sábado, 31 de março de 2012

Ewige Wiederkunft

Quando eu tinha seis anos de idade, o cachorro dos meus avôs paternos me atacou. O nome dele era "Vai Limpando" (surreal!).
Estávamos brincando e ele parecia estar bem, daí fiz sinal para que ele pulasse, estalando os dedos com a mão posicionada um pouco acima da minha cabeça. Ele viu o sinal, mas atacou meu rosto. Estávamos sozinhos e ninguém viu o que aconteceu. Me mordeu na boca, o que acabou me rendendo cinco pontos no lábio superior.

Não derramei uma lágrima sequer.

No hospital, enquanto era costurada, o comentário geral entre os médicos era justamente acerca da minha calma. Disseram nunca terem visto criança igual. Deixei que fizessem seu trabalho sem sequer me mexer.
Ainda tenho a cicatriz, embora hoje seja quase imperceptível.

Jamais disse a ninguém que ele me atacou. Eu era uma "criança velha", desde pequena entendia como as coisas funcionavam: Se eu contasse a verdade o cão seria punido e eu sabia que meu avô era especialmente sádico com animais... Fora isso, era bem capaz que me proibissem de voltar a brincar com animais, coisa que sempre gostei muito de fazer.
Então eu disse para todo mundo que ele não teve a intenção de me atacar. Menti. Disse que ele pulou, se desequilibrou e acabou "batendo com os dentes no meu lábio".
Jamais entendi por que fui atacada. Por conta disso, nunca mais tornei a brincar com ele, especificamente. Mas compreendi que não poderia condenar todos os cães por conta da atitude de um, e continuei a ser amiga deles.
Ainda que outro cão me morda novamente, jamais condenarei uma espécie inteira por conta de um indivíduo. Não sou imbecil.
Hoje tenho uma pit bull que divide a cama comigo. Em doze anos de convivência, apesar da má fama da raça, ela jamais me mordeu. E nem morderá.

Minha cadela é criada com muito carinho e atenção. O "Vai Limpando" só existia na casa dos meus avôs com a função de latir caso avistasse algum estranho. Ninguém dava atenção ou carinho a ele. Talvez por entender isso sem que jamais alguém tivesse precisado me explicar, fui "leal" e só contei a verdade depois de sua morte. 
Passados alguns anos, revolvendo a terra do canteiro onde meu avô além de plantar couves também enterrava animais, encontrei seus ossos. E trouxe sua mandíbula pra casa.

sexta-feira, 30 de março de 2012

The Wall


...provando que o dinheiro não compra tudo! AEHUAHEUAEHAUUA


Agradeço todos os dias da vida pela oportunidade de ter visto esse cara vivo e ao vivo!
Gênio demais!!!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Oh, L'amour!!!!

Quando abraçamos um posicionamento ideológico, não podemos fazê-lo pela metade...

Estou gostando bastante da minha última aquisição, "O Gene Egoísta", do Dawkins. Devo admitir que, quando não está pregando sua fé, o cara é bom. E seu livro me deu um ótimo insight sobre o amor.

Há quem acredite e quem duvide da existência deste sentimento, mas a maior parte das pessoas partilha da mesma opinião quanto ao amor de mãe: este sim seria O verdadeiro amor. Mães tudo aceitam, tudo acolhem, tudo sacrificam pelos filhos.

Mas seria mesmo por amor?

Segundo Dawkins, definitivamente não. Tudo não passaria de mais uma forma de expressão do tal "gene egoísta".
Filhos são a continuação dos pais, ainda que estes morram continuarão a "viver" através dos rebentos, que carregam seus genes. Gerar filhos é uma maneira de imortalizar-se e os pais ficam orgulhosos quando percebem traços físicos parecidos com os deles mesmos em sua prole. 
Geralmente o sentimento das mães por seus filhos é mais pronunciado que o dos pais. Li em algum lugar recentemente (e agora não estou conseguindo encontrar a referência, aff!) uma pesquisa demonstrando que, numa maternidade, os presentes oferecidos ao bebê pelos pais da mulher são melhores que os dados pelos avôs paternos - afinal, os pais da fêmea têm certeza de que seus genes foram passados à frente, os pais do macho nunca estão tão certos assim...

Então, juntando todos estes dados, acabamos chegando à conclusão de que o amor materno é, na realidade, o amor por... si mesmo!

O próprio sacrifício que a mãe é capaz de realizar pelos filhos seria a expressão inconsciente de que sua vida vale menos que a da prole - suas chances reprodutivas estão diminuídas o que torna menor sua utilidade no processo evolutivo.  O organismo mais jovem probabilisticamente possui maior oportunidade de continuar o "trabalho".

Qualquer laço de família, se observado sob este ponto de vista, perde todo traço de romantismo: se não por pressão do "gene egoísta", o que motivaria indivíduos que muitas vezes parecem se detestar a continuar unidos?

Bom... Isso é uma teoria.

Mas só existem dois caminhos nessa encruzilhada: ou aceitamos que qualquer tipo de amor existe, ou que todo amor é uma ilusão, um "enfeite" palatável que esconde o plano frio da Mãe Natureza, que de amorosa não tem nada. Neste ponto, procurar uma terceira rota é tentar cavar uma fuga. Só há duas estradas a escolher.

Eu sei muito bem no que sempre acreditei.



"Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você"
Friedrich Nietzsche.
Fueeeeiiiiinnnnnn

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ascaris lumbricoides

Parece que o governo está virando uma espécie de "Porta da Esperança".
Agora o SUS vai custear o sonho de ser mãe de algumas criaturas com problema de fertilidade.
E o SUS vai fazer isso usando o dinheiro... do imposto de todo mundo!

Vejamos... com tantos órfãos por aí dando sopa, não seria difícil para essas mulheres pegar um deles para ocupar seu tempo... mas isso não basta. É preciso passar os gens à frente.
Como eu nunca tive esse impulso é até injusto da minha parte julgar o desejo alheio, uma vez que para mim é completamente impossível conseguir me colocar no lugar destas pessoas e sentir a "dor" de não poder parir.
Quando faço isso não sinto nada.
Entretanto, penso que o governo deveria utilizar a verba pública para atender às necessidades BÁSICAS da população, e pelo que me consta ninguém jamais morreu por não ter filhos. E se a coisa vai seguir essa linha de atuação, então vou começar a pleitear também o meu direito a ter o nariz da Nicole Kidman e vou esperar que o SUS realize meu sonho.

Não temos segurança pública, nem uma educação eficiente e a própria área da saúde precisa ainda de muita verba e trabalho para funcionar da maneira como deve - ou seja, não conseguimos atender às necessidades dos que já estão vivos, e ainda vão ajudar outros a nascer????????
Ora, arrumem a casa primeiro e depois, se quiserem, rasguem dinheiro!!!!!!

Mas o que mais eu poderia pensar de um governo que custeia até o gel lubrificante de quem quer dar a bunda? Sim, nas farmácias dos postos de saúde é possível conseguir, mediante um simples pedido, alguns sachês de gelzinho... que é pra ficar mais confortável, sabe?

E no fim das contas é isso.
Eu pago pelo bem estar do cu dos outros.

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Tenho uma queda enorme para o parasitismo.
Detesto trabalhar.
Mas, como meu sobrenome é orgulho,  eu detestaria ainda mais se tivesse que ser sustentada ou se dependesse de outra pessoa. Acho que isso tiraria de mim além da dignidade, a liberdade. Não respeito quem não é capaz de lidar com a própria sobrevivência. Porém, por uma questão de afinidade de alma, reconheço um parasita de looonge...
 
E é isso que o Brasil está se tornando: a grande mãe gentil dos parasitas. É possível não trabalhar e ainda assim ganhar casa, comida, medicamentos, internet, entretenimento, roupas e até um bolsa-sanguessuga qualquer.
Eu tenho que pagar por tudo isso se quiser ter, e não ganho nem bingo.
E ainda criamos monstros! Os parasitas daqui não são qualquer parasita, eles têm direitos!
Muitos direitos.
Bom, minha avó me educou no sentido de somente exigir direitos DEPOIS que meus deveres estivessem cumpridos.  O dever básico de cada ser vivente que existe sobre a terra é ser responsável por si. Mas os parasitas daqui querem que o Estado os carregue no colo do berço até o túmulo!
E a coisa é diversificada! Aqui temos parasitas ativos (os corruptos) e os passivos (já citados).

Acho que não existe analogia melhor para definir este lugar que a imagem de um intestino gigante, cheio de lombrigas. Um triângulo invertido com uma coisa enrolada dentro - um ótimo esboço de mapa do Brasil.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Assexuados

Um tipo de reprodução sempre me chamou atenção: a fragmentação. Acho fascinante a capacidade de um ser se originar a partir de um pedaço do outro.

Peraí... outro?

Na verdade, o mesmo. Clones infinitos. Com pequeno gasto de energia e enorme eficiência, replicam-se aos milhares, milhões. Reprodução típica de seres rudimentares mas praticamente imortais, uma vez que partilham do mesmo exato material genético, imutável desde os primórdios.

Embora admirável, sua maior força é também sua fraqueza - como não há recombinação genética (que só acontece na reprodução sexuada), não existe variabilidade na espécie, não há "criatividade" no processo, apenas kibagem, o que torna o grupo particularmente sensível a mudanças no ambiente. Qualquer pequena variação no habitat pode ser fatal e atingir sem excessão todos os indivíduos, dizimando-os em pouquíssimo tempo, sem resistência, sem que tenham a capacidade de se "defender" da extinção. Se fosse possível a estes seres ter emoções, talvez seu pior medo fosse o da mudança - que sabemos ser inevitável.

Até as plantas se comunicam - usando sinalização química - então começo a viajar, imaginando como seria o "relacionamento" entre estrelas-do-mar (platelmintos também se fragmentam, mas por uma questão estética, uso as estrelas mesmo), eternamente conversando consigo mesmas, rsrsrsrss...
É.
Deve ser um tédio profundo. 
Diante desta perspectiva, acho que prefiro ser mortal mesmo. 
 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Estranho No Ninho

A Natureza realmente é inspiradora...
Estava aqui pensando nos cucos, e percebi que a motivação dos doadores de material para inseminação artificial se assemelha bastante ao modus operandi destes animais: conseguem passar seu material genético à frente, sem a necessidade de perder tempo e energia cuidando dos filhotes.

Genial.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuculidae

sexta-feira, 2 de março de 2012

Correndo no Escombrão

O mais novo Grande Mistério do Universo acaba de surgir:

A corrida no entorno do Engenhão.

Todos os dias passo no Engenhão e assisto diversas pessoas realizando exercícios neste local. Corridas, alongamentos, caminhadas. Porém, o que me intriga é que aquele quarteirão sempre existiu, nenhuma melhoria foi feita nas calçadas (que em alguns trechos mais parecem escombros), não há ciclovia e, pra piorar, o trânsito é muito intenso.

Estudei no Colégio Bolívar, situado na mesma quadra, e como atividade das aulas de educação física corríamos em volta deste quarteirão - por pura falta de opção, uma vez que não podíamos nos distanciar demais da escola -  sempre reclamando das péssimas condições do local: pouca ventilação, piso irregular, excesso de poluição. Dos anos 90 para cá nada mudou, mas a construção do estádio parece ter colocado uma espécie de glitter neste local, que acaba atraindo bastante gente. Ao que parece, essas pessoas não se dão conta de que seria muito melhor realizar suas atividades físicas nas quadras internas, fora da via principal do trânsito.

Uma vez que a construção do estádio não foi sinônimo de melhorias realizadas no entorno, fico sem entender o porquê da modinha...
Bem, a moda nem sempre obedece uma lógica, mas neste caso chega a ser burrice.

OK, as pessoas correm no entorno do Maracanã, onde também existe um trânsito infernal e o calor é desconcertante, mas lá existe ao menos uma faixa de calçada própria para isso, com piso liso... Entendo a associação de estádio com esporte, só não compreendo a ausência de senso crítico...
...mas ultimamente tenho achado que esperar isso é pedir demais.