caso é preciso que algo esteja doente aqui" - eis a nossa resposta.
Em primeiro lugar temos de observar mais de perto esses mais sábios de todos os tempos!
Todos eles talvez não estivessem tão firmes sobre as pernas? Talvez estivessem atrasados?
Cambaleantes? Decadentes? Talvez a sabedoria apresente -se sobre a terra como um corvo, ao
qual um pequeno odor de carniça entusiasma?...

2
Esta irreverência de asseverar que os grandes sábios são  tipos decadentes abriu-se para mim
mesmo exatamente em uma circunstância na qual mais intensamente o preconceito erudito e
não-erudito se lhe contrapunha. Reconheci Sócrates e Platão como sintomas de declínio, como
instrumentos da decomposição grega, como falsos gregos, como antigregos ("Nascimento da
Tragédia" 1872). Aquele consensus sapientium - isto fui compreendendo cada vez melhor  - não
prova sequer minimamente que eles tinham razão quanto ao que concordavam. O consenso
demonstra muito mais que eles mesmos, esses mais sábios, possuíam entre si algum acordo
fisiológico  para se colocar frente à vida da mesma maneira negativa  - para precisar  se colocar
frente a ela desta forma. Juízos, juízos de valor sobre a vida,.a favor ou contra, nunca podem
ser em última instância verdadeiros: eles só possuem o valor como sintoma, eles só podem vir a
ser considerados enquanto sintomas. Em si, tais juízos são imbecilidades. É preciso estender
então completamente os dedos e tentar alcançar a apreensão dessa  finesse  admirável,  que
consiste no fato de o valor da vida não poder ser avaliado. Não por um vivente, pois ele é parte,
mesmo objeto de litígio, e não um juiz; não por um morto, por uma outra razão. - Da parte de
um filósofo, ver um problema no valor da vida  permanece por conseguinte uma objeção contra
ele, um ponto de interrogação quanto à sua sabedoria, uma falta de sabedoria. Como? E todos
esses grandes sábios?  - Eles não seriam senão decadentes, eles não teriam sido sequer uma vez
sábios? Mas eu retorno ao problema de Sócrates.

3
Segundo sua origem, Sócrates pertence à camada mais baixa do povo. Sócrates era plebe.
Sabe-se, ainda se pode até mesmo ver, quão feio ele era. Mas a feiúra, em si uma objeção, é
entre os gregos quase uma refutação. Sócrates era afinal de  contas um grego? Muito
freqüentemente, a feiúra é a expressão de um desenvolvimento cruzado,  emperrado  pelo
cruzamento. Em outros casos, ela aparece como desenvolvimento  decadente. Os antropólogos
dentre os criminalistas dizem-nos que o criminoso típico é  feio: monstrum in fronte, monstrum in
animo.  Mas o criminoso é um  décadent.  Sócrates era um típico criminoso? Ao menos não o
contradiz aquele famoso juízo-fisionômico que soava tão escandaloso aos amigos de Sócrates.
Um estrangeiro, que entendia de rostos, disse certa vez na cara de Sócrates, ao passar por
Atenas, que ele  era  um monstro e escondia todos os vícios e desejos ruins em si. E Sócrates
respondeu simplesmente: "Vós me conheceis, meu Senhor!"

4
Em Sócrates, a desertificação e a anarquia estabelecidas no interior dos instintos não são os
únicos indícios de  décadence:  a superfetação do lógico e aquela maldade de raquítico,  que o
distinguem, também apontam para ela. Não nos esqueçamos mesmo daquelas alucinações
auditivas que, sob o nome de o "Daimon de Sócrates", receberam uma interpretação religiosa.
Tudo nele é exagerado, bufão, caricatural. Tudo é ao mesmo tempo oculto, cheio de segundas
intenções, subterrâneo. – Procuro compreender de que idiossincrasia provém essa equiparação socrática entre Razão  = Virtude = Felicidade: essa equiparação que é, de todas as existentes, a
mais bizarra, e que possui contra si, em particular, todos os instintos dos helenos mais antigos.

5
Com Sócrates, o paladar grego transforma-se em favor da dialética: o que acontece aí
propriamente? Acima de tudo é um gosto  nobre  que cai por terra. A plebe ascende com a
dialética. Antes de Sócrates, recusavam-se as maneiras dialéticas na boa sociedade: elas valiam
como más maneiras, elas eram comprometedoras. Se advertia a juventude contra elas. Também
se desconfiava de todo aquele que apresentava suas razões de um tal modo. As coisas honestas,
tal como as pessoas honestas, não servem
suas razões assim com as mãos. É indecoroso mostrar os cinco dedos. O que precisa ser
inicialmente provado tem pouco valor. Onde quer que a autoridade ainda pertença aos bons
costumes, onde quer que não se "fundamente", mas sim ordene, o dialético aparece como uma
espécie de palhaço: ri-se dele, mas não se o leva a sério.  - Sócrates foi o palhaço que se  fez
levar a sério: o que aconteceu aí propriamente? 

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Só se escolhe a dialética, quando não se tem mais nenhuma outra saída. Sabe-se que se suscita
desconfiança com ela, que ela é pouco convincente. Nada é mais facilmente dissipável do que
um efeito dialético: a experiência de toda e qualquer reunião na qual se conversa, o prova. Ela
só serve como  saída drástica  nas mãos daqueles que não possuem nenhuma outra arma. É
preciso que se tenha de estabelecer à força o seu direito: antes disto não se faz uso algum dela. Por isso, os judeus eram dialéticos. Como? Sócrates também o era? 

7
— A ironia de Sócrates é uma expressão de revolta? De ressentimento da plebe? Ele goza
enquanto oprimido de sua própria ferocidade nas estocadas do silogismo? Ele  vinga-se  dos
nobres que fascina? — À medida que se é um dialético, tem-se um instrumento impiedoso nas
mãos. Com ele podemos cunhar tiranos e ridicularizar aqueles que vencemos. O dialético lega ao
seu adversário a necessidade de demonstrar que não é um idiota: ele o dei xa furioso, mas ao
mesmo tempo desamparado. O dialético despotencializa o intelecto de seu adversário. Como? A
dialética é apenas uma forma de vingança em Sócrates?

8
Eu dei a entender o que fez com que Sócrates pudesse se tornar repulsivo: permanece tanto
mais a ser esclarecido  o fato  de ele ter podido produzir fascínio. Por um lado, Sócrates foi o
pioneiro na descoberta de um novo tipo de Agon: para o círculo nobre de Atenas, ele foi o seu
primeiro mestre de armas. Ele fascinou, à medida que tocou no impulso agonístico dos helenos e
que trouxe uma variante para o cerne do embate entre os homens jovens e os rapazinhos.
Sócrates também foi um grande erótico.

 9
Mas Sócrates desvendou ainda mais. Ele olhou  por detrás  de seus atenienses nobres; ele
compreendeu que  seu  caso, a idiossincrasia de seu caso, já não era nenhuma exceção. O
mesmo tipo de degenerescência já se preparava em silêncio por toda parte. A velha Atenas
caminhava para o fim. E Sócrates entendeu que todo o mundo tinha necessidade  dele: de sua
mediação, de sua cura, de seu artifício pessoal de autoconservação... Por toda parte os instintos
estavam em anarquia; por toda parte estava -se cinco passos além do excesso; o "monstrum in
animo"  era o perigo universal. "Os impulsos querem fazer-se tiranos; precisa -se descobrir um
antitirano, que seja mais forte"... Quando aquele fisionomista revelou a Sócrates quem ele era,
uma caverna para todos os piores desejos, o grande irônico ainda deixou escapar uma palavra,
que deu a chave para compreendê-lo. "Isto é verdade, disse ele, mas me tornei senhor sobre
todos estes desejos."  Como  Sócrates se assenhorou de si  mesmo?  No fundo o seu caso foi
apenas o caso extremo; apenas o caso mais distintivo disto que outrora começou a se tornar a
indigência universal: o fato de ninguém mais se assenhorar de si, de os instintos se
arremeterem uns contra os outros. Ele fascinou como este caso extremo - sua feiúra apavorante
o comunicava a todos os olhares: ele fascinou, como segue de per si, ainda mais intensamente
enquanto resposta, enquanto solução, enquanto aparência de  cura para este caso.  


10
Se se tem necessidade de fazer da razão um tirano, como Sócrates o fez, então o risco de que
outra coisa faça -se tirano não deve ser pequeno. A racionalidade aparece outrora enquanto
Salvadora; nem Sócrates, nem seus "doentes" estavam livres para serem racionais. Ser racional
foi o seu  último  remédio. O fanatismo, com o qual toda a reflexão grega se lança para a
racionalidade, trai uma situação desesperadora. Estava -se em risco, só se  tinha uma escolha: ou
perecer, ou ser  absurdamente racional... O moralismo dos filósofos gregos desde Platão está
condicionado patologicamente; do mesmo modo que sua avaliação da dialética. A equação
Razão = Virtude = Felicidade diz meramente o seguinte: é preciso imitar Sócrates e estabelecer
permanentemente uma luz diurna contra os apetites obscuros — a luz diurna da razão. É preciso
ser prudente, claro, luminoso a qualquer preço: toda e qualquer concessão aos instintos, ao
inconsciente conduz para baixo...

11
Dei a entender o que fez com que Sócrates exercesse fascínio: ele parecia ser um médico, um
salvador. Faz-se ainda necessário indicar o erro que repousava em sua crença na “racionalidade
a qualquer preço”?  — Imaginar a possibilidade de escapar da  décadence  através do
estabelecimento de uma guerra contra ela é já um modo de iludir a si mesmo criado pelos
filósofos e moralistas. O escape está além de suas forças: o que eles escolhem como meio, como
salvação, não é senão uma nova expressão da décadence. Eles transformam sua expressão, mas
não a eliminam propriamente. Sócrates foi um mal-entendido.  Toda moral fundada no
melhoramento, também a moral cristã, foi um mal-entendido....A luz diurna mais cintilante, a
racionalidade a qualquer preço, a vida luminosa, fria, precavida, consciente, sem instinto, em
contraposição aos instintos não se mostrou efetivamente senão como uma doença, uma outra
doença.  — Ela não concretizou de forma nenhuma um retorno à "virtude", à "saúde", à
felicidade... Os instintos precisam ser combatidos esta é a fórmula da décadence.  Enquanto a
vida está em ascensão, a felicidade é igual aos instintos.

12
Ele mesmo compreendeu isso, este que foi o mais prudente de todos os auto-ludibriadores? Ele
soube dizer isto por fim a si mesmo em meio à sabedoria de sua coragem diante da morte?...
Sócrates queria morrer. Não foi Atenas, mas ele  quem deu para si o cálice com o veneno. Ele
impeliu Atenas para o cálice com o veneno... "Sócrates não é nenhum médico, falou ele
silenciosamente para si mesmo: apenas a morte é aqui a médica... O próprio Sócrates só estava
há muito doente...". 

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"Nietzsche, Friedrich. Crepúsculo dos Ídolos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pequeno Grande Mundo













Pequeno grande mundo.
É assim que meu olho o vê.
21/01/2012